Mais uma vez faltou bom senso ao tresloucado presidente dos EUA Donald Trump.
Chamou a atenção a imposição de uma tarifa de 50% contra o Brasil, uma decisão recheada de cores políticas, e de achaque vergonhoso à soberania da Nação.
Para justificar mandou uma carta desaforada para Lula, que a devolveu de forma acertada por conter mentiras, intromissão indevida nos assuntos internos do Brasil, o que configura uma tentativa de ameaça à nossa autonomia como Nação livre e independente. Lula, respondeu como um nordestino que aceita desaforo de ninguém, nem mesmo do homem mais poderoso do mundo.
Não há razão plausível do ponto de vista econômico para essa retaliação contra um país que tem um ambiente de trocas saudáveis com a nação americana há mais de 200 anos. Se há desequilíbrio como diz Trump, fazendo as contas dos últimos 15 anos das exportações do Brasil versus importações dos EUA, o déficit é do Brasil (da ordem de 400 bilhões de dólares), com superávit comercial em todos os anos em favor dos americanos conforme evidencia o presidente Lula quando entrevistado.
Foi com estupefação que o mundo, especialmente o Brasil, recebeu a notícia, classificada pelo vencedor do prêmio Nobel de economia Paul Krugman, como perversa e megalomaníaca.
Burrice indiscutível de Trump ao multiplicar por 5 o valor das taxas de exportações de produtos brasileiros. Isso vai implicar em prejuízos financeiros para o Brasil e para os próprios EUA.
A inflação que vai ocorrer aqui também pode acontecer lá. Afinal, os americanos precisam do nosso mercado de commodities de produtos agro manufaturados, a exemplo do suco de laranja, do café, da carne e do aço.
Haverá um reflexo nos preços no país americano os quais descerão ao super mercados, gerando inflação, empobrecimento e revolta da população.
Trump, na sua megalomania de mando, atirando a torto e a direito sem incomodar-se com os efeitos de sua loucura, não está nem aí com a queda da atividade econômica que será produzida por seu tarifaço.
Se o dólar sobe a alta também é expressa em valores monetários para a indústria americana que será obrigada a comprar insumos mais caros para continuar produzindo.
Resultado : fechamento de empresas, redução dos lucros, desemprego e inflação.
Se persistir como essas medidas protecionistas baseadas em fatos meramente políticos, Trump está cavando a sua própria sepultura como liderança.
É inconcebível que os EUA, que sempre exerceram um papel de influência destacadamente positiva nos setores da política internacional, militar e econômico, tenham chegado a um ponto tão baixo em suas relações bilaterais, de antipatia quase generalizada, com desdobramentos negativos para uma Nação que merece, pelo seu passado, a conquista de uma vida melhor e mais tranquila para o seu povo.
A caneta de Trump está borrando o papel no qual foi escrita a história do grande país de Lincoln.
Antonio Carlos Valadares, ex-governador e ex-senador por SE

