política

PACTO DOS TRÊS PODERES, O BRASIL SAIRÁ DO SUFOCO?

Nem tudo está perdido como à primeira vista parecia indicar pelo comportamento imprevisível do presidente. 

Bolsonaro instado pelo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, resolveu reunir-se no Palácio da Alvorada com os chefes dos demais poderes, do Legislativo e do Judiciário.

Foi um gesto político que representa diálogo e preocupação com os destinos do nosso País, num momento em que, pela gravidade da situação econômico-financeira reinante, todos devem se unir na busca de saídas que nos tirem do sufoco.

O presidente do Supremo já tinha proposto há poucos meses esse entendimento com a participação de todos os poderes.

Muito embora à primeira vista a ideia possa ser encarada como boa, dadas as condições caóticas em que se encontra  o nosso País, temos que esperar mais um pouco, antes de uma apreciação definitiva. 

É de se constatar que se a crise existe, o maior responsável para resolvê-la é o Poder Executivo, apontando saídas ao Legislativo, o qual, dentro de sua competência constitucional de fazer leis, poderá, com boa vontade e espírito público, dar a sua quota de ajuda para destravar a economia, equilibrar as finanças e criar condições para a retomada do emprego.

Creio que esse pacto, com metas a serem cumpridas gradualmente, tem que andar sem os percalços que podem ser criados de um momento para o outro por uma tuitada impensada do presidente.

Se tem metas pela frente o Executivo tem que se resguardar um pouco para não aumentar as dificuldades. Nem o Legislativo, e muito menos o Judiciário, podem ser emparedados pelo presidente, como ele costuma fazer, quando se impacienta com a demora de soluções para atenuar a crise brasileira que vem de longe.

E ainda mais grave é o nosso cenário porque, pelo menos por enquanto, só a reforma da Previdência parece ser a única solução para a crise, um projeto da iniciativa do governo anterior que estava dormitando na Câmara e que o presidente Bolsonaro o incorporou às metas de seu governo como se fosse uma autêntica bala de prata.

Não se pode exigir o destrancamento de um País extremamente centralizador e patrimonialista como o nosso, que vem assim, marchando assim, desde a concepção desenvolvimentista criada por Getúlio, estruturado com base quase que exclusivamente em iniciativas promovidas pelo Estado. O modelo exauriu-se e há que se encontrar novos caminhos sem no entanto ter a pretensão de empurrar tudo pela força, mas com persuasão, diálogo e bons projetos. 

É possível que o presidente Bolsonaro tenha aceito essa união entre os poderes, uma ideia bem intencionada do presidente da Suprema Corte, por causa das dificuldades de relacionamento que ele próprio criou com o Legislativo, notadamente com a Câmara dos Deputados.

Caiu como um verdadeiro achado para o presidente da República  a proposta do Pacto entre os Poderes, porque o seu problema maior, que no momento  é a reforma da Previdência, sai do âmbito de sua responsabilidade para se agasalhar no colo do Legislativo. 

Quanto ao Judiciário, como diz a nossa Carta Magna, os poderes são harmônicos e independentes, nada podendo fazer na atual conjuntura além do que está ali escrito. Não tendo como penetrar na governabilidade só faz esperar pelas demandas que surgirem dos demais poderes, e da sociedade, criando jurisprudências  que conciliem os interesses das partes envolvidas. 

Todas as balizas do pacto entre os poderes já estão colocadas no âmbito de nossa Lei Maior. 

No entanto, vale a ideia do Pacto,  que partiu de um membro do STF, o seu presidente, como uma sinalização para o distencionamento das relações entre os poderes, que nos últimos tempos tem sido motivo de preocupação no meio político.

Essa preocupação nasce dos recados por vias diretas e indiretas que se espalham, por exemplo, nas redes sociais, estimulados na maioria das vezes pelo próprio presidente, explicitando  condutas e posicionamentos incompatíveis com a normalidade democrática.

ACV

 

 

 

 

BOLSONARO, AS VELHAS PRÁTICAS POLÍTICAS E O AVAL A TEMER

ATÉ AGORA SÓ DESCULPAS APONTANDO CULPADOS

O presidente Bolsonaro teima em demonstrar a sua face ranzinza de preferir o confronto ao diálogo, no trato com o Congresso.

Em cinco meses de governo nenhuma novidade, a não ser o tempestuoso decreto das armas, assim mesmo refeito pela ocorrência de inconstitucionalidades flagrantes, o que prova uma falta de cuidado ao legislar sobre temas polêmicos. 

Ao invés de radicalizar como vem fazendo a cada dia, deveria descer do palanque e usar o diálogo como arma, e a articulação política para se impor perante o Congresso.

Não conseguindo transpor a barreira do desemprego que voltou a subir no seu governo, sem um plano definido para tirar o Brasil da recessão, escolhe como tática de fuga, o confronto das ruas e das redes sociais na tentativa de colocar toda a culpa de sua inapetência para governar no colo do Congresso Nacional.

Procurando aparecer como um Messias, ou como um Salvador da Pátria, com o poder subindo-lhe à cabeça e achando que pode resolver tudo sozinho, a olhos vistos, despreza o Congresso e insinua que os seus projetos são barrados, ou sofrem obstáculos em sua tramitação, porque se recusa atender às velhas práticas políticas.

SERIA UMA AMEAÇA ÀS REGRAS CONSTITUCIONAIS? 

Mas afinal, o que quer dizer o presidente com a expressão velhas práticas políticas e quais as consequências se a sua latente indisposição com o Congresso continuar?

Bolsonaro passou 28 anos na Câmara dos Deputados. Mesmo com uma atuação apagada, fazendo parte do chamado baixo clero, não é possível que não tenha aprendido a prática salutar e construtiva da  convivência política.

Está na cara que o presidente cria  um discurso de ódio contra os políticos, ao espalhar aos quatro ventos que, por causa das velhas práticas do meio a que pertenceu, não consegue governar como prometera na campanha.

Noto que sua desconsideração ao Poder Legislativo dá claros sinais de que gostaria de governar fora das regras constitucionais, como um dia sonhou Jânio Quadros, que acabou renunciando, pensando em voltar nos braços do povo. Logo depois sobreveio o golpe de 64, com a derrubada de João Goulart – ainda como efeito colateral do desprezo de Jânio pelo Congresso. 

É essa a tradução e a intenção do comportamento conflituoso do presidente: ao olhar-se no espelho vê que não é capaz de cumprir as suas promessas de campanha e aponta a carabina de seu twitter para terceiros,  na suposição de que vai se livrar da responsabilidade que lhe pesa sobre os ombros.

REPÚDIO AO TROCA-TROCA E O AVAL A TEMER

Entendo que não se deve retornar ao troca-troca. Nisso dou inteira razão ao presidente.

Seria uma desfaçatez proceder como Temer, o qual, para aprovar os seus projetos e arquivar as denúncias contra ele na Câmara dos Deputados, serviu-se do poder da caneta presidencial para fazer nomeações na Esplanada dos Ministérios e nos Estados, apenas atendendo a critérios de ordem política.

É aí onde está o grande equívoco do discurso populista do presidente Bolsonaro.

É sabido que nos Estados Bolsonaro deixou nos cargos federais todos os indicados pelo esquema de seu antecessor, o presidente Temer. 

Ou seja, o discurso do presidente perde todo o sentido, sua coerência e cai no ridículo, quando insiste em manter nos Estados a turma do Temer nos cargos  federais e, por incrível que pareça, mandando recados às lideranças partidárias que não muda porque combate as velhas práticas…

É uma demonstração mais do que evidente do divórcio de Bolsonaro com a realidade política nos Estados, ao avalizar, querendo ou não, com a omissão de sua caneta, o troca-troca do Congresso no governo Temer, fato que gerou grande parte da insatisfação popular que o conduziu ao governo. 

ACV

RETALHOS DA POLÍTICA -NOS TEMPOS DA SUCESSÃO

NA ESCOLHA DO VICE, UM ABAIXO ASSINADO

A escolha do nome do Vice-governador de João Alves teve lances inusitados que merecem ser contados. Não se trata de aproveitar essas mal traçadas linhas para reclamar ou fazer queixas porque simplesmente, em dado momento, meu nome já não fora aproveitado para governador, e, para Vice, passei a ser uma hipótese longínqua. 

