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KOISAS DA POLITIKA – A DESARMONIA E A REBELDIA ENTRE OS PODERES

A HARMONIA E A INDEPENDÊNCIA ENTRE OS PODERES

Muito embora a nossa Constituição proclame que os poderes são harmônicos e independentes, nunca foi assim, ao pé da letra, a relação entre o Executivo e o Legislativo.

No presidencialismo, para governar sem problemas, para conseguir aprovar os projetos de seu interesse e não ser incomodado com pautas bombas, o Executivo procura sempre construir uma sólida base de apoio no Legislativo.

A regra geral é o predomínio do Executivo dominando o cenário das decisões no âmbito do Legislativo, e o meio para conter possíveis arroubos das duas Casas do Congresso sempre foi o uso da caneta pesada do presidente, pela distribuição de cargos e verbas aos parlamentares  que rezam na cartilha do governo. Esse jeito de o presidente agir, impondo sua vontade incontrastável perante o Parlamento ficou conhecido em nosso  regime de governo como presidencialismo de coalizão.

Bolsonaro, com o seu perfil contrastante,  não está nem aí para essa história de formação no Congresso de uma base aliada. Na sua cabeça, mora a ideia de que ao sofrer qualquer aperto ou boicote de parlamentares – que são mal vistos pela sociedade de um modo geral -, ele convoca, no seu twitter, as multidões para, em sua defesa, exigir a aprovação de projetos polêmicos que a Câmara resiste em levar à frente.

Esse modo de agir, provoca radicalismos, a construção de dois pólos, um contra e outro a favor, em disputa permanente nas ruas, um movimento de confronto copiado e colado do regime de Nicolás Maduro, da Venezuela. 

COMBATE À VELHA POLÍTICA E A GENERALIZAÇÃO 

Foi quase sempre assim, a supremacia do Executivo com a força da caneta. Mas, ao que tudo indica, o troca-troca de favores, “você me dá o voto, e eu lhe dou cargos e verbas”, não está funcionando atualmente como era antes, com aquela clareza longitudinal.

O presidente fez a composição de seu governo escolhendo à vontade a sua equipe de trabalho, nomeando quem ele quis, convocando, prioritariamente, militares da ativa e da reserva para postos chaves e, em tal quantidade, que só no regime militar aconteceu tanta arregimentação da farda. 

Num regime de governo sério não se escolhe alguém para fazer parte de sua equipe de trabalho pela inclinação religiosa ou pela cor da vestimenta. No entanto, a nível federal, o presidente demonstrando ter um olhar vesgo com os políticos, deu  clara preferência, na composição de seu ministério a militares e a religiosos, na tentativa de desvincular-se por completo daquilo que ele chama de velha política.

Neste ponto, qual seja, o de acabar com os  métodos atrasados de se fazer política e atrair votos com o toma-lá-dá cá, o presidente está mais do que certo. Ele, todavia, exagera na dose empregada, generalizando os ataques aos políticos sem guardar as exceções. Com base nesse raciocínio preconceituoso, que resvala para uma divergência prejudicial ao seu próprio governo, o presidente mostra-se intolerante ao diálogo, e denota uma natureza com viés autoritário. 

Por essa conduta clara de desprezo aos  políticos, o presidente está pagando um preço muito alto, limitando, talvez com risco calculado, o seu poder no Legislativo. 

A LUTA LIVRE 

Com efeito, a Câmara sem consultar o governo, desenterra uma reforma tributária que dormitava em suas gavetas há muitos anos, e a inclui na pauta de seus trabalhos. Ao mesmo tempo, desidrata a reforma da Previdência, arrancando os últimos cabelos do ministro Paulo Guedes, que a patrocina com extremo desvelo, considerando-a uma verdadeira bala de prata para resolver a crise fiscal por que passa o governo. 

Dando continuidade a essa verdadeira luta livre entre os poderes Legislativo e Executivo, o Senado, que sempre foi uma Casa dócil, anula o decreto presidencial sobre uso de armas e aprova por longa margem de votos, a criminalização ao abuso de autoridades em meio aos escândalos dos grampos divulgados pelo Intercept, envolvendo figuras emblemáticas da operação Lava Jato, como o atual ministro da Justiça Sérgio Moro e o procurador federal Deltan Martinazzo Dallagnol.

Para jogar mais lenha na fogueira, o presidente do Senado,  senador Davi Alcolumbre , que representa a Câmara Alta – a Casa da moderação e do equilíbrio -,  aliado de primeira hora de Bolsonaro, fez declarações tempestuosas contra Moro, usando termos muito fortes :” Se fosse um deputado ou um senador (no lugar de Moro), ele já estava cassado, preso e nem precisava provar se tinha hacker ou não”, afirmou.

É público e notório o descontentamento do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o qual, vez por outra, extravasa a sua discordância com o estilo do governo bolsonariano, falando cobras e lagartos, espalhando aos quatro ventos a inapetência do presidente para governar, e os erros cruciais do governo. Maia, nas manifestações de ruas organizadas por partidários de Bolsonaro, é apresentado como uma figura grotesca, como alguém que atua no meio político para enfraquecer a autoridade do presidente. 

O BRASIL DA ESPERANÇA

O presidente sabe que temos uma democracia consolidada. Aqui não se ganha no grito, nem com atitudes baseadas no populismo demagógico e no autoritarismo, tão ao gosto de ideologias exóticas, que conduzem à ditadura, como bem disse o Santo Padre, o Papa Francisco.

Seria melhor para o governo que houvesse mais diálogo com o Congresso para baixar esse clima de animosidade existente, do qual só podem resultar prejuízos ainda maiores para um povo que sofre com o desemprego e a violência.

Precisamos emoldurar um novo País, o Brasil da esperança, afastando o radicalismo inconsequente e a intolerância nefasta, que desunem e atrasam os verdadeiros projetos para desenvolver a Nação. 

(Continue acessando o blog em Widgets, rolando para baixo no seu celular. A sucessão em Sergipe, começa com vetos a nomes para cargos federais).

ACV

KOISAS DA POLITIKA – O FURDUNÇO DA “ESQUERDA” DE BELIVALