O senador Alessandro pisou na bola. As suas declarações intempestivas insinuando que o seu companhas de chapa André Moura, poderia ser preso pela polícia a qualquer momento chocaram o meio político, e acenderam a luz vermelha da discórdia, e da divisão da chapa do governo, colocando na avenida da alegria o bloco oposicionista, neste período de carnaval.
Caso disponha nesta hora de algum indício ou prova – para ser digno do elevado cargo que ocupa – Alessandro deveria apontar indícios ou provas de algum crime cometido por André que autorize a polícia a prende-lo, sob pena de o ofendido ingressar na justiça com uma ação criminal ou civil, por danos morais, em defesa de sua honra, providência que este deveria tomar de imediato – iniciativa que pode não ser aconselhável no momento.
Todo o mundo está a perguntar: se o senador Alessandro Vieira, acha que a chapa não tem condições morais de enfrentar o pleito para o senado, por que então aceitou o acordo, já que, para selar o entendimento comandado pelo governador Fábio Mitidieri, apertou a mão de André Moura, cuja cena saiu em todas as mídias estampada numa foto incontestável.
No mínimo houve aí uma incoerência do Senador Alessandro ao detonar André, tornando impossível de agora por diante uma convivência civilizada e pacífica.
André está coberto de razão ao tornar pública a sua indignação pela hostilidade manifestada contra ele pelo senador-delegado. E o governador acertou ao solidarizar-se com o ofendido, restando-lhe, pela repercussão do caso, adotar medidas emergenciais para não prejudicar a sua própria reeleição.
Ao desferir um tiro premeditado numa banda importante da coligação, o senador-delegado Alessandro não parece preocupar-se com a continuidade do acordo, em outras palavras, recua de sua pretensão em juntar-se a André.
Simples assim, os dois não cabem num mesmo palanque.
A ofensa de Alessandro é um recado público muito claro que contribui para o desfazimento do acordo, deixando o governador à vontade para decidir a respeito. Tem que ser o mais rápido que puder, pesando antes as consequências advindas dessa solução política. É analisar, com a sabedoria de Sócrates e a cabeça de Einstein, o que fazer para retomar a sua posição de liderança sob ameaça.
Se para muitos foi uma grande surpresa o lançamento antecipado da chapa majoritária do bloco governista para enfrentar um hipotético candidato da oposição, para quem entende um mínimo de política não será surpresa nenhuma, como remédio amargo, mas imprescindível, escolher outra chapa majoritária para colocar no terreno do esquecimento a desavença pública que atingiu sem dúvida a autoridade maior do processo, o governador Fábio Mitidieri, que agiu de boa fé, confiante na lealdade entre os componentes da chapa.
Não é uma decisão fácil. Um desafio para Fábio Mitidieri.
Divisão na política paga seu preço.
Em situações difíceis como essa, às vezes, por uma imperiosa necessidade, é preciso agir, mesmo que doa. Nem sempre a política nos coloca no conforto de um céu de brigadeiro.
Afinal, como nos ensina o velho provérbio, “não se faz um omelete sem quebrar os ovos”.
Antonio Carlos Valadares, ex-governador e ex-senador