Ou seja, rifado para ser candidato a governador, cheguei a perder todas as chances de ganhar uma Vice. Por fatos aleatórios à minha vontade, acabei sendo colocado de novo   no tabuleiro da sucessão quando já me consideravam totalmente fora do processo. 

É o que vou contar a seguir. 

Depois do anúncio de João Alves como candidato à sucessão de Augusto Franco, e de Albano Franco para o Senado da República, teve prosseguimento o trabalho de bastidores no qual participava ativamente, dentro de um seleto grupo de políticos, o general Djenal Queiroz, Vice-governador de Augusto Franco. 

Dentro de pouco tempo, com o afastamento de  doutor Augusto do Governo para disputar uma vaga de deputado federal, ele seria guindado ao comando do Estado. Djenal Queiroz, militar da reserva do exército brasileiro,  era um prócer do antigo PSD, que fora presidente da Assembléia Legislativa, e um deputado de muito respeito. 

Juntos fomos deputados estaduais, e nos entendíamos maravilhosamente. Inclusive, recordo que, como o Regimento da Assembléia estava bastante defasado, fui escalado pelo presidente Djenal para elaborar um projeto de resolução e atualizá-lo.

Frequentemente, discutíamos as mudanças que tinham que  ser feitas nas regras daquele diploma legal que ditava o funcionamento da Casa.  Djenal, por ser o mais idoso e o mais experiente, era ouvido e acatado por todos. Exercera a função de líder do governo José Rollemberg Leite, sucedendo-me quando fui eleito no seu lugar para a presidência do Poder Legislativo.

O general tinha o Regimento Interno da Casa gravado em sua memória. Discutia no plenário com a oposição e levava quase sempre vantagem na derrubada de requerimentos incômodos contra o governo, convencendo à Mesa sobre as ilegalidades cometidas por seus autores.

Mas, tanto nas discussões de cúpula para a indicação do sucessor de Augusto Franco, como por ocasião da escolha do Vice de João Alves, Djenal opinava em particular em meu desfavor, sem nunca, porém, expor-se publicamente. No entanto, passado aquele tempo  de distanciamento, voltamos à velha amizade, sem quaisquer resquícios de mágoa. 

Logo  depois da decisão de cúpula que favoreceu a João Alves, tomei conhecimento de que uma lista de apoio estava percorrendo todo o Estado, para que lideranças do interior confirmassem aquela escolha, assinando o documento.  Levava a referida lista para a coleta das assinaturas  um amigo pessoal do doutor Augusto, Elber Ribeiro, que fora presidente da Assembléia Legislativa. 

 NA LISTA, GOVERNADOR SEM VICE

A mencionada lista trazia o nome completo do candidato a governador, contudo, curiosamente, omitia o nome daquele que seria o Vice de João Alves. Foi então que a famosa lista,  uma espécie de abaixo assinado, que já dispunha de algumas assinaturas de apoiamento, empacou na cidade de Itabaiana nas mãos do deputado estadual Francisco Teles de Mendonça,  conhecido pela alcunha de Chico de Miguel, a maior força eleitoral de todo o interior de Sergipe.  Eu havia sido o seu candidato a deputado federal nas eleições de 1978.

Abro um parêntese, antes de continuar este meu relato. Nesse intermédio, registro que concedi uma entrevista muito forte ao jornalista Diógenes Brayner que teve muita repercussão em todo o Estado, na qual fiz questão de demonstrar claramente o meu inconformismo da forma como estava sendo encaminhado o processo sucessório. Até então não havia  participado de nenhuma reunião para discutir o tema da sucessão,  cujo desfecho, eu tinha plena consciência  de que iria repercutir na minha carreira política, e na de tantos amigos que nos acompanhavam. Na hora da entrevista eu ainda nem sabia sobre o que estava acontecendo em Itabaiana. 

A REAÇÃO DE CHICO DE MIGUEL, LÍDER POLÍTICO DE ITABAIANA

Informaram a Chico de Miguel que o nome do Vice, até então oculto, seria o do deputado estadual Hélio Dantas, aliado de primeira hora do movimento em prol da candidatura de João Alves, filho do combativo e temido jornalista  Orlando Dantas, o qual, divulgara em seu jornal ataques tremendos contra Chico de Miguel.

O deputado itabaianense, ciente de sua força,  estava irredutível, e achava que era o momento de dar o troco. Então, Elber Ribeiro,  perguntou-lhe o porquê de não assinar a lista do governo, e Chico de Miguel não bateu fofo. Disse-lhe que o Palácio estava-lhe preparando uma armação para a indicação do Vice-governador, que recairia na pessoa de Hélio Dantas, filho de Orlando Dantas, o qual  se tornara seu inimigo público número um, na cidade de Aracaju.  E, em cima da bucha, falou-lhe:  “Eu tinha certeza que o nome do Vice seria o de Valadares, por que não botar aqui nesta lista o nome dele?”.  Elber Ribeiro pediu-lhe então pra ligar para o governador, já que ele não dispunha dessa autorização. 

Ao passar-lhe o telefone, o governador Augusto Franco,  ouviu de Chico que só colocava sua assinatura no abaixo assinado,  apoiando João Alves, se o Vice fosse o deputado federal Antonio Carlos Valadares. 

Chateado com os rumos da sucessão, ameaçou apoiar uma chapa alternativa com Valadares na cabeça da chapa majoritária. Mesmo arriscando tudo, estava decidido a se rebelar e enfrentar o governo. Para tanto, disse que contaria com o apoio de diversas lideranças, a exemplo de Ribeirinho de Lagarto, os irmãos Rollemberg (deputado federal Francisco e ex-prefeito Heráclito Rollemberg), e de outros líderes municipais que obedeciam à sua voz de comando.

Podia ser um blefe ou uma bravata  mas o fato é que os homens da cúpula do governo preferiram não testar.

Após Chico extravasar suas queixas contra o governo, que, em algumas vezes,  não atendera pleitos que fizera em benefício de municípios sob sua influência,  houve uma pausa para consultas. Elber ficou à espera de uma solução, sentado, na casa de Chico de Miguel. 

Veio a resposta de que na lista de apoio Elber Ribeiro podia colocar o nome de Antonio Carlos Valadares como Vice de João Alves.

Contudo, quando se esperava que as coisas estavam resolvidas, Chico, antes de assinar, exigiu que todos aqueles pedidos feitos por ele, e negados por doutor Augusto,  fossem imediatamente autorizados. Os pedidos diziam respeito a espaços de poder nos municípios que o Estado deixara, com o consentimento do governador, nas mãos de adversários políticos de Chico de Miguel.  Foi-lhe então dito que tudo seria resolvido. Como nunca ouvi de Chico qualquer reclamação a respeito, tenho como certo de que todas as suas pendências perante o governo foram rigorosamente atendidas …

Chico de Miguel tinha um prestígio eleitoral inegável. Por isso, era temido por aqueles que detinham o poder em Sergipe. 

O VICE APARECE NA ATA, SEM TER COMPARECIDO

Comecei a entender que a minha teimosia em manter a candidatura de José Valadares para Deputado Estadual, cuja retirada me havia sido sugerida pelo governador, estava criando obstáculos a composições políticas. Doutor Augusto, com certeza,  teria feito alguns compromissos contando com os votos de Simão Dias e dos municípios que acompanhariam Zé Valadares. Por isso que, insistiu o quanto pôde, e eu resolvi não atendê-lo. Aquilo deve ter resultado numa ponta de mágoa. 

Mas eu não podia recuar, uma vez que José Valadares fora muito correto comigo no início da minha carreira, quando, ao me afastar da Prefeitura de Simão Dias para ser candidato a Deputado Estadual, ele que era Deputado, renunciou o seu retorno natural à Assembléia Legislativa para me apoiar.

Mesmo sob o risco de ser prejudicado eu não faria isso com quem tanto me ajudara. O meu dever de gratidão falava mais alto. Mesmo sob o risco de contrariar o governador insisti na sua candidatura.

Quando soube das tratativas que resultaram na inclusão de meu nome compondo a chapa de João Alves da forma inusitada e antiquada como tudo acontecera, sem nenhum convite formal,  seja da parte de doutor Augusto Franco, ou do candidato a governador João Alves Filho, no dia da convenção não compareci à homologação da chapa majoritária. “Desapareci” de Aracaju. Ninguém conseguia falar comigo. Os telefones tocavam insistentemente em minha casa. A ordem era para informar que eu tinha viajado. Dormir até o dia seguinte. Quando acordei, soube que o meu nome constava na chapa majoritária do partido, na condição de Vice-governador. 

PARA ALMA CHAMUSCADA –  CALMA, PACIÊNCIA  E HUMILDADE 

Confesso que sai daquela fase de minha carreira política com a alma chamuscada pela voracidade dos acontecimentos que me pegaram de surpresa, e sobre os quais não tive força para controlá-los. Felizmente tive calma, humildade e paciência para entender tudo aquilo, e navegar sem mágoas. Não fosse assim, por certo, teria um destino diferente daquele que consegui alcançar nas minhas lutas políticas. 

Pela experiência que vivi naqueles lances que fazem parte de nossa história política,  terminei aprendendo a singrar por mares tempestuosos que eu julgava não  pudesse navegar. 

Vencendo a intolerância e os ataques injustos que foram desferidos contra mim toda vez que o meu nome surgia na disputa democrática das eleições,  guardo do povo eterna  gratidão, e também de quantos, me ajudaram –  ao filho de um  plantador de algodão, nascido num povoado de Simão Dias -, a chegar a cargos tão importantes do estrelato da política sem jamais chamuscar a minha honra e a sagrada bandeira do meu Sergipe.

Navegar é preciso, mas,  “faça como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar”. Argumento, de Paulinho da Viola. 

ACV

Síntese do resultado das eleições de 1982:

  • 1º colocado para governador: João Alves Filho (PDS) – 256.385 votos (76,12%)
  • 2º colocado para governador : Gilvan Rocha  (PMDB) – 77.420 votos (23,15%)
  • 1º colocado para senador : Albano Franco (PDS) – 247.255 votos  (76,18%)
  • 2º colocado para senador : Evaldo Campos (PMDB) – 74.874 votos(23,07%)

           Deputados federais eleitos pelo PDS   (governo): 

  • Augusto Franco – 102.006 votos
  • Francisco Rollemberg – 46.128 votos
  • Hélio Dantas – 28.142 votos
  • Gilton Garcia – 27.5550 votos
  • Celso de Carvalho – 22.841 votos
  • Adroaldo Campos – 11.745 votos

          Deputados Federais eleitos pelo PMDB (oposição):

  • José Carlos Teixeira – 30.968 votos
  • Jackson Barreto – 19.992 votos

IMPACIÊNCIA NO PLANALTO, TENSÃO NA ECONOMIA

 

“Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”.  Santo Agostinho

 
Não é preciso ser doutor em economia para entender as oscilações do mercado com o vai e vem da política. É sabido que as relações do presidente com o Congresso não são as melhores e isso tem criado tensões entre investidores que preferem, por enquanto, uma certa distância do Brasil. 

 

O receio de uma explosão negativa de nossa economia cria desestímulo a quem começou a acreditar no Brasil e está agora quase desistindo. A nossa indústria parada, o desemprego é alarmante. A atmosfera é asfixiante. Os investidores ficam nervosos, ou permanecem de braços cruzados, especulando no mercado financeiro, ou resolvem procurar outros países com mais segurança política e estabilidade econômica. 

Falas acima do tom geram a incerteza  e o temor de que o Brasil não vai bem. 

Com o dólar na casa dos R$ 4,10 e as sombrias perspectivas de um crescimento pífio do nosso PIB, da ordem de 1,24%, desencorajam a qualquer um, mesmo aos neófitos em economia.

Todavia, se em Brasília houvesse menos turbulência política, com certeza que o cenário seria muito mais favorável para quem observa o potencial de riqueza do nosso País e o tamanho de nossa população de mais de 200 milhões de habitantes, que gera um mercado consumidor invejável, como poucos, em todo o mundo. 

No início da semana a temperatura em Brasília estava fervendo por conta das declarações estapafúrdias do presidente menosprezando a atividade política, colocando-a quase como uma atividade pecaminosa, que, por defeitos fisiológicos apontados por ele, estariam interferindo na governabilidade. O próprio presidente começou a pregar movimentos de protestos contra o Congresso na tentativa de destravar a pauta e fazer andar os seus projetos. 

QUANDO SE ARTICULA ACONTECE

Bastou um pouco de articulação política e os projetos começaram a tramitar normalmente. A reforma da Previdência, que é tida pelo governo como tábua de salvação para resolver seus tormentosos problemas de caixa,  já tem data marcada para ser votada nas comissões e no plenário da Câmara. 

A classe empresarial brasileira, mesmo com as dificuldades típicas de um período desfavorável, que a obrigam a conter a expansão de seus negócios, limitando a oferta de empregos, espera que a confusão política no Distrito Federal, causada acima de tudo pela inabilidade do presidente que, apesar de sua longevidade parlamentar de 28 anos como deputado federal, parece que pouco ou quase nada aprendeu para se articular melhor com a classe política que ele abomina em suas tuitadas e tiradas populistas.

Em outros tempos de convulsão institucional e de nuvens pesadas que viveu o Brasil, com Jânio Quadros, Fernando Collor e Dilma Roussef, a sociedade pagou, e ainda faz a conta de suas perdas e danos, pela instabilidade que sobreveio em virtude das relações conflituosas com o Congresso. 

Não queremos o retorno a períodos de conflagração política que colocou em perigo a nossa democracia  e reduziu a nossa capacidade empreendedora de gerar empregos e superávites em nossa balança de comercial. 

A PACIÊNCIA É BOA CONSELHEIRA

O presidente e a sua equipe precisam botar a cabeça para pensar, calçar as sandálias da humildade e compensar ou  recuperar com paciência, trabalho e perseverança o tempo perdido.

Já se passaram quatro meses desde a posse de Bolsonaro sem nada de novo acontecer em seu governo.  Pede-se, em primeiro lugar, paciência ao presidente para saber agir melhor e destravar a nossa depauperada economia.

Como nos ensina Santo Agostinho, “não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”. 

 
 
 
 
 

 

VUCO VUCO – NOTÍCIAS DA REPÚBLICA BOLSOVARIANA E DE SERGIPE D’DEL REI

FUMAÇA DE MAU AGOURO

Quando os políticos se desinteressam do andamento das coisas do governo surge no ar uma fumaça de mau agouro. Não é bom sinal, e será bem  melhor para o País que o presidente comece a dialogar com o Congresso criando um clima de entendimento respeitoso. O governo do presidente Bolsonaro, se depender de articulação política no Congresso está no fim do poço.

DIVÓRCIO

Depois daquela postagem apócrifa atacando o corporativismo, impulsionada pelo próprio presidente, e atingindo por vias indiretas a todo o Congresso, deputados não estão nem aí para o governo. Frieza provoca divórcio.

CENTRÃO NO COMANDO

A pauta do governo está atrasada e nada se aprova na Câmara sem passar pelo crivo do Centrão, um bloco de 230 deputados que pode, querendo, infernizar a vida de Bolsonaro.

DITANDO A PAUTA

O grande comandante do Centrão é o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, que vem ditando a pauta de votação das matérias, sem dar a mínima para Bolsonaro. Mas, mantém ainda uma boa relação de amizade com o ministro da economia Paulo Guedes. 

NAS BARBAS DE BOLSONARO

Até a Reforma da Previdência, cujo projeto em tramitação é uma herança de Temer e que Bolsonaro apoia, está sendo retalhada ao meio. É a reforma da reforma que está sendo operada neste momento sob as barbas de Bolsonaro, que, pela desarticulação política de sua base, não apita em nada.

