Brasil não cai no laço de Trump

O tarifaço de Trump contra o Brasil pegou todo o mundo da economia e da política de surpresa.

Trump quer colocar o Brasil na situação de um país subserviente aos EUA, e nesse seu projeto de desconsiderar a nossa soberania, ele conta com o filho de Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro. Consequentemente com o apoio do ex-presidente Bolsonaro.

Trocando em miúdos: a tarifa de 50% imposta por Trump não tem o objetivo de contrabalançar exportações, quando estas, como se sabe, estão na coluna dos superávites em favor dos americanos há mais de 15 anos.

Trump tem em mira um único interesse, qual seja, conseguir barganhar a anistia para tornar Bolsonaro elegível para as próximas eleições presidenciais.

Trata-se de uma proposta tão indecorosa, que está chegando aos túmulos dos fundadores da democracia americana cujos corpos devem estar se mexendo de vergonha nos seus caixões.

Ora, a essa altura dos acontecimentos, falar em anistia como moeda de troca para tirar o tarifaço não passa de uma chantagem do Trump, é como se fosse a tentativa de colocar a espada de Dâmocles no pescoço dos membros dos poderes da União, legislativo, executivo e judiciário.

Contra esse estado de coisas, onde um presidente de outro país, quer transformar o Brasil numa república de bananas, o Congresso, pensando na sua própria imagem política como instituição – que já não é boa -, na voz de suas lideranças, já começa a dar sinais de que não concorda com o tarifaço.

Se o projeto de anistia já era uma proposição difícil para ser incluído na pauta de votação da Câmara, agora, com a intromissão indevida de Trump, ela se tornou totalmente inviável.

Qual o parlamentar que vai se aventurar a votar contra os interesses do país, e se agachar perante o governo atrabiliário americano, mesmo que Bolsonaro pressione?

Parlamentares bolsonaristas sabem que, para o enfrentamento das próximas eleições, não basta ser direitona, nem colocar a bíblia debaixo do braço ou empunhar a nossa bandeira verde e amarela pra convencer eleitores. Será preciso manter pelo menos a aparência de que discorda de uma invasão estrangeira no Brasil no terreno da política e da economia, e que é contra o amordaçamento dos poderes constituídos.

A soberania do Brasil é inegociável.

Trump e Bolsonaro, como é evidente, estão juntos nesse jogo, num propósito inconcebível de humilhar uma Nação como o Brasil, que tem passado e história, coragem e patriotismo.

Como alguém que foi presidente se presta a um papel tão sectário, só para livrar a própria pele de uma degola política? O Brasil que se “expluda”!

O decreto de reciprocidade, aprovado pelo Congresso, e sancionado por Lula, é a resposta, como Nação livre e soberana, apresentado como remédio à truculência de Trump, e de outros governantes cruéis, caso persistam as sobretaxas e as ameaças.

Não somente as empresas brasileiras atingiram o seu maior nível de estresse. Vislumbrando prejuízos irreparáveis para as suas atividades, empresas de todos os ramos da economia americana já se manifestam pedindo a cessação imediata dessa guerra tarifária desencadeada por Trump.

Pensando bem, onde achar, com preços mais convidativos do que no Brasil, os insumos indispensáveis para a produção? Se até o dia 1º de agosto nada acontecer, será o caos, desemprego, aumento da inflação e quebradeira.

Querem nos jogar no precipício, temos que buscar saídas urgentes em outros mercados, enquanto Trump insiste em dar um tiro no pé.

Todo esse quadro complicado somente porque Trump quer a todo custo a anistia para seu amigo do peito Bolsonaro.

Em boa hora, em carta dirigida aos EUA, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, afirma que “A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países”. Em outro trecho propõe diálogo e negociação: “O Brasil permanece pronto para dialogar com as autoridades americanas e negociar uma solução mutuamente aceitável sobre os aspectos comerciais da agenda bilateral, com o objetivo de preservar e aprofundar o relacionamento histórico entre os dois países e mitigar os impactos negativos da elevação de tarifas em nosso comércio bilateral”,

Reciprocidade só se não tiver jeito.

Pra frente Brasil!

Antonio Carlos Valadares
Ex-governador – ex-senador por Sergipe

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ex-senador da República. Fui Lider/PSB, vice-pres/Senado, pres/CDR, pres/ConselhoDeÉtica, pres/CAS, pref/S. Dias,dep estadual/pres da ALESE, dep fed, Sec/Educ, vice-gov, gov, senador 3x