RETALHOS DA POLÍTICA – CAMPO VERDE

CAMPO VERDE E LUZ NO CAMPO – ENERGIA, ESTRADAS, COMBATE ÀS SECAS

No governo, criei os projetos Campo Verde e Luz no Campo,  programas de  estímulo à economia agrícola. Foram construídas redes de distribuição de energia elétrica (1.000 km), construção de cisternas (8.000), abertura de poços artesianos (10.000), pavimentação de rodovias cortando o Sertão e o Agreste (1.000 km).

Em pleno século XX, em muitos lugares de Sergipe, principalmente no Sertão, para enfrentar a escuridão, ainda persistia o uso do candeeiro.

Acabei com esse atraso, melhorando a qualidade de vida de nossa gente, espalhando redes de distribuição de energia elétrica por todo o Estado, e fazendo a instalação de luz nas pequenas moradias de pessoas de baixa renda. 

O governo de Fernando Henrique Cardoso copiou o nome do nosso programa de eletrificação rural, criando um outro que recebeu a denominação de Luz no Campo … Eu já estava no Senado, na bancada de oposição,  mas fiz questão de enaltecer a iniciativa. 

A cidade de Estância, no interior, tinha uma tradição industrial que precisava ser fortalecida e apoiada. Implantamos o serviço tubular, saindo de Aracaju, para o transporte de gás natural até as áreas industriais daquela importante cidade, fomentando o surgimento de novas empresas e ajudando a aumentar os postos de trabalho

A cidade da Barra dos Coqueiros e os seus povoados tinham um sistema precário de fornecimento de energia elétrica, proveniente de um cabo submarino que atravessava o rio Sergipe. Em pleno carnaval, o sistema entrou em colapso no ano de 1990. Acionei a Energipe, a nossa empresa concessionária de energia elétrica, naquela época ainda uma estatal, e, em menos de 24 horas foi restabelecido o fornecimento de luz na cidade, através de uma nova rede emergencial, por terra, vindo das imediações do Terminal Portuário de Sergipe. 

AGRICULTURA, PESQUISA, ASSISTÊNCIA TÉCNICA E PRODUÇÃO

Visando o fomento da agricultura e contribuir para levar a paz ao campo, praticamente acabando com os conflitos pela posse da terra, determinei à Secretaria da Agricultura fazer a compra de terras, que foram divididas em lotes e distribuídas a pequenos agricultores. 

Dentro desse programa mais de 100 mil hectares foram comprados pela Secretaria da Agricultura. Uma verdadeira Reforma Agrária foi feita no Estado usando a estratégia da negociação direta com os fazendeiros, pagando-lhes um preço  justo. 

Para dar suporte ao surgimento de novas tecnologias de produção, e incrementar a produtividade da agricultura sergipana, criamos a Empease (Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária), a qual, possuía campos experimentais em diversos municípios, a exemplo de Boquim, Umbaúba, Lagarto e Canindé de São Francisco.

Encarávamos o grande desafio de disseminar, com qualidade e proteção sanitária, a cultura da laranja e outras plantas que pudessem se adaptar a cada região.

Tínhamos a preocupação em proteger a citricultura, que tinha uma grande fatia na economia estadual, contribuindo com o dinamismo então reinante para uma participação muito significativa da arrecadação do ICMS em nosso Estado.

Tínhamos consciência de que a citricultura era uma grande fonte de geração de emprego e renda.

O mais importante do ponto de vista da distribuição espacial era que a produção de citros emergia em pequenas propriedades de menos de 10 hectares, facilitando uma distribuição mais justa da propriedade rural sem conflitos. 

As primeiras fábricas de sucos de laranja já começavam a surgir, aumentando a demanda.

A cultura da laranja expandia-se em vários municípios, tendo como centro Boquim. Sergipe dispunha de uma posição de destaque no Brasil, quanto à produção citrícola, rivalizando-se com São Paulo e Bahia na disputa entre os primeiros lugares na oferta de laranja.

Chegamos a ser o primeiro produtor de laranja do Nordeste e o segundo produtor nacional. 

Os pomares ficavam localizados, e ainda hoje predominam no Sul do Estado, na região dos Tabuleiros Costeiros, formando um verdadeiro cinturão agrícola, compreendendo os municípios de Arauá, Boquim, Cristinápolis, Estância, Indiaroba, Itaporanga d´Ajuda, Itabaianinha, Lagarto, Pedrinhas, Riachão do Dantas, Salgado, Tomar do Geru, Umbaúba e Santa Luzia do Itanhy. 

A Emater-SE,  uma empresa da Secretaria da Agricultura, acompanhava toda a produção, dando assistência técnica. Existia, ainda, a Comase, uma empresa do Estado que alugava tratores; vendia sementes, e insumos agrícolas como adubos e fertilizantes.

Essa estrutura que possuíamos no Estado dava uma grande cobertura ao fomento das atividades agrícolas, havia uma integração importante entre o setor produtivo e o Estado. 

Aos poucos aquela estrutura  foi sendo eliminada, em nome da doutrina liberal do Estado Mínimo que passou a predominar entre os gestores públicos.

Infelizmente, devido a vários fatores, a nossa produção de laranja teve uma queda substancial, sendo um deles a incidência de uma praga chamada de mosca negra. 

Em 2015/2016 houve uma perda de 80% da produção causada pela mosca negra.

A citricultura chegou à gerar 100 mil empregos, com uma área plantada de 55 mil ha . Perdemos cerca de 50% da área e dos postos de trabalho, com uma redução drástica da nossa protutividade

Hoje Sergipe é o quarto produtor de Laranja do Brasil. 

A Festa da Laranja realizada todos os anos em Boquim era um acontecimento de grande repercussão e beleza, atraindo pessoas de vários Estados do Brasil. 

APOIO AOS PEQUENOS AGRICULTORES

Implantamos o programa de regularização fundiária, onde pelo menos 30.000 agricultores foram beneficiados com a entrega do título de suas propriedades rurais (escritura pública com registro no Cartório).

Essa intervenção benéfica do Estado efetivada no campo, abriu as portas do financiamento bancário para os agricultores. Na época, pelas taxas de juros praticadas, o financiamento rural se constituía em um grande atrativo para o aumento da produção e melhoria da produtividade.

Em parceria com o Banco do Brasil, levamos a comunidades da zona rural, através do FUNDESC (Fundo de Desenvolvimento Comunitário), empreendimentos para mini produtores, objetivando a geração de emprego e renda, como casas de farinha, fábricas de doce, apoio ao artesanato (cerâmica, bordado e confecção), aquisição de máquinas e implementos agrícolas que eram transferidos para as associações de produtores.

Com o apoio do BB construímos ainda escolas, centros comunitários, postos de saúde, sistemas de abastecimento d’água, eletrificação rural e postos telefônicos. O Estado de Sergipe alcançou dentre todos os Estados do Brasil o melhor desempenho na aplicação dos recursos provenientes desse programa.

Durante as secas, no período em que governei o Estado, não se registrou um só caso de desespero das populações flageladas, , saqueando caminhões de mercadorias ou ameaças de invasão de supermercados, de propriedades rurais ou de órgãos públicos – como era comum no Nordeste.

Esses possíveis eventos aqui passaram ao largo pela assistência que acontecia de imediato com a interveniência dos órgãos do governo, abrindo frentes de trabalho, cujo pagamento era feito sem atraso, além da  distribuição gratuita de cestas de alimentos e de água.

As obras que eram realizadas em todo o Estado, notadamente com o nosso programa habitacional, serviam para amenizar o problema do desemprego.

A pecuária tinha um grande incentivo, não só apoiando as exposições, também, facilitando o crédito rural através do Banese, e distribuindo matrizes para a produção leiteira (vacas e cabras) aos pequenos produtores.

Nota:  A elaboração de uma grande parte do conteúdo das postagens sobre obras e serviços  saiu de memória.  Seria impossível me lembrar de tudo,  uma vez que já decorreram mais de 25 anos desde que terminou o meu mandato de governador.

ACV 

 

 

 

RETALHOS DA POLÍTICA – O SONHO DA CASA PRÓPRIA-MORADA PARA MAIS DE 100 MIL PESSOAS

CASA POPULAR PARA MILHARES DE FAMÍLIAS SERGIPANAS

COMO ABRIGAR MAIS DE 100 MIL PESSOAS

Logo após a minha eleição para o governo de Sergipe (15 de novembro de 1986), comecei a agir no sentido de encontrar  as melhores alternativas para cumprir a minha principal promessa de campanha. Construir casas populares e realizar o sonho de casa própria. O maior desafio que um governo poderia enfrentar num dos períodos mais difíceis, onde o orçamento era apertado, e o cenário nacional dava sinais de entrar em turbulência econômica e financeira, com a inflação já ameaçando em engolir tudo, como contei em detalhes no capítulo Retalhos da Política , A Inflação do Fim do Mundo

Lá pelos lados do município de Nossa Senhora de Socorro existia uma área de terreno imensa, onde poderíamos implantar o projeto habitacional que seria o maior de toda a história administrativa de Sergipe.

Durante a campanha já havia feito uma visita ao local e pude verificar que ali, naquele descampado a perder de vista, cheio de matos, iríamos trabalhar intensamente, realizando uma verdadeira revolução, abrigando uma população de mais de 100 mil pessoas, em menos de quatro anos.

Para reafirmar o meu compromisso público de campanha, e que levaria a sério a minha prioridade número um, que seria a construção de casas populares,  poucos dias depois da posse – que  se deu em 15 de março de 1987 -, enviei para a Assembléia Legislativa um projeto de lei criando o Fundo Estadual de Habitação , que obrigava a aplicação de 1% das receitas líquidas do ICMS em favor de programas habitacionais tocados pelo governo. 

COMPLEXO TAIÇOCA, UM DESCAMPADO – PALCO DE UM GRANDE PROJETO

Hoje, quando visito aquela área que denominávamos de Complexo Taiçoca, passando por aquelas praças, ruas e avenidas que de tão grandes, alguém de fora pode se perder naquela imensidão, e vejo tanta gente morando num só lugar, chego a me emocionar.

Numa sequência impressionante fizemos os conjuntos habitacionais Marcos Freire, Jardim, Fernando Collor, e terminamos o conjunto João Alves.

Quase todas as semanas tirava pelo menos um dia para visitar a Caixa Econômica em Brasília para dar andamento ao processo de liberação de recursos. 

Antes do término de nosso governo inauguramos na Barra dos Coqueiros o Conjunto Prisco Viana. 

Ao me encontrar com pais e mães de família naqueles conjuntos, ainda hoje, todos fazem questão de me cumprimentar e agradecer-me por aquela obra social que lhes facilitou a aquisição da casa própria para viver e morar com seus filhos.

O sonho da casa própria aumentara como nunca com o crescimento da população e o seu deslocamento em massa para as cidades.

Em governos anteriores, e posso citar os de Augusto Franco e João Alves, grandes conjuntos habitacionais começaram a ser construídos.

CASA, EMPREGO E GERAÇÃO DE RENDA

Conferi que, diante da minha responsabilidade em ter de cumprir o que prometera na campanha, antes mesmo da minha posse já estava cuidando em Brasília de financiamentos para um programa ambicioso que eu pretendia criar em Sergipe, cuja extensão e grandiosidade, até o momento não foi superado por qualquer governo que me sucedeu.

O nosso governo construiu 22 mil casas populares. Além de conseguir entregar para milhares de pessoas um teto para morar, empregos diretos e indiretos foram gerados, a construção civil viveu momentos de dinamismo e ascensão como em nenhuma outra época.

As cerâmicas em todo o Estado, principalmente as do município de  Itabaianinha, passaram a vender material de construção em tão grande quantidade que não davam vencimento à demanda. A Bahia teve que entrar em cena para completar o que Sergipe precisava para a continuidade do nosso programa habitacional.

Utilizei o Pedreiro Mecânico, um sistema que ajudava ao mestre de obras e ao pedreiro a acelerar o andamento da construção de casas para pessoas de baixa renda, nos mutirões que realizei no Conjunto Jardim (em Socorro) e na Terra Dura (Aracaju). 

Fizemos dezenas de sorteios, selecionando famílias que realmente tinham necessidade de uma moradia. 

ACV

 

 

SER OPOSIÇÃO OU BANDEAR-SE PARA O GOVERNO?

É MELHOR SER GOVERNO OU SER OPOSIÇÃO?

Muitos nem querem responder a essa pergunta, porque nasceram governo, continuam no conforto do governo, e consideram um despropósito, ou até mesmo uma loucura, marchar do lado da oposição, onde nunca estiveram. 

Outros com o silêncio oportunista, ou com justificativas vergonhosas para aderir, já responderam à pergunta estampada neste artigo. 

Num domingo, depois de tomar um café no Conjunto Augusto Franco, encontrei-me por acaso com um cidadão que me cumprimentou e falou que me admirava como político, mas que não votou em meu nome para o Senado porque fui candidato fazendo oposição ao governo.

“Eu tenho uma teoria – disse ele – “ser governo é ter uma atitude prática e consciente de que não se deve nadar contra a maré.” Continuou falando e eu só escutando: – “Nunca perdi o meu voto numa eleição porque só fico do lado de quem vai ganhar …”

O homem despontou no local, de repente, como se estivesse falando para uma grande plateia a ouvir a sua explanação,  expressando-se com ar professoral, e eu, ali em pé, ouvindo-o pacientemente, com vontade de sair, é verdade, mas que, apenas por educação permanecia parado no mesmo lugar.

Na sua peroração, de um modo simples e franco, o homem falou-me sem meias palavras; –  “o governo é lugar para crescimento social e econômico, enquanto lutar pela oposição só traz gastança, sacrifício e sofrimento”.

UM DEFENSOR E PROPAGADOR DA TEORIA GOVERNISTA

E para confirmar a sua tese, ou melhor dizendo, a sua teoria governista:  “No governo só quem está no comando é que tem que se virar pra arranjar dinheiro e fazer a máquina seguir em frente. Para nós apoiadores o único esforço é saber como colher a melhor vantagem”. 

E prosseguiu no seu lenga-lenga: “No governo, se você é empresário e resolver ser candidato, ganha duas vezes caso seja eleito, dividendos políticos com o cargo e lucros nos seus negócios, pela facilidade de penetrar na máquina”.

Ainda não satisfeito, me pegando  pelo braço, para impedir, jeitosamente, a minha retirada (nessa altura já se formava um grupo de curiosos), disse-me: – “Aqui na terrinha, seu Valadares, quem não é governo tá chegando, quem não chegou ainda, tá doido pra chegar. A oposição devia entender que ela só sabe falar, nada faz. E só quem pode reunir, e quem de fato faz, é o nosso governo!”.

“Portanto – continuou aquele doutrinador -, “ser oposição é um ato impensado, uma atitude burra e inconsequente. Contrariar o governo em qualquer lugar, na mídia, nos partidos ou no legislativo, é algo perigoso que pode render sérios prejuízos”.  “Cito como exemplo a classe hoteleira”, – fez questão de lembrar: – “mesmo no prejuízo porque não chegam hóspedes nos seus hotéis, por omissão dos órgãos de turismo, ficam mudos e calados apesar da queda em seus lucros, porque são inteligentes, sabem que esperando mais um pouquinho o nosso governo vai consertar o setor e resolver”. “Eles estão mais do que certos, esbravejou o homem: – “Em boca fechada não entra mosquito …”

MÁQUNA DO GOVERNO, DESENGONÇADA MAS EFICIENTE

“A máquina do governo, por mais velha e desengonçada que seja, pelo próprio desejo de proteção do poder e de vingança pode enterrar seus projetos políticos ou econômicos, e reduzir a quase zero a sua capacidade de reagir”,  profetizou aquele homem. 

E, a seguir me fez essa indagação: “Na nossa terrinha você já viu algum empresário que seja candidato perder uma eleição e quebrar no governo?” Daí ele mesmo se apressou em responder : – “Não vi, pelo contrário melhorou em tudo…”.

Foi quando ele soltou o meu braço, aproveitei o seu vacilo para dar-lhe um até logo e desvencilhar-me o quanto antes daquele papo que estava me cansando e que poderia durar muitas horas.  Entrei ligeiro no meu Fiat Grazie Mille, abri o word no computador quando cheguei em minha casa, e escrevi esse artigo modesto que só agora publico. 

A teoria governista defendida tão cinicamente por aquele cidadão, se por ventura chegasse às escolas como ensinamento para os nossos jovens seria como um enterro da nossa democracia.

Agora eu fico conversando com os meus botões:  se essa teoria absurda está disseminada em nosso meio e morando na cabeça de muitas pessoas, não há como eu desistir da política enquanto permanecer essa tendência ardilosa e devastadora de querer o poder, não como meio de distribuir benefícios para todos, e, sim como um instrumento de garantias de  vantagens para uma casta minoritária que melhora de vida sugando impiedosamente do governo que, querendo ou não, legitima seus ganhos. 

Com serenidade e destemor, cada um de nós no campo da oposição, por maior que seja a desigualdade dessa luta, haveremos de mostrar que a única teoria que um dia vencerá é a da verdade  contra a mentira.

O marketing da enganação, e os interesses privados que nunca deveriam misturar-se com a política um dia merecerão a devida resposta. 

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

ACV 

 

 

 

 

 

PARA ONDE VAI O BRASIL?

AVALIAÇÃO INÉDITA PREOCUPA 

Em pesquisa do IBOPE (divulgação, UOL notícias), o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem a pior avaliação em 24 anos,  nos seus três primeiros meses de mandato, em comparação com outros presidentes a partir de FHC. Bolsonaro tem apenas 34% de avaliação (ótima+boa), entre os brasileiros.

 

DESCONTROLE NA ECONOMIA E NA POLÍTICA 

Para um governo que está iniciando os seus trabalhos é um resultado muito preocupante.

Esses números que mostram uma queda acentuada da popularidade do governo que veio pra mudar, sinaliza para uma situação de descontrole da economia e da política.

Parece que a sua pregação de se distanciar das “velhas práticas”, muito embora tenha sido esse o mote principal de sua campanha, não lhe ajuda na avaliação do IBOPE.

O DISCURSO E A PRÁTICA 

Pode ser que a população esteja pensando que não basta o repúdio à política ultrapassada do toma-lá-dá-cá. É preciso que na prática isso fique muito evidente, que não haja concessões de qualquer espécie, e que a economia esteja bem dirigida.

Ora, com ministros sendo investigados ou denunciados, juntos com um de seus filhos, e o desemprego voltando aos tempos de Dilma Rousseff, somando-se a medidas extemporâneas como o decreto das armas, e mudanças que não foram bem assimiladas pela população nas regras de trânsito, é de prever-se que a baixa popularidade do presidente ainda mais se acentue. 

É PRECISO USAR A CANETA BIC DOA A QUEM DOER

Vamos acompanhar os próximos levantamentos. Se os níveis da gestão governamental tiverem uma curva ainda mais descendente, para não afundar o seu governo, o presidente Bolsonaro terá que mudar a sua postura de entendimento com o Legislativo, e, usando a sua caneta bic, fazer uma mexida urgente em seu ministério. 

A crise precisa ser estancada com medidas duras e que sejam visíveis a olho nu. Anúncios improvisados de medidas esparsas com cara de atos populistas não resolvem. 

Para ganhar a confiança da população o governo precisa tomar providências na política e na economia, cujos resultados venham repercutir na vida de cada brasileiro. 

Só se fala em reforma da Previdência como tábua de salvação. E se essa reforma for apenas uma miragem, para onde vai o Brasil? 

ACV

ELEIÇÕES, BRUXAS & DRAGÕES

VUCO VUCO 

ELEIÇÕES, REALIDADE E ILUSÃO 

Nas campanhas políticas por este Brasil afora muitas coisas são ditas e prometidas pelos candidatos para impressionar eleitores e ganhar votos.

Para enfeitar o pavão, o marketing contratado a peso de ouro tem que ser competente para mostrar as virtudes e esconder os defeitos do candidato.

O marqueiteiro, geralmente, é uma pessoa fria na estratégia a seguir, contorcionista na arte da dissimulação e convincente ao apresentar seu produto, o candidato. 

Tem que criar emoção em tudo que faz na telinha, no rádio e nas redes sociais em benefício do candidato. Tem que mostrar que o candidato é cuidadoso em economizar dinheiro público e que está preparado pra fazer tudo bem feito, e com devotamento, para atender ao sagrado direito do povo em ter uma educação, uma saúde ou  uma segurança pública de qualidade, e  tudo o mais que for necessário para romper a barreira da pobreza e dar tranquilidade à população.

O empresariado precisa ser convencido de que não haverá aumento da carga tributária, e que o serviço prestado ao governo ser-lhe-á recompensado com lucros e com pagamento em dia, sem atrasos ou procrastinações. 

O candidato é um ser especial, que tem resposta para soluções intricadas, adquiriu experiência pra resolver, é corajoso, tranca a cara às vezes para insinuar autoridade,  e cumpre o que promete. E gosta das criancinhas, que são o futuro da Nação.

O lado do candidato só tem doçura e eficiência, trabalho e honestidade, não lhe faltando as virtudes da humildade e do bom coração.

As cenas na TV têm que ser leves, alegres e coloridas, exibindo um cenário róseo, o céu é sempre de brigadeiro, como deve ser a vida sonhada por todos. O candidato repudia com veemência fazer traquinagens com dinheiro público. E que tudo será feito com transparência, de um modo tão claro como a luz do dia.

O eleitor tem que ser convencido de que o candidato é o melhor, e, que, na crise, surge como um super homem, quando menos se espera, arregaçando as mangas aparece com toda força,  e chega pra resolver, com as fórmulas mágicas de quem possui o poder de prever e vir de imediato com a solução.

Se por acaso o candidato estiver disputando a reeleição para o governo do Estado, será fundamental demonstrar ao funcionário público que a folha nunca será paga com atraso, e que, se alguma vez aconteceu foi por culpa da conjuntura ou da problemática nacional. 

Quando o candidato tem a máquina em seu favor, os apoios, em momentos de dificuldades – como os que tem atravessado o Brasil -,  vêm aos borbotões, a estrutura em sua volta é forte e quase intransponível. Os cargos de livre escolha, os famosos CCs são acionados com o aviso de que se o resultado for negativo na certa vão ser exonerados e substituídos pelo vitorioso. É ganhar ou perder. 

O bom marketing cria verdadeiras histórias de trancoso, para colocar o candidato na frente e vencer a corrida eleitoral.

Tem que ser também criativo, e até certo ponto, impiedoso, no desmonte do adversário. O ataque nunca pode ser frontal para não irritar o eleitor. Uma meia-verdade aqui, uma mentirinha acolá, com muita cautela pra não ser punido pela Justiça Eleitoral, vai danificando aos poucos a imagem do adversário, desqualificando-o para o cargo. Como faz um jogador de box, insistindo em bater na ferida até nocautear o seu oponente. 

Quando a gente quer divertir a criançada, faz uma roda, e começa a contar histórias divertidas e inverossímeis, lendas sobre fadas, como Branca de Neves e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, estórias fantásticas de seres extraterrestres invadindo o planeta, ou por assim dizer, estórias de trancoso, para aguçar por um tempo a curiosidade daqueles seres ainda puros e de boa fé, provocando o sono, e logo em seguida os sonhos. Sonhos aterradores de bruxas e dragões que serão lembrados para sempre. 

ACV

RETALHOS DA POLÍTICA – A INFLAÇÃO DO FIM DO MUNDO

 UM NOVO SERGIPE NA NOVA REPÚBLICA

Até os anos 70, do sec. 20, Sergipe era um Estado muito carente de obras de infraestrutura. Podia-se contar nos dedos a existência de boas estradas, de ações voltadas para o combate às secas e a fixação do homem à terra.

Apesar de Sergipe fazer parte da Bacia do rio São Francisco a escassez de água potável  nos municípios do Sertão e do Agreste era visível, aumentando o sofrimento de seus habitantes durante os longos períodos de estiagem.  Até a nossa capital, Aracaju, vivia o drama da falta do precioso líquido, ou até mesmo a ameaça de um colapso de fornecimento.

Por sorte, a Petrobras, uma força econômica em nosso Estado, precisava tocar os seus empreendimentos industriais, e a água era um insumo indispensável.

Em parceria com o governo Augusto Franco, a Petrobras construiu a adutora do rio São Francisco, destinada a suprir seus projetos (usina de Potássio e fábrica de Amônia e Uréia-Fafen), bem como ao abastecimento d’água de muitas cidades ao longo de seu percurso, desembocando em Aracaju, numa primeira etapa da realização dessa obra.  

Podia-se dizer que a adutora do São Francisco era uma obra redentora. 

O Sertão virava uma terra de ninguém durante as secas que dizimavam os rebanhos e provocava o fenômeno da evasão do homem do campo para as cidades à procura de água e comida. 

As secas acarretavam a interrupção e o esvaziamento das atividades econômicas tradicionais, como o plantio e o criatório de gado, e de caprinos e ovinos,  uma economia incipiente, mas, indispensável aos pequenos negócios e à alimentação da população sertaneja.

Assumi o governo de Sergipe no dia 15 de março de 1987. Slogan escolhido, Governo do Novo Sergipe. A Nova República, que fora construída e idealizada por Tancredo, por um imperativo do destino, se encontrava nas mãos de José Sarney. 

 

O PLANO CRUZADO DE COMBATE À INFLAÇÃO

José Sarney,  Vice-presidente, assumiu o governo da Nova  República, no dia 15 de março de 1985, em substituição ao presidente Tancredo Neves, que morreu antes da posse, emocionando o Brasil, deixando-nos à mercê do imprevisível.

Mas, parecia que a Nação, ainda que despedaçada pela dramaticidade daquele infortúnio, não perdera a esperança de melhores dias. O povo compreendeu a situação e deu a  Sarney no começo um crédito de confiança a seu governo, que se instalava em caráter de transição com vistas à retomada da plenitude democrático.

Sarney lançou, em  fevereiro de 1986,  o “Plano Cruzado”  que tinha como objetivo conter a inflação. Em 1985 chegou a 235% ao ano. 

O referido plano, nos primeiros meses foi um sucesso nunca antes experimentado no Brasil. Sarney tornou-se de um dia para o outro uma figura estimada, um presidente visto e respeitado como um político decidido e corajoso ao vigiar com firmeza o abuso da remarcação dos valores dos produtos nos supermercados, e a punição a fazendeiros que escondiam suas boiadas esperando a evolução dos preços da arroba para auferirem mais lucros em cima da população. As pessoas, espontaneamente, apareciam de caderneta na mão como “fiscais de Sarney“.

O PMDB VENCEU EM TODO O BRASIL, MENOS EM SERGIPE

Nas eleições de 1986, o PMDB, partido do presidente Sarney, conseguiu eleger todos os governadores, menos em Sergipe, cujo candidato  José Carlos Teixeira (PMDB) foi derrotado nas urnas. Fui seu adversário, sendo eleito com mais de 52 mil votos de frente.

Apoiado pela coligação  PFL, PSB, PL, PCB e PCdoB, tive 53% dos votos válidos e José Carlos 43%. A nível de Estado, tínhamos uma aliança muito popular, com João Alves (PFL), governador,  e Jackson Barreto (PSB), prefeito da Capital, ambos no auge do prestígio político. Eu era um candidato a governador jovem (43 anos de idade), sem máculas, com uma participação intensa no legislativo e na administração pública (prefeito de Simão Dias, deputado estadual por duas legislaturas, presidente da Alese, Secretário de Estado da Educação e Cultura e deputado federal), transmitindo nos discursos de campanha o compromisso da continuidade de um governo realizador, e trazendo uma proposta diferenciada de desenvolvimento com justiça social. 

O PLANO ENQUANTO DUROU FOI BOM, APÓS, A INFLAÇÃO DO FIM DO MUNDO E O GOVERNO COLLOR

Somando-se a tudo isso, ainda tínhamos a simpatia do presidente da República José Sarney, cuja popularidade chegara às alturas com a execução do Plano Cruzado que, até então, estava dando certo.

Eu tive participação muito ativa, junto com Sarney,  para a formação de um agrupamento político que foi denominado Frente Liberal, embrião do PFL, visando a eleição de Tancredo Neves para presidente, ainda no processo de eleições indiretas, pelo Colégio Eleitoral, como estratégia para vencer o regime militar dentro do sistema que ele próprio criara.

Após aquela eleição indireta, e que seria a última, o compromisso de todos os que compunham o Movimento da Frente Liberal, seria a  instauração do sistema democrático com eleições diretas para todos os cargos, e a elaboração de uma nova Constituição, pela transformação do futuro Congresso Nacional em Poder Constituinte.   