ASSIM NÃO HÁ CRISTÃO QUE DÊ JEITO

CCJ da Câmara dos Deputados tem na agenda para esta quarta-feira a votação da proposta de Reforma Tributária. Mais confusão à vista, por conta da inabilidade de Bolsonaro no trato com a classe política. Vai mandar pro Congresso outro projeto tratando do mesmo tema: a reforma tributária. Mais um confronto político desnecessário, mais um tiro no pé?

CRESCE DESEMPREGO EM SERGIPE

O desemprego no Brasil é uma verdadeira tragédia que se abateu sobre as famílias. Mas, proporcionalmente falando, a taxa de desemprego em Sergipe é maior do que a média nacional. Segundo o IBGE, no 1º trimestre de 2019, o desemprego cresceu 15,5% em Sergipe, superando a do país inteiro que é de 12,7%. O nosso Estado, entre os 27, está em 8º lugar em matéria de desemprego. Uma lástima. É uma pena que nem no Brasil nem em Sergipe tenha chegado alguém pra resolver.

NORDESTE RECEBERÁ VISITA

O presidente Jair Bolsonaro visitará o Nordeste na próxima sexta-feira . O presidente tem uma pauta cheia em encontro que vai acontecer em Recife com a presença de todos os governadores da Região. Nos últimos 3 meses o governo federal colocou na Região poucos recursos, quase 4% a menos do que no mesmo período do ano passado. Ele irá desembarcar em Pernambuco para sua primeira visita como presidente. 

Bolsonaro entregará um conjunto habitacional do Minha Casa, Minha Vida em Petrolina. Já em Recife, ele anunciará R$ 2,1 bilhões a mais de investimentos em infraestrutura para o Nordeste.

Bolsonaro promete descer do palanque e ajudar à Região cujos governadores foram eleitos sob a impulsão da onda petista.

A HABILIDADE DE LUCIANO BISPO

O deputado Luciano Bispo, presidente da Alese, tem sido o grande amortecedor para conter a frustração da base aliada do governo Belivaldo. 

Nessa fase de vacas magras, com muita habilidade, Luciano conduz a articulação política dentro da Casa para conter a insatisfação que queima por baixo como fogo de monturo.

A IRA E A BIRRA

O ex-prefeito de Poço Verde, Antonio  Dória, mais conhecido como Toinho (PSB), disse que foi abordado pelo governador Belivaldo quando de sua visita ao Caism (Centro de Atenção Integral à Mulher), onde trabalhava há 15 anos, o qual lhe perguntou se estava satisfeito no seu local de trabalho. Toinho caiu na besteira de dizer que estava.

Em poucos dias foi removido para a Vigilância Sanitária do Taj Mahal, obrigando-o a trabalhar num lugar para o qual ele não pediu.  Toinho, muito triste com essa postura de Belivaldo, julga-se perseguido por não ter votado com ele no pleito passado. “É preciso acabar o quanto antes com essa essa ira e essa birra, a eleição já passou”, pondera Toinho.

RETALHOS DA POLÍTICA – O NEGÃO GANHA O GOVERNO

A  SUCESSÃO DE AUGUSTO FRANCO

A sucessão de Augusto Franco (ano de 1982),  ocorreu dentro de um ambiente de grandes surpresas.

Grupos políticos com fácil acesso ao Palácio Olimpio Campos, com muita capacidade de movimentação e muito poder de fogo, inclusive em determinados setores da imprensa escrita,  foram convincentes e conseguiram envolver Augusto Franco que terminou desistindo de suas preferências pessoais para sucedê-lo. 

Conseguiram, em encontros de cúpula, e em conversas palacianas,  arrancar a indicação de João Alves Filho para governador, até então considerado como adversário número um de Augusto Franco.

A escolha ocorreu da noite para o dia, sem qualquer aviso, provocando um verdadeiro curto circuito na política de Sergipe, para não dizer um choque de elevado potencial, cujos efeitos só puderam ser avaliados e sentidos nas eleições subsequentes.

João Alves nunca se incomodou, antes pelo contrário, até estimulava que o chamassem de “O Negão” , apelido que, sem dúvida alguma, fortalecia-lhe uma aparência de origem humilde, e facilitava sua aproximação com o povo.

Porém, quando de sua indicação para o cargo de governador ele já era um empresário da construção civil de muito sucesso, tinha a fama de bom engenheiro, montara a Habitacional Construções.

Além do mais, seu pai, o construtor João Alves, com o seu próprio esforço tornara-se um grande empresário também do ramo da construção civil.

O fato de ter sido quatro anos prefeito indireto de Aracaju, nomeado pelo governador José Rolemberg Leite, ajudou-o na sua subida ao poder. Na prefeitura, realizou uma obra administrativa de grande porte. Como prefeito  pavimentou ruas, abriu avenidas e melhorou vários bairros construindo praças, escolas e postos de saúde. Cuidou do transporte urbano. 

Pela  competência demonstrada no exercício do cargo – que assumira como um outsider da política -, tornara-se uma séria opção para uma futura candidatura ao governo do Estado. 

A sua indicação para a prefeitura aconteceu por uma lance de sorte, sem que ele sequer estivesse esperando.

José Rollemberg Leite fez primeiro um convite ao então presidente do Banco do Estado de Sergipe, um dos políticos mais fortes daquele período, para que saísse do Banco e viesse ocupar o cargo de prefeito da Capital,  a segunda posição política mais importante, depois do governador. O indicado teria a vantagem de não enfrentar eleição,  tendo apenas de cumprir a formalidade de o seu nome ser aprovado pela Assembleia Legislativa.

Por mais estranho que pareça, Manoel Conde com muito jeito, para não ofender o governador, disse-lhe que se sentia honrado com a lembrança de seu nome para missão tão honrosa, porém, que ajudaria mais ao governo permanecendo no Banco.

Foi quando com muita sagacidade e visão política Manoel Conde teria lembrado o nome do engenheiro João Alves Filho, por quem o governador nutria uma grande admiração.

José Rollemberg Leite, que, na verdade, desejava fazer uma renovação nos quadros do Banese, esqueceu-se por uns tempos de seu intento. Convidou logo em seguida João Alves para o cargo, que aceitou sem pestanejar.

João Alves, provavelmente fez aqueles reparos de costume, que surgem sempre antes de se aceitar um convite tão generoso, e, aquele, provocaria uma grande mudança em sua vida de empresário. Por isso, suponho que João Alves teria dito ao governador que aquela tarefa iria exigir dele quase que uma entrega total, com o perigo de prejudicar as atividades de sua empresa, a Habitacional.

A INDICAÇÃO CAIU COMO UMA BOMBA

Naquela época o governador Augusto Franco tinha do seu lado quase a totalidade dos prefeitos e dos deputados estaduais, quase 100% da bancada federal e uma extraordinária aprovação de seu governo, com certeza,  o melhor daquele período anterior ao processo de distensão política do regime discricionário.

Possuía dois canais de televisão, a TV Sergipe e a TV Atalaia, o jornal de maior circulação (Jornal de Sergipe), duas emissoras de rádio, e, economicamente falando não tinha quem se comparasse a Augusto Franco, apesar de não só ele como todos os seus filhos jamais esnobassem riqueza e ostentação.  Agiam no meio social como pessoas simples, relacionavam-se com todas as camadas da população, desde os mais potentados aos mais humildes,  no trabalho e no entretenimento, sem aquela empáfia dos novos ricos.

Doutor Augusto, como era chamado pela maioria dos sergipanos, detinha um poder político visto por todos como incontrastável.  Acredito que ele estivesse ciente de seu poderio, mas, sequer usou-o  em sua própria sucessão, não percebendo que qualquer erro na escolha para sucedê-lo no governo, poderia determinar a sua queda como político e de todo agrupamento que construíra ao longo do tempo.

Por isso, dizia-se nas conversas políticas que doutor Augusto faria governador quem ele bem quisesse, não apenas pelo poder que possuía naquela época, como pelas próprias amarras criadas pela legislação então vigente, que deixava pouca margem para o sucesso das forças oposicionistas comandadas por José Carlos Teixeira e seus correligionários do velho MDB. Existia o voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar,  sob pena de nulidade, em toda a chapa, desde deputado federal, governador, senador e deputado estadual.

Ficava mais do que claro de que aquele partido que agregasse mais apoio na capital e no interior, poderia ganhar as eleições como favas contadas. E o partido que mais tinha lideranças do seu lado era justamente o partido do governo, a ARENA. João Alves ao  perceber essa armadilha, saiu do PP de Tancredo Neves,  uma sigla de oposição,  para arranjar um jeito de, no partido do governo, ser um nome capaz de entrar na disputa sucessória onde suas chances seriam melhores. 

NOMES PREFERIDOS PELA ALA DE DOUTOR AUGUSTO

Eu e o senador Passos Porto éramos os preferidos naquele momento das definições, pelas ligações políticas que tínhamos com o grupo de Augusto Franco.

Passos Porto fora deputado federal por várias legislaturas, e conseguia eleger-se porque sabia fazer amigos. Quando as urnas eram abertas, Passos Porto surpreendia a todos com uma perfomance surpreendente. Não tinha dinheiro nem colégios eleitorais para lhe dar suporte eleitoral. Porém, tinha o faro para ir atrás do voto de simpatia. Portava-se como um verdadeiro formiguinha da política, e nunca se indispunha com ninguém. Só vinha a Sergipe no recesso porque tinha verdadeiro pavor de viagens aéreas. Mas, durante suas férias trabalhava sem descanso visitando seus eleitores, na capital e no interior. Fora um dos fiéis seguidores de Leandro Maciel, o maior líder da UDN, no passado. 

O meu nome era no entanto o mais cogitado para uma possível candidatura ao governo do Estado. Havia obtido a maior votação para deputado federal. Convidado pelo governador Augusto Franco, aceitei licenciar-me do mandato para ficar em Sergipe e assumir a Secretaria de Estado da Educação e Cultura. Tinha exercido os cargos de prefeito municipal de Simão Dias e deputado estadual por duas vezes, quando fui eleito pelos meus pares para a presidência da Alese. Com muita dedicação aos estudos consegui me formar em química industrial e direito. Eu me considerava pronto para ser governador se tivesse uma chance.

ALBANO E A CNI

O  fator que mais influenciou a escolha de João Alves foi sem dúvida a pretensão de Albano em ser candidato a Senador. Ele exercia a presidência da Confederação Nacional de Indústria (CNI), um cargo que era sinônimo de poder e prestígio, e o mais ambicionado entre os integrantes da  classe empresarial do Brasil.  A CNI atuava em todos os Estados com muita eficiência e desenvoltura. Essa função também lhe proporcionava muita visibilidade na mídia nacional onde aparecia quase que diariamente. De fato, nenhum outro sergipano ocupara até então cargo tão relevante e dispunha de tanto prestígio não só com os empresários, como também junto a figuras políticas importantes do alto escalão da República. Pela missão que desempenhava na CNI, distanciou-se um pouco da política local, mas pela sua forma cortês de tratar a todos, era visto e considerado como uma pessoa simples, muito simpática, e que despertava um certo orgulho aos sergipanos pela posição que ocupava no cenário nacional. Tinha o seu lugar guardado para ser um dia o governador de Sergipe, como de fato foi, por duas vezes seguidas.

Colocaram na cabeça de Augusto Franco que Albano só poderia ser eleito senador se entregasse o governo a João Alves.

O TEMOR DE ALBANO E O FANTASMA DO RISCO

Quem conhece de perto Albano Franco sabe o quanto ele sempre teve bastante  dificuldade em assumir posições que ele, na sua avaliação, possam ter qualquer risco. Essa cautela exagerada de Albano deve ter pesado e muito na decisão de seu pai em apoiar João Alves. 

Segundo a argumentação dos defensores dessa tese – que terminou sendo a vencedora nas conversas de bastidores, e na definição do candidato -, Augusto Franco não poderia eleger um governador do seu grupo, e, ao mesmo tempo,  levar para o Senado o seu filho, Albano Franco. Seria muito arriscado, argumentavam os defensores de João.

Cosme Fateira, um amigo do senador Passos Porto e da família Franco, conhecido por ser desbocado e irreverente, inconformado com a escolha, e achando que o governador tudo podia, saia falando aos quatro ventos: “doutor Augusto na hora de fazer a escolha se precipitou, devia ter escolhido o outro “Negão” e tava tudo certo …”. O outro “Negão” a que ele se referia era o motorista de Augusto Franco há mais de 40 anos. 

Viu-se nos episódios do futuro que João Alves, ingressando como um outsider,  na vivência do dia dia, e na prática da governança, adquiriu experiência para saber lidar com o mundo da política, e  mostrou competência, coragem e determinação para alcançar o topo que fora ocupado pelos líderes maiores do Estado de Sergipe. 

Cometeu-se um erro político que lá na frente iria repercutir em desfavor da família Franco, e no fortalecimento e consolidação do engenheiro João Alves Filho, o qual,  se afeiçoou logo ao poder, soube como poucos atrair lideranças para o seu lado e construir uma áurea de invencibilidade em muitas eleições que disputou até a sua retirada da política, por motivo de saúde.

No próximo capítulo, a escolha do vice-governador de João Alves.

ACV

O FÓSFORO E O BARRIL DE PÓLVORA

 

BOLSONARO ENSINA A ARTE DE ATIRAR NO PÉ

 

Quando as coisas estão calmas o mercado não grita nem diz nada. As bolsas se valorizam, os juros se acomodam, as empresas produzem mais, os empregos aparecem, e o Brasil melhora a sua economia. 

De repente, vem o presidente, fala o que não deve, seja no Brasil, ou nos EUA, e tudo volta à estaca zero. O invisível e poderoso mercado, que também se alimenta de crises para aumentar os seus lucros, mostra logo os seus tentáculos, fazendo aumentar os juros e o valor do dólar, enquanto recrudesce o desemprego,  aumenta a cesta básica e a inflação. 

A reforma da Previdência, antes cantada em prosa e verso como a salvadora da Pátria, de repente, deixa de ser prioridade para o presidente, porque se mostra politicamente incapaz de construir no Congresso uma base aliada que tenha boa vontade para sustentar e defender seus projetos.

Por causa dessa mudança de foco, de desvio do rumo traçado  e do humor inconstante do presidente, até essa galinha de ovos de ouro, a reforma da Previdência, prometida tantas vezes  por ele e  seu ministro da economia, se transforma numa simples galinha poedeira, cujos ovos apenas ficam mais caros, e produz mais inflação com o distanciamento cada vez mais evidente de Bolsonaro da questão previdenciária. A Reforma só vai haver se a Câmara assumir o fardo, e se o seu presidente Rodrigo Maia (DEM), resolver liderar a sua aprovação. 

Não votei em Bolsonaro, mas, sinceramente torcia e torço, para que o Brasil acerte o passo, e que a sua economia volte ao seu ritmo normal, a produção retome o seu crescimento e os empregos que perdemos desde a crise americana iniciada em setembro de 2007 com o nome de subprime, e o desastre da política econômica no Brasil em 2011. Que surjam novos postos de trabalho no horizonte do Brasil. Que possamos vencer esse número vergonhoso e catastrófico de 13 milhões de desempregados.

A sociedade civil está perplexa com a fraqueza intelectual, com o despreparo e o desequilíbrio emocional do presidente. Ao não conter as suas emoções Bolsonaro ensina a arte de atirar no pé. Aceita mexer no orçamento da União e aponta o gatilho para atirar nas Instituições de Ensino Públicas, achando que os seus gastos são incompatíveis com as nossas receitas, e não enxerga que educação, não é gasto, e, sim, investimento. Posso apontar no mundo inteiro dezenas de nações, como a Noruega (que era uma das mais atrasadas da Europa) que derrubaram o desemprego e a pobreza, adquirindo um nível de bem estar social invejável, porque incluiram como prioridade nos seus orçamentos  investimentos em favor da educação, pesquisa, inovação e tecnologia. 