A Equipe econômica de Sarney deu a ideia do lançamento do Plano Cruzado como solução salvadora para derrubar o processo inflacionário que recrudescia a cada dia, quando medidas drásticas foram anunciadas, a saber:  congelamento de preços e a substituição da moeda corrente do país, do cruzeiro para o cruzado (daí o nome do plano).

Todavia, de nada adiantaram essas medidas para frear a inflação que parecia indomável. O plano virou água. E o presidente Sarney, que se tornara, como disse acima, uma figura popular, no entanto – depois que eclodiu de forma violenta o monstro da inflação, acabando a boa perfomance do Plano Cruzado -,  passou a ser estigmatizado, xingado e ridicularizado pela população.

Fases de insatisfação quase sempre redundam no surgimento de milagreiros, o povo se apegando a qualquer um que saiba manipular os sofrimentos e as frustrações.

Foi daí que veio depois o famoso caçador dos marajás, Fernando Collor, escolhido pelo povo como o Salvador da Pátria, um novo Messias vindo das Alagoas, que nos livraria da inflação e varreria toda a corrupção que imperava no País.

Aquele  jovem candidato, dono de um discurso persuasivo e encantador, entraria no gosto do eleitorado e derrotou Lula no 2º turno, numa campanha sem fôlego, atraindo multidões de eleitores para o seu lado, Ao assumir as rédeas do governo com Zélia no comando da Economia, Collor nos levaria à retenção da caderneta de poupança, e a uma grave crise institucional, abatido que fora por um impeachment – como resposta à frustração que voltou a reinar nas mentes  e nos corações desse Brasil verde e amarelo. O seu governo caiu em meio a um lamaçal de escândalos. 

Voltando ao governo Sarney, a inflação foi subindo até chegar ao seu ponto máximo em março de 1990, a uma  taxa incrível de 84,3% ao mês. 

Não fosse o gatilho salarial que implantei, garantindo uma reposição da remuneração dos servidores toda vez que a inflação atingia 20%, o Estado teria que hibernar em greves permanentes pela diluição dos ganhos daqueles que movimentavam a máquina estatal, os funcionários públicos.

O GATILHO SALARIAL, PARA COMPENSAR AS PERDAS COM A INFLAÇÃO GALOPANTE

Para não perder com a inflação galopante e ter algum saldo para assegurar pelo menos o pagamento da folha sem atrasos, todos os recursos do Estado, obrigatoriamente, tinham que estar no overnight, uma modalidade de aplicação financeira que garantia uma renda fixa todos os dias. Se não tomássemos essa providência, a arrecadação praticamente zerava ao fim do mês. 

Hoje em dia, quando a inflação nem chega à casa dos 5% ao ano, em comparação com aquele período em que governei, tendo que enfrentar uma taxa inflacionária superando o patamar de  80% ao mês, assistimos  hoje governadores ameaçando decretar estado de calamidade financeira. Não passam de uns meninos mimados, chorando e gritando , de pires na mão, atrás de ajuda de Bolsonaro, para resolver a crise que eles próprios criaram.   

Com a implantação de projetos de irrigação nos anos de 1980, como o Califórnia, e os das adutoras, (projeto Chapéu de Couro, 1° governo João Alves), a situação começou a melhorar.

Todos esses projetos tiveram continuidade no período em que governei o Estado (87-91), fazendo a sua implantação definitiva com o assentamento de produtores, fornecendo apoio financeiro e assistência técnica. 

ACV

Continuação no próximo capítulo. 

 

 

O VELHO CHICO AQUI PERTINHO, NÃO DEIXEM MORRER O SONHO DO CANAL DE XINGÓ!

Por que então, aos sertanejos de Sergipe e da Bahia, que moram tão perto do rio, na condição de habitantes de Estados doadores, lhes  seja postergado o início das obras do Canal de Xingó, uma ínfima transposição do São Francisco, sem morros e serras a transpor, e as águas chegando às populações apenas por gravidade?

As secas são o maior flagelo em nosso Estado, fenômeno que se espraia pelo semiárido nordestino, reduzindo a capacidade produtiva da agropecuária a zero, dizimando o nosso rebanho, fragilizando a indústria leiteira,  que gera milhares de empregos, tudo regredindo na estiagem, provocando o desespero e a fome, por falta d’agua no Sertão. 

Alagoas começou com recursos próprios a construção do chamado Canal Alagoano, concluindo o seu percurso principal com recursos federais oriundos de emendas de bancada.

Obras estruturantes servem para expulsar a pobreza e promover o desenvolvimento. Elas fortalecem a economia, criam oportunidades de emprego, numa palavra, geram riqueza. Vivemos em pleno século XXI, a era da informática e da inovação tecnológica, e o Sertão ainda tem o retrato do atraso e da pobreza extrema. Essa região, se for bem cuidada, preparando-a com ações de caráter permanente, torna-se-á um celeiro agroindustrial, com capacidade para suprir as suas necessidades, entrar na concorrência das exportações, ofertando divisas ao nosso Estado, e ajudando a aumentar arrecadação para cobrir despesas correntes e investimentos do Estado e dos Municípios.

Infelizmente, a corrente de esperança que movia a construção do Canal de Xingó desapareceu por completo do nosso debate em torno das grandes saídas para o desenvolvimento sergipano. Perde-se tempo com a estratégia modesta, sem visão de futuro, quando se levam ao governo central, seja pelo governo, ou por nossa representação parlamentar, reivindicações para resolver problemas do dia a dia, ou para salvar do colapso uma gestão, sem pensar nas futuras gerações. De que adianta uma BR duplicada se não temos produção?  O território sergipano servirá  apenas de passagem de mercadorias que vêm de outros Estados.

A verdade é que penetrou no nosso meio político uma descrença total em discutir alternativas estruturantes, em saídas duradouras ou permanentes que ataquem de vez o problema do nosso crônico subdesenvolvimento. Não nos apeguemos ao ceticismo que só nos distancia do futuro, e só cuidando do trivial,  das coisas comuns, sem nos dedicarmos com o fazer hoje para construir o amanhã.         

TROCAR O CARRO PIPA PELA PRODUÇÃO                                                                                                                                                                              

Se queremos ser grandes, temos que perseverar naquilo que pode transformar a natureza em nosso próprio benefício. O rio São Francisco aí está, bem pertinho de nós, um tanto enfraquecido pela mão do homem, mas ainda capaz de transpor as suas águas dadivosas para Estados que estão a milhares de quilômetros de suas margens, através do projeto de transposição totalmente executado com recursos da União.

Continuo a defender, com fé e esperança, a execução das obras do Canal de Xingó como a alternativa mais consistente, para solucionar em caráter permanente, a crise hídrica que se eterniza no Alto Sertão, com reflexos altamente prejudiciais à economia sergipana.

A contratação de caminhões pipas pelos municípios em situação de emergência, além de ser considerado um simples paliativo, tem o condão de colocar o sertanejo totalmente dependente da autoridade doadora, durante o período das secas, fato que representa uma humilhação que se repete a cada período de crise.

Em outros tempos não muito longínquos, a distribuição de água potável e alimentos para o Sertão terminou gerando a chamada “indústria das secas”, pela exploração indecorosa e desumana de autoridades que enriqueciam às custas da miséria dos flagelados, e ainda ganhavam votos para se elegerem ou venderem o prestígio assim obtido para potentados da política. E o pior, é que, essa política de socorro aos flagelados, ainda está na ordem do dia e na estratégia dos que lutam para manter-se no poder.

A crise hídrica tende a piorar com o tempo, pelas mudanças climáticas, e, ainda, em virtude do crescimento demográfico e demandas da cadeia produtiva do leite, a qual, tendo como polo o município de Nossa Senhora da Glória, se estende por todo o território sergipano, influenciando a queda ou a ascensão de nossa já depauperada economia, a depender da execução inadiável de obras estruturantes, a exemplo do Canal de Xingó.

Além de se preocupar com a construção de sistemas de abastecimentos singelos, como cisternas , abertura de poços artesianos, aguadas e pequenas barragens para “segurar” a água por um tempo razoável, o governo do Estado tem que colocar entre suas metas prioritárias, em parceria com o governo federal – contando com a participação do vizinho Estado da Bahia -, o Canal de Xingó.

A nossa bancada federal terá um grande papel no desenvolvimento do projeto Xingó.

Esse canal, obra estruturante de grande repercussão econômica e social, construído, será o marco definitivo para o abastecimento d’água da região, pois, irá atender, quando pronto, às populações mal servidas do precioso líquido, promoverá a  dessedentação animal (evitando que o gado seja dizimado durante as estiagens prolongadas), bem como atenderá à crescente indústria leiteira regional.

Para tanto, teremos que ter as bancadas federais de Sergipe e da Bahia unidas,  com a força dos dois governadores eleitos. Só assim poderemos sensibilizar as autoridades do poder executivo da União, fazendo-as acreditar  na viabilidade do Canal de Xingó para salvar os sertanejos da sede e da destruição econômica. A Codevasf trabalhou o quanto pôde para elaborar todos os projetos que mostram, seguramente, que o Canal de Xingó será a obra redentora para alavancagem do desenvolvimento regional. 

Somos doadores das águas do Velho Chico para outros Estados do Nordeste com as obras da transposição já concluídas. Os eixos leste e norte da transposição do Rio São Francisco, durante o seu trajeto, exigiram obras de engenharia custosas e de alta complexidade, com estações elevatórias e a implantação de um sistema de bombas de alta potência para transportar a água até as áreas previstas no projeto.

O governo da União foi capaz de tornar realidade a transposição das águas do Rio São Francisco para lugares tão distantes, vencendo serras e morros, para resolver a questão dos recursos hídricos de outros irmãos nordestinos.

Por que então, aos sertanejos de Sergipe e da Bahia, que moram tão perto do rio, na condição de habitantes de Estados doadores, lhes  seja postergado o início das obras do Canal de Xingó, uma ínfima transposição do São Francisco, sem morros e serras a transpor, e as águas chegando às populações apenas por gravidade?

Nesta luta não há lugar para pessimismos. Exigimos apenas aquilo que temos direito. Se lutarmos juntos, Sergipe e Bahia, vamos conseguir!

ACV

VUCO VUCO – A POLÍTICA COMENDO POR BAIXO COMO FOGO DE MONTURO

 

QUEDA DO PIB, RECEITAS, IMPOSTOS E PREVIDÊNCIA

➽ O Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, informa que a curva descendente do PIB terá como consequência a queda da arrecadação. Para compensar a redução da receita da ordem de R$ 2 bilhões mensais, o governo já se prepara para aumentar impostos.

➽ O saque do FGTS, total ou parcial,  que o Ministro da Economia Paulo Guedes chegou  a acenar para incentivar o consumo, apenas será liberado depois da reforma da Previdência, como uma forma de o governo pressionar os deputados.

ATIVISMO JUDICIAL E A GRITA DOS POLÍTICOS, INCLUSIVE DE BOLSONARO:  O STF TOMA NOSSO LUGAR!

➽ Os políticos sempre reclamam do ativismo judicial quando o Supremo toma decisões que invadem a competência do Legislativo. Acontece que no passado o STF, ao verificar a omissão reiterada do Congresso Nacional em torno de questões polêmicas, mandava um comunicado fazendo a devida advertência.

➽ Foi o caso, por exemplo das greves: as mesmas regras do trabalhadores do setor privado, pela jurisprudência do STF, passaram a ser adotadas de igual modo para os funcionários públicos porque a Câmara colocava na gaveta todos os projetos que tratavam do assunto,  apesar dos avisos do Poder Judiciário.

➽ Agora quando o STF está definindo como crime de racismo a prática da homofobia vem o presidente reclamar. Bolsonaro acusou a Corte de legislar no lugar do Congresso. Segundo ele, o Judiciário teria que esperar pelo Congresso. Mas como presidente, se o Sr mesmo passou 28 anos na Câmara e não moveu uma palha sequer para regulamentar o assunto?

➽ Revoltado com a Suprema Corte por causa daquela decisão sobre homofobia, depois de flertar com o presidente Toffoli na questão do Pacto dos Três Poderes, não deixando nem  essa questão amadurecer, Bolsonaro de imediato parte para o confronto, e promete nomear um ministro evangélico conservador para peitar  e tentar enquadrar a maioria de católicos que compõe a Casa. Sr presidente, o STF é laico, interpreta a Constituição e as leis do nosso País, e não decide pelas regras ou doutrinas das religiões.

ESTADOS E MUNICÍPIOS FARÃO AS SUAS PRÓPRIAS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA

➽ Requerimento com 191 assinaturas foi apresentado na CCJ da Câmara dos Deputados para que os Estados e Municípios façam as suas próprias reformas da Previdência e não tomem carona na reforma que tramita no Congresso. Governadores, deputados estaduais e vereadores terão que enfrentar movimentos da classe dos servidores públicos durante a tramitação das matérias sobre Previdência nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. É aí onde a porca torce o rabo …

EM SERGIPE D’DEL REI, ORDENS SÃO ORDENS

➽ Se depender da ordem do governador Belivaldo, que veta qualquer acordo do PT com o PSB (que ele tem como “inimigo” do governo), o partido de Lula vai marchar sozinho nas eleições municipais de Aracaju, ou terá que manter a vontade da candidatura própria, arranjando  outras siglas com as quais possa se coligar na majoritária, e com o aprove-se do governador. Ou vai assim, ou perde todos os cargos na administração estadual. É aí onde a porca torce o rabo …

ATRASO NAS OBRAS DO MERCADO EM SIMÃO DIAS

        Na foto com o líder político Cristiano  

 

➽ Como costumo fazer semanalmente, neste sábado passei no Mercado Municipal de Simão Dias para fazer a minha feira e ouvi muitas reclamações de feirantes e de marchantes sobre a situação de abandono a que foram jogados. Disse a eles que a verba para a reforma e ampliação do Mercado, no montante de cerca de R$ 1 milhão e meio, já se encontra em poder da Prefeitura. As obras foram iniciadas e depois paralisadas por desídia da empresa ganhadora da licitação. Mas isso já tem perto de um ano, sem solução por parte do município. Segundo informa o prefeito Marival nova licitação já foi providenciada. 

ADVERSÁRIOS DE BELIVALDO EM CÉU DE BRIGADEIRO

➽ Em Simão Dias, adversários do governo, ligados ao PSB, estão sendo abordados, ou pelo próprio governador Belivaldo, ou por seus intermediários, ofertando-lhes cargos em comissão desde que mudem de lado.