AMEAÇA VERMELHA 

Todavia, o embate que agora se trava dentro do governo e entre os grupos que o apoiam, é que as universidades são um antro de agitadores esquerdistas, que nada produzem e só pensam em introduzir no Brasil o comunismo. Esse discurso é tão antigo e ultrapassado que lembra o macarthismo dos anos 50 nos Estados Unidos, que ficou conhecido como a segunda ameaça vermelha, em cujo período gerou-se uma onda de radicalismo e denúncias infundadas de traição, em nome de um suposto amor à Pátria, e que conseguiu dividir a sociedade americana, instalando o denuncismo, e o medo do perigo marxista. 

As ideologias estão morrendo e cedendo lugar a um novo Estado que garante a paz, crescimento,  a felicidade do emprego e o combate à fome. 

O FÓSFORO E O PATRIOTISMO MASCARADO

Dando a impressão aos incautos que professa o respeito à Bandeira e ao Hino Nacional, para fortalecer o amor à Pátria, coisa que aprendemos na Escola regular e na Escola da vida, o presidente, na hora do aperto se esquece de que a Pátria somos todos nós, e não ele só, pois, não considera, e devia considerar a quem não pensa como ele. Todos veem que, com o seu patriotismo mascarado, agride jornalistas que lhe fazem perguntas incômodas, chama manifestantes de idiotas úteis, assina decreto de disseminação das armas sem ouvir o Congresso, e, no caso do seu filho eleito senador, ao invés de estimular as investigações, se vitimiza, desafiando a Justiça e o Ministério Público que venham pra cima dele … 

Paciência presidente, não queremos no Brasil nenhum movimento parecido com  a ameaça vermelha dos Estados Unidos, apesar de sua afinidade com Trump e a desastrosa política americana, e  a continência ridícula à sua bandeira.

 

A última vez que movimento semelhante surgiu no Brasil,  serviu de pretexto para o golpe de 64. 

Querendo ou não, o presidente Bolsonaro, com sua conduta imprevisível e com seu linguajar de confronto, está acendendo fósforo num barril de pólvora, sem aquilatar para as consequências de que se houver a explosão ele próprio pode ser alcançado.

Ainda bem que os militares estão longe de pensarem em provocar uma explosão contra a democracia. 

ACV

 

VUCO VUCO – BOLSONARO, O INTOLERANTE

 

INTOLERÂNCIA

O presidente Bolsonaro corta as verbas da educação, sem nenhum aviso, sem nenhuma consideração, e, mesmo assim, comete o desplante de chamar de idiotas úteis manifestantes que clamam por mais recursos e por um ensino de qualidade. Que país é este? Foi por essa democracia intolerante que o eleitor brasileiro deu seu voto?  Jair Bolsonaro ultrapassou as medidas do respeito às manifestações civis, à divergência, ao contraditório, à  tolerância, sem as quais a democracia no Brasil estaria sendo sepultada. O governo está claramente demonstrando o seu viés autoritário a cada momento em que aparece alguém protestando. 

AUDIÊNCIA DE BOLSO E BELI 

A audiência do governador com o presidente Bolsonaro foi uma boa jogada de marketing, que teve efeitos positivos para quem foi de pires na mão reivindicar obras e recursos para executá-las. Durante uma semana a mídia só tocava nesse tema, como se alguém que  aparentemente fosse contra o sistema, e, de repente, aparece trocando gentilezas portando a bandeira da paz, em nome dos “altos interesses da sociedade” .  O encontro era necessário sim, mas fazer aquele estardalhaço de que um novo mundo poderia surgir, tenha paciência!

QUERO-QUERO

E, se não der certo? Se não der certo a conta ficará no colo de Bolsonaro.  Belivaldo poderá no futuro dizer, se o dinheiro não sair, que pediu, e o presidente negou. Vítima do governo Bolsonaro. Discurso de campanha. Afinal, o tapete vermelho foi colocado na entrada da audiência ao governador visitante,  e, como sinal de que os cofres seriam abertos para Sergipe foram convocados vários ministros para receber os pleitos de Belivaldo. O encontro só serviu para encher a mídia de notícias otimistas sem a mínima certeza do cumprimento pelo presidente. 

O que ficou claro na audiência, foi que, o presidente quer votos para a reforma da Previdência que Belivaldo não tem, e que, o  governador quer recursos financeiros para o Estado que Bolsonaro não tem.

GOVERNO DESARTICULADO

A desarticulação política do governo Bolsonaro provoca mais uma derrota na Câmara dos Deputados. Ministro da Educação Abraham Weintraub foi convocado para explicar o bloqueio das verbas para as Universidades Públicas. A Bancada do Centrão, composta de 250 deputados, de um total de 513 membros da Câmara, está fazendo corpo mole, deixando a coisa rolar para que o presidente se vire e atue pessoalmente para formar uma base sólida e assegurar a governabilidade, até agora não alcançada. Presidencialismo de coalizão como é o do Brasil,  todo chefe de governo ou negocia com o Congresso ou não vai pra frente. A participação dos partidos no governo é legítima em todo o mundo democrático. A escolha dos melhores não é fisiologismo nem sinal de corrupção. O presidente está confundindo as bolas, preferindo uma posição isolacionista, para não dizer individualista, como se, sozinho pudesse governar. O errado é comprar apoio com cargos. 

ESQUENTA A RELAÇÃO

A relação do governo federal está esquentando e chegando a uma situação de distanciamento com os líderes. O deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) e Arthur Lira (PP-AL),  foram convidados pelo presidente Bolsonaro para uma reunião no Palácio do Planalto e recusaram-se a comparecer. O presidente ficou só tomando água e cafezinho esperando-os até que chegou a hora da viagem aos EUA, e foi para o aeroporto muito chateado. Os deputados mandaram dizer que para evitar especulações de que estariam atrás de vantagens como cargos ou posições no governo, por enquanto é melhor evitar conversar com o presidente, o qual, insinua a toda hora que todo deputado é fisiologista e que ele veio para mudar essa prática. Desse jeito, em pouco tempo o café vai ficar frio e pouca gente vai aparecer lá no Palácio. Quem está provocando esse mal-estar é a própria república bolsonariana que está no poder, na qual o chefe se acha a Providência Divina, e pensa que aprova tudo no Parlamento sem dar a mínima atenção aos deputados. 

BRASIL NO FUNDO DO POÇO

O Brasil está novamente às portas de uma recessão econômica. A queda no setor de serviços e o desemprego alarmante em todos os setores da atividade econômica, como na indústria e no comércio, estão deixando nervosos os aliados de Bolsonaro.  Ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que o Brasil está no fundo do poço em Comissão da Câmara dos Deputados. 

ARMAS LIVRES

Decreto de armas de Bolsonaro pode sofrer revés no STF. Já existem várias ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) tramitando na Suprema Corte, sob a vigilância e a interveniência do MPF.

EMPRESAS ESTÃO QUEBRANDO EM SERGIPE

Recebo a informação de um empresário do ramo da construção civil, de que cerca de 70% das empresas que trabalhavam para o Estado quebraram por falta de pagamento, enquanto que, as que ainda restam, se negam a participar das licitações.

 

LICITAÇÕES DESERTAS EM SERGIPE, NO ESTADO E NOS MUNICÍPIOS

As licitações do Estado e de quase todas as prefeituras não valem a nota de um conto; na maioria dos casos as licitações ficam desertas, sem o comparecimento de nenhum concorrente. Pelo andar da carruagem o rombo é maior do que o informado por Belivaldo quando esteve na Assembléia falando aos deputados.

Tempos sombrios para a classe empresarial sergipana.

DEMISSÕES EM MASSA EM EMPRESA TERCEIRIZADA DA DESO, POR QUE?

Uma abelha zuou no meu ouvido que a DESO mandou uma terceirizada demitir dezenas de empregados que estariam cobrando por fora valores absurdos para fazer ligações domiciliares no Sertão. Se foi assim, e se foi por isso, a Deso tem toda razão. 