➽ A última oferta foi a de um cargo de diretor do IPES, com uma polpuda remuneração. Ao intermediário, o abordado recusou a oferta com a observação de que preferia ficar sem o bafejo do governo  pra não ganhar a pecha de traidor.

➽ Como se vê, o governo de Sergipe só está em crise no discurso para evitar pressões de aliados com aquela chatice de pedir emprego. Para os “inimigos” do PSB,  na tentativa de esvaziar os socialistas e ganhar novas adesões, o governo esbanja poder, usa a máquina. O céu é o limite na oferta de CCs.

MAIS ARROCHO EM CIMA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

➽ Vem mais arrocho nos Estados cujos gastos com pessoal estão acima do limite prudencial da LRF (como é o caso de SERGIPE).

➽ Os governadores, querendo aliviar o tranco das despesas, foram ao STF pedir o julgamento da ADI 2.238 que permite a redução da jornada de trabalho dos servidores públicos com o correspondente corte nos vencimentos.

➽ O STF pautou para o próximo dia 6 de junho o julgamento da mencionada ADI. Os servidores públicos que amargam a perda do valor de seus salários, sem aumento há vários anos, e ainda recebendo com atraso, que se previnam para o baque. 

➽A partir dessa decisão do STF, se acontecer como querem os  governadores – como uma das saídas para a crise financeira que atravessam seus Estados -, funcionários públicos estarão sendo escolhidos mais uma vez como alvos para pagar a conta da incompetência governamental.

                             ACV

RETALHOS DA POLÍTICA – EM 2018, PERDI NO VOTO E ACERTEI NOS PRINCÍPIOS

AS ELEIÇÕES PASSAM, OS PRINCÍPIOS NUNCA MORREM

ELEIÇÕES 2O18

 

Em discurso pronunciado no Senado no dia 21 de novembro de 2017, faltando quase 1 ano para as eleições, enfatizei a decepção dos eleitores contra os políticos, que poderiam ocasionar mudanças substanciais nas estruturas de poder no Brasil. Leia o que disse na tribuna do Senado fazendo uma análise antecipada das eleições. Os princípios que sempre defendi contra a corrupção, a compra de votos, o populismo, a demagogia, a morosidade da Justiça, o descaso na segurança, na educação e na saúde, comprovam que estão mais vivos do que nunca na consciência popular. Erros e acertos na democracia existem para torná-la mais forte, e para nunca perder a sua chama libertária. 

Winston Churchill na Câmara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores, 

No próximo ano o Brasil estará realizando mais uma eleição. Em 2018, estaremos elegendo um novo Presidente da República, novos governadores, Deputados Federais, estaduais e Senadores. Eu poderia perguntar, como muitos que estão me ouvindo, quem vencerá as eleições de 2018. Será a mentira? O populismo? A demagogia? O poder econômico? A experiência? A modernidade? O novo? O centro? A direita ou a esquerda?
 
O povo sofrido do Brasil, em meio a tantas dúvidas e decepções, será mais uma vez o juiz para decidir, com o seu voto, os destinos da Nação. 
 
Há uma crise no Brasil de descrédito quase que generalizado quanto à atuação de nossos agentes públicos, de nossos políticos, da nossa classe política.
 
Parece que a população já tomou consciência de que campanhas políticas, de onde nascem as promessas, e a realidade depois da posse são coisas muito diferentes.
 
Esse descrédito é tão elevado, tão acentuado, Sr. Presidente, que as pesquisas às quais eu tive acesso, algumas delas publicadas, mostram de forma muito clara que o eleitor brasileiro está descrente: mais de 60%, chegando a até 70% dos que são pesquisados, dizem que não querem votar e simplesmente não respondem à pergunta sobre o candidato ali posto na pesquisa.
 

SERÁ MELHOR, MANTER O COMPROMISSO OU PERDER A CERIMÔNIA, PEDINDO QUE  ESQUEÇAM O QUE DISSE?

 
Condutas e ações, infelizmente, na prática se invertem. É como se fosse natural fazer um discurso floreado na campanha e, após o pleito, um outro discurso, amargo, carregado de espinhos.
 
As intenções se ocultam na campanha, e os postulantes a cargos eletivos usam uma linguagem enigmática, o mais das vezes recheada com pitadas de emoção e de engodo, pouco assimilável pelo eleitor, já se preparando o candidato, manhosamente, para desdizer o que disse durante o pleito eleitoral.
 
Que tristeza! Mesmo antes da posse o candidato vitorioso dá os primeiros sinais de que não vai mais cumprir e rompe, sem a menor cerimônia, os compromissos assumidos. Ele tem a esperança de que, lá na frente, vai contornar tudo com cargos e vantagens para atrair lideranças da oposição no Legislativo, cuja maioria acha que não sobrevive sem marchar com o governo, e obras nos bairros para alegrar os seus habitantes, como também nas cidades que eles representam. 
 
Já os eleitores, coitados, que votaram acreditando nas promessas, sentem-se como se tivessem sido vítimas de uma fraude eleitoral ou de uma tramoia política para conquistar os seus votos.
 
Tenho batido nessa tecla, Sr. Presidente, porque considero que esse modelo enganador – que se apoia na mentira, na compra dissimulada ou mesmo escancarada de votos, e no ataque sem tréguas ao adversário que pode lhe tirar a eleição – representa a negação da política, uma contrafação da democracia, um golpe covarde e oportunista contra um eleitorado que, em sua maioria, vota de boa-fé, acreditando naquela plataforma que afinal se revelou uma rotunda falsidade.
 
Em outros tempos era mais fácil enganar os eleitores. Hoje em dia fica mais difícil, ou praticamente impossível, lograr êxito com a mentira. Mas será que isso é verdade? Seja pela informação política instantânea nas redes sociais, seja pelo acompanhamento permanente das ações da gestão, seja pela transparência que passou a ser lei, facilitando ao grande público a crítica e a cobrança, realmente ficou um tanto mais difícil.
 
Sem falar que a imprensa está mais vigilante, inserindo-se como protagonista de uma era que exige firmeza e coragem, reforçando o jornalismo investigativo, deixando, quase sempre, gestores públicos em situação de permanente alerta e precaução.
 
Desse modo, a democracia se torna mais viva e atuante, fortalecendo o elo entre governantes e governados. É bom acentuar que não vivemos num mundo de santos, notadamente no mundo da disputa política, que se manifesta de várias formas: no pecado, na inconsequência, na coragem, no ideal ou na pureza.
 

A MENTIRA E O DINHEIRO VENCERÃO?

Além da demagogia e do populismo, ressurge, driblando e desafiando a Justiça Eleitoral, a influência do poder econômico nas eleições.
 
Apesar da proibição do uso de dinheiro privado, será o caixa dois, mais uma vez, protagonista da fraude oculta em benefício dos candidatos mais ricos. Aí está uma legislação permissiva, que não estabeleceu limites de gastos para os candidatos milionários.
 
Quem não sabe da influência nefasta dos endinheirados, que já são considerados eleitos por antecipação, em virtude de oferta de dinheiro por fora que corre à solta no interior e até mesmo na capital? Boa parte dos mandatos será comprada infelizmente e veremos algumas poucas investigações que irão a fundo e chegarão a bom termo.

O POVO RECLAMA DA VIOLÊNCIA, DO TOMA-LÁ-DÁ-CÁ, DA MOROSIDADE DA JUSTIÇA,  DA  CORRUPÇÃO E DOS IMPOSTOS, ETC

Mudando de assunto, devo assinalar que o fracasso da gestão administrativa que quase se vulgarizou em todos os rincões do Brasil deve-se, em grande parte, a defeitos que se eternizam na estrutura do aparelho de Estado.
 
Seria preciso uma reforma introduzindo novos eixos que assegurem o cumprimento das funções essenciais do Estado, como a aplicação de políticas públicas de segurança, saúde e educação e a construção de redes de proteção social em caráter permanente, com o objetivo de reduzir as desigualdades entre pessoas e as disparidades entre regiões e Estados federados.
 
As garantias dos meios de sobrevivência da população não se traduzem apenas na preocupação com índices de emprego. A ocupação de vagas no mercado de trabalho deve ser uma luta constante de governos e da sociedade civil, mas não se resume a isso.

Há diversos fatores que contribuem para a desconfiança em relação a governos e instituições. Aponto alguns destes: a violência reinante em nosso País e a superlotação nas prisões, que traduzem a fragilidade das políticas de segurança e do sistema prisional; a falta de compreensão das autoridades no combate às drogas, ao não assumirem, em relação ao usuário, uma atitude consciente de tratá-lo como um doente, facilitando-lhe o acesso ao sistema de saúde; a enxurrada de partidos políticos sobrevivendo às custas do fundo partidário, abastecido com dinheiro do contribuinte, e participando do toma lá dá cá com o governo; o acúmulo de processos e a morosidade da Justiça; a corrupção que se tornou endêmica, aumentando o descrédito da classe política; a concentração da maior parte da arrecadação nas mãos da União, em detrimento dos Estados e Municípios, que atingiram o patamar perigoso de quase absoluta insolvência, exigindo uma reforma tributária para redução da carga e para dividir com equidade os impostos pagos pelo povo brasileiro.

O QUE VAI PESAR NA ELEIÇÃO, O NOVO, A HONESTIDADE E A EXPERIÊNCIA,  OU TODOS ESSES FATORES JUNTOS?

Em 2018, o eleitor será influenciado, por certo, pela propaganda política. Todavia, o eleitor, levado por tantas tentativas frustradas de votos errados ou equivocados, poderá levar em conta dessa vez não apenas a garantia de sucesso administrativo a ser prometido nas campanhas eleitorais em todo o nosso País.

O eleitor, espero, vai pesar a experiência do candidato, a sua honestidade e a sua capacidade de inovação e criatividade. O eleitor está pensativo e desconfiado.
 
Aqueles que conseguirem transmitir uma mensagem de concretude que possa convencer almas e corações, para resolver as coisas aparentemente complexas como a segurança pública, saúde, educação e emprego, e souberem se colocar no lugar do povo, que sofre as consequências da corrupção, da irresponsabilidade e da má gestão, serão os escolhidos para o novo tempo que está por vir.
 
O povo sempre está atrás do novo, de um novo projeto, de um novo programa, mas não repudia os mais velhos que surjam com novas ideias para tirá-lo do sufoco e da decepção em que vive.
 
A longevidade bem-sucedida, que avança e acompanha a modernidade, é uma fonte segura de renovação de métodos e ações.
 
A renovação é um estado de espírito que é sempre bem-vindo ao aperfeiçoamento da democracia. E ela, a renovação, encontra-se numa sociedade sem preconceitos, na cabeça de pessoas de todas as idades e dos que lutam para melhorar a vida do povo.
 
ACV
 
 
 

PACTO DOS TRÊS PODERES, O BRASIL SAIRÁ DO SUFOCO?

Nem tudo está perdido como à primeira vista parecia indicar pelo comportamento imprevisível do presidente. 

Bolsonaro instado pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, resolveu reunir-se no Palácio da Alvorada com os chefes dos demais poderes, do Legislativo e do Judiciário.

Foi um gesto político que representa diálogo e preocupação com os destinos do nosso País, num momento em que, pela gravidade da situação econômico-financeira reinante, todos devem se unir na busca de saídas que nos tirem do sufoco.

O presidente do Supremo já tinha proposto há poucos meses esse entendimento com a participação de todos os poderes.

Muito embora à primeira vista a ideia possa ser encarada como boa, dadas as condições caóticas em que se encontra  o nosso País, temos que esperar mais um pouco, antes de uma apreciação definitiva. 

É de se constatar que se a crise existe, o maior responsável para resolvê-la é o Poder Executivo, apontando saídas ao Legislativo, o qual, dentro de sua competência constitucional de fazer leis, poderá, com boa vontade e espírito público, dar a sua quota de ajuda para destravar a economia, equilibrar as finanças e criar condições para a retomada do emprego.

Creio que esse pacto, com metas a serem cumpridas gradualmente, tem que andar sem os percalços que podem ser criados de um momento para o outro por uma tuitada impensada do presidente.

Se tem metas pela frente o Executivo tem que se resguardar um pouco para não aumentar as dificuldades. Nem o Legislativo, e muito menos o Judiciário, podem ser emparedados pelo presidente, como ele costuma fazer, quando se impacienta com a demora de soluções para atenuar a crise brasileira que vem de longe.

E ainda mais grave é o nosso cenário porque, pelo menos por enquanto, só a reforma da Previdência parece ser a única solução para a crise, um projeto da iniciativa do governo anterior que estava dormitando na Câmara e que o presidente Bolsonaro o incorporou às metas de seu governo como se fosse uma autêntica bala de prata.

Não se pode exigir o destrancamento de um País extremamente centralizador e patrimonialista como o nosso, que vem assim, marchando assim, desde a concepção desenvolvimentista criada por Getúlio, estruturado com base quase que exclusivamente em iniciativas promovidas pelo Estado. O modelo exauriu-se e há que se encontrar novos caminhos sem no entanto ter a pretensão de empurrar tudo pela força, mas com persuasão, diálogo e bons projetos. 

É possível que o presidente Bolsonaro tenha aceito essa união entre os poderes, uma ideia bem intencionada do presidente da Suprema Corte, por causa das dificuldades de relacionamento que ele próprio criou com o Legislativo, notadamente com a Câmara dos Deputados.

Caiu como um verdadeiro achado para o presidente da República  a proposta do Pacto entre os Poderes, porque o seu problema maior, que no momento  é a reforma da Previdência, sai do âmbito de sua responsabilidade para se agasalhar no colo do Legislativo. 

Quanto ao Judiciário, como diz a nossa Carta Magna, os poderes são harmônicos e independentes, nada podendo fazer na atual conjuntura além do que está ali escrito. Não tendo como penetrar na governabilidade só faz esperar pelas demandas que surgirem dos demais poderes, e da sociedade, criando jurisprudências  que conciliem os interesses das partes envolvidas. 

Todas as balizas do pacto entre os poderes já estão colocadas no âmbito de nossa Lei Maior. 

No entanto, vale a ideia do Pacto,  que partiu de um membro do STF, o seu presidente, como uma sinalização para o distencionamento das relações entre os poderes, que nos últimos tempos tem sido motivo de preocupação no meio político.

Essa preocupação nasce dos recados por vias diretas e indiretas que se espalham, por exemplo, nas redes sociais, estimulados na maioria das vezes pelo próprio presidente, explicitando  condutas e posicionamentos incompatíveis com a normalidade democrática.

ACV