ACV

RETALHOS DA POLÍTICA-BATISTÃO & POLÍTICA

Começo discorrendo um pouco sobre três personalidades políticas com as quais convivi no início de minha vida política.

AUGUSTO FRANCO

Augusto Franco,  começou a sua militância política já em idade madura, no ponto em que muitos políticos de sua idade já haviam percorrido mais da metade do caminho. Mas quando resolveu ingressar na carreira, o fez com muito equilíbrio, aplicação e grande dedicação.

Só depois que eu vim morar em Aracaju para exercer o cargo de deputado estadual, passei a ter com ele uma convivência mais próxima. Vivendo entre Aracaju e Simão Dias cumpria minha missão política, dedicando-me na Alese para cumprir o meu mandato com dignidade, e, ao mesmo tempo, cuidar de Simão Dias, enquanto procurava dar assistência e ação de presença nos municípios vizinhos, como Tobias Barreto, Lagarto, Poço Verde, Pinhão e Pedra Mole.

Doutor Augusto foi escolhido governador, em 1978. Neste mesmo ano fui eleito deputado federal, o mais votado, depois de passar oito anos como deputado estadual. Estávamos no final do Governo de José Rollemberg Leite e eu exercia o cargo de Presidente da Assembléia Legislativa. Para ajudar nas composições políticas, a pedido de doutor Augusto, apoiei os candidatos a deputado estadual Antonio Néri, de Tobias Barreto e Augusto Ribeiro, de Lagarto, que foram eleitos.

Da mesma forma como a escolha de seus antecessores, Lourival Baptista, Paulo Barreto de Menezes e José Rollemberg Leite, a ascensão do então senador Augusto Franco ao governo do estado teve a participação e o aprove-se do governo militar. Seu prestígio junto à cúpula política daquele período e a aceitação pacífica de seu nome pelo governador José Rollemberg Leite, da esmagadora maioria das bancadas de parlamentares federais e estaduais, serviram para pavimentar a sua caminhada ao poder executivo.

Houve muita luta de bastidores para impedir a sua indicação na sucessão anterior, mas dessa vez as divergências desapareceram, conquistando o governo de forma pacífica sem qualquer reação da classe política.

Em outro momento falarei mais detidamente sobre o ex-governador Augusto Franco, político e empresário bem sucedido. Tratava-se de um homem que agia na política com muita eficiência e objetividade. Exerceu o poder com a visão de um empresário que não podia falhar como governador. Tinha verdadeira obsessão pelo trabalho.  O slogan de seu  governo, criado pelo seu competente secretário de comunicação Theotônio Neto se ajustava como uma luva à sua personalidade: “O Futuro é Agora”. Augusto Franco tinha pressa pra chegar e resolver.

JOSÉ ROLLEMBERG LEITE

José Rollemberg era uma pessoa admirável, um político correto e respeitado por todos os sergipanos, por sua conduta ética e equilibrada.

À primeira vista fechado e inacessível, no entanto, quem dele se aproximava logo se encantava com o seu bom humor e as suas opiniões calcadas em muitos anos de experiência na política. Fui o seu líder na Assembléia Legislativa. Para me eleger presidente da Assembléia Legislativa contei com o seu apoio e o de toda a bancada do governo.

Não teve dificuldades para exercer o cargo de governador. Os recursos eram escassos, a ajuda federal não aconteceu no volume dos governos anteriores, mas fez uma administração honesta e operosa. Com recursos próprios construiu o Tribunal de Justiça na Praça Fausto Cardoso e o Terminal  Rodoviário, um prédio moderno e de boa aparência, cuja modelo arquitetônico serve até os dias de hoje como um ponto de destaque e referência no panorama urbano de nossa Capital.

Deixou o governo com as finanças organizadas para o seu sucessor  sem nenhuma pendência que pudesse causar danos ao equilíbrio fiscal do Estado.

LOURIVAL BAPTISTA

Lourival Baptista que, em outros tempos fizera movimentos de reação contra a figura de Augusto Franco, terminou acomodando-se à realidade. Afinal, deve ter penetrado na alma daquele político sagaz a lembrança da época em que Augusto Franco abriu-lhe as portas de São Cristóvão para que ali, na fábrica de tecidos, pudesse exercer a sua profissão de médico.  Foi, a partir daí que nasceu uma nova figura de político que, vindo da Bahia, onde nascera e se formara, conquistou muitos mandatos em Sergipe. Lourival, que tinha um jeito alegre de se aproximar das pessoas, e o dom de conquistar adeptos para a sua causa, costumava dizer em relação à sua saúde , longevidade e a arte de fazer amigos, que vivia bem porque “não fumo, não bebo e não tenho raiva”.

Lourival ganhou amigos e adversários, alguns dos quais se tornaram inimigos que espumavam ódio,  mas nunca se gabava, nem comentava sobre alguma maldade que fizera contra alguém. Portava-se como se nada tivesse feito para prejudicar os outros.  Na maior inocência, coçava o bigode, e às vezes reclamava “não sei até hoje porque fulano tem raiva de mim, nada fiz contra ele …” .

Quando inaugurou o Batistão, em 9 de julho de 1969, trouxe a seleção brasileira com o elenco principal quase completo – Pelé, o sergipano Clodoaldo & Cia. Foi uma festa do arromba. Luiz Gonzaga, que fez uma baião homenageando o Estádio e Dominguinhos , se fizeram  presentes àquele evento. Eu ainda hoje vibro com a apresentação espetacular da equipe da seleção canarinha que venceu a seleção de Sergipe pelo placar de 8 a 2.

Lourival deixou o governo com uma popularidade imensa, mas teve grandes dificuldades para emplacar na cúpula política a sua candidatura ao Senado. Ganhou por apenas um voto a convenção partidária. Quem sobrou foi José Rollemberg Leite. Dizia-se aos burburinhos que Lourival só ganhou porque o candidato José Rollemberg Leite, tão ético e honesto que era, votou em branco para não sufragar nas urnas o seu próprio nome … No empate, pela idade, Lourival teria perdido.

ACV

 

RETALHOS DA POLÍTICA – FILHO DE UM PLANTADOR DE ALGODÃO ELEITO GOVERNADOR

TANCREDO NEVES PRESIDENTE

Entre os anos de 1983 e 1984 surgiu no Brasil um movimento cívico-político  pelo retorno às eleições diretas, quando foram organizados comícios gigantescos que expressavam com toda clareza a vontade da Nação  em imprimir novos rumos à forma de escolha de seus representantes no Congresso e no Governo.

O processo de escolha de nossa representação popular então vigente, tinha o objetivo de manter a cada eleição o status quo do regime militar implantado em 64. Criara, dentre outros instrumentos autoritários, as eleições indiretas, o senador biônico, a sublegenda e o  voto vinculado.  

A emenda Dante de Oliveira desencadeou esse sentimento de mudança empolgando todo o Brasil.

Todavia, apesar da  pressão popular exercida nas ruas e nos comícios populares pelas Diretas Já, a Câmara dos Deputados ainda com medo do regime militar agonizante,  rejeitou a proposta de emenda à Constituição das Diretas Já. 

A propositura conseguiu 298 votos, mas por não ter atingido o quorum exigido (320) foi arquivada pela Mesa da Câmara. Ausentaram-se do recinto da votação nada menos de 113 deputados, enquanto apenas 65 disseram não à proposta. Viu-se, pelo resultado que, mesmo na eleição indireta, se não houvesse um golpe, a oposição, impulsionada pelo sentimento popular de mudança, poderia dobrar o cabo da boa esperança e vencer o candidato do governo militar no Colégio Eleitoral.

O Colégio Eleitoral operava na União e nos Estados, elegendo, pelo processo indireto, Presidentes da República, Governadores e Senadores “Biônicos”. 

Mas, pela primeira vez, com a criação da Frente Liberal formada por lideranças que romperam com o governo, surgiu  uma possibilidade concreta de se eleger no próprio Colégio Eleitoral, até então intocável, um candidato a presidente das hostes da oposição. 

Dentro desse quadro que sensibilizava toda a Nação, fui o primeiro político da ala governista no Estado de Sergipe a engrossar fileiras daquele movimento de restauração completa da democracia. Essa aliança, formada por lideranças de diversas correntes que lutavam pela mudança do regime, passou a ser intitulada de Aliança Democrática.

Exercendo o cargo de vice-governador de João Alves, tomei a iniciativa de ir a  Belo Horizonte,  para manifestar o meu apoio a Tancredo Neves, então governador de Minas, que tomara a decisão de se afastar do governo do Estado, no início de abril de 1985, para tentar viabilizar sua candidatura pelo processo indireto que fora imposto pelo regime discricionário durante mais de 20 anos. Essa posição que eu adotei em relação ao regime me colocou na marca da ascensão na política.

COM TANCREDO NEVES

O governador João Alves preferiu adotar a estratégia de permanecer governando sem  manifestar apoio explícito a Tancredo nessa primeira hora, resguardando-se para em outra oportunidade definir sua posição quanto ao problema sucessório no Brasil.

Ele considerou a minha posição como  gesto de coragem e de afirmação cívica. Era visível a alegria de Tancredo ao receber naquele momento o apoio de um vice-governador do Nordeste quando nada ainda estava definido em relação ao futuro do Brasil. Sem sabermos qual a reação dos militares diante de uma disputa política que se vislumbrava dentro do próprio Colégio Eleitoral criado pelo regime para se manter no poder. Falava-se até em golpe de Estado para conter o ímpeto de mudança que estava tomando conta do Brasil.

Quando cheguei em Belo Horizonte, tendo ao meu lado o ex-deputado federal e Secretário de Estado de Justiça Tertuliano Azevedo,  lá encontrei me aguardando Jackson Barreto, Benédito Figueiredo e Rosalvo Alexandre. Todos felizes com a minha atitude de engajamento na luta pela restauração plena de nossa democracia.  Fomos todos juntos ao encontro histórico com Tancredo Neves, para selarmos o acordo de apoio à sua candidatura à presidência.

A reunião aconteceu no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador. Recordo-me, com emoção, a forma entusiástica como fui recebido pelo então governador Tancredo Neves, um dos símbolos da resistência ao regime militar, tribuno portentoso, uma figura admirável. Abraçou-me pronunciando palavras para todos ouvirem de agradecimento pelo meu gesto de apoio.

BANDEIRAS VERMELHAS 

Aquele apoio, na primeira hora, à candidatura de Tancredo significou um passo da maior importância para minha futura candidatura ao governo do Estado. Facilitou, sem dúvida alguma, a somação, em torno do meu nome, das chamadas forças progressistas, (partidos de esquerda: PSB, PCdoB e PC) ), que, motivadas, subiram no meu palanque, ergueram suas bandeiras vermelhas nos nossos comícios e passeatas durante a campanha para o governo do Estado, em 1986. Essas forças lutaram bravamente pela minha vitória.

No início da campanha comecei nas pesquisas com 7%, e ao seu final, uma vitória insofismável, com uma diferença de mais de 50 mil votos. 

ANTES, CAMPANHA DE PREFEITO EM ARACAJU

Em 1985, realizaram-se as eleições municipais nas capitais cujos Prefeitos anteriormente eram nomeados pelo governador. 

Fui o coordenador político da campanha que levou Jackson Barreto à Prefeitura de Aracaju. Teve uma vitória indiscutível, derrotando o candidato dos Franco, Gilton Garcia, por uma larga margem de votos. 

Gilton fora um Deputado estadual muito atuante. Cassado injustamente pela ditadura, passou alguns anos fora da política cuidando de sua banca de advocacia, e pretendia retornar à vida política como prefeito da capital. O meu amigo Gilton Garcia, ex-UDN, como meu pai, filho de um governador pacífico e trabalhador, reapareceu  na hora errada, justamente quando surgia um novo ciclo da política em nosso Estado e um novo agrupamento político, sob o comando do governador João Alves Filho, no qual eu e Jackson Barreto estávamos inseridos e crescendo.

A SUCESSÃO DE JOÃO ALVES, PEDRAS NO CAMINHO

No início de 1986 a sucessão estadual, puxada pelo MDB já começava a ser discutida. José Carlos Teixeira, presidente do partido, que fora nomeado, pelo Governador João Alves, em 1985, para exercer o cargo de prefeito indireto de Aracaju,  em substituição ao Prefeito Heráclito Rollemberg que também alimentava o desejo de entrar na disputa sucessória. 

Até às vésperas da escolha do candidato, eu preferia, pessoalmente, não concorrer ao cargo de governador, e, sim – já que eu exercia o cargo de Vice-Governador – substituir o titular, no caso de uma natural candidatura de João Alves a Senador da República. 

Aconteceu que o PFL, que detinha o comando do Estado, não aceitava em nenhuma hipótese candidato de outro partido para sucessão governamental. 

Na tentativa de resolver a sucessão de forma pacífica, sem brigas ou dissidências, o governador João Alves promoveu uma reunião no Palácio Olimpio Campos, da qual resultou um documento assinado por todos os presentes. Esse documento delegava ao Governador João Alves e ao Prefeito Jackson Barreto a indicação do candidato a Governador. Estando presente àquela reunião, anotei que dela também participaram, além do Governador e do Prefeito, José Carlos Teixeira, Seixas Dórea e Benedito Figueiredo. 

ZÉ CARLOS ROMPE ACORDO  

VIRA A MESA  E EMBOLA  A SUCESSÃO

No dia seguinte, mesmo diante do compromisso assinado, José Carlos já anunciava o rompimento do acordo político. Começou a telefonar pela madrugada a dentro avisando a seus correligionários. 

A corda esticou de tal modo que, dentro em pouco os dois partidos maiores do Estado, PFL e MDB, estavam em lados opostos.

Para unir totalmente o MDB contra nós, só faltava que José Carlos Teixeira – que já tinha o apoio explícito dos Franco -, aceitasse o nome de Benedito Figueiredo para vice-governador  na sua chapa. A indicação de Benedito partira do Prefeito de Aracaju, Jackson Barreto, a estrela política sergipana em ascensão. 

Pra decidir quem seria o vice, foi realizada na Assembléia Legislativa do Estado, no antigo Palácio Fausto Cardoso, uma reunião dos delegados e das lideranças do MDB.  A convenção do MDB,  ajudou-me a articular o apoio de JB, cujo candidato a vice-governador foi rejeitado pelos delegados, e a escolha do nome para ser companheiro de chapa de José Carlos, recaiu no preferido dos Franco, o ex-Senador Passos Porto, um homem de bem, porém, representativo da oligarquia que se queria derrubar.

Sabendo da insatisfação de Jackson e Benedito com a decisão do PMDB, depois de combinar com o governador João Alves – o qual já havia me confidenciado que não sairia do governo – procurei a ambos e ofereci-lhes a vice na nossa chapa. O convite foi aceito imediatamente. O prefeito Jackson  Benedito, preterido pelo seu partido na indicação do vice,  apontou o nome de Benedito Figueiredo, integrante do PSB, para compor a nossa chapa majoritária.  O nome de Benedito foi aceito sem restrições. 

Jackson e o seu grupo, haviam pedido desfiliação do MDB. Conseguimos dividir o MDB ao meio, e, com isso, enfraquecer a candidatura de José Carlos Teixeira. 

A VITÓRIA DO POVO

Criado o cenário favorável à minha candidatura, disputei a eleição, enfrentando o poder econômico e político da família Franco e da família Teixeira, as mais poderosas do Estado.

Ganhei na Capital e no interior com mais de 50 mil votos de frente. Foi uma campanha inesquecível.

Da coligação que me elegeu participaram, além do PFL, que era o meu partido, o PSB, o PCB e o PCdoB. 

O MDB de José Carlos Teixeira ganhou as eleições pra governador em todos os Estados  brasileiros, menos no estado de Sergipe.

Fui eleito governador aos 43 anos de idade. Um filho de plantador de algodão do Povoado Pau de Leite, do município de Simão Dias, chega ao governo pela vontade soberana do povo sergipano.

Leia no próximo capítulo,  “O Negão Ganha o Governo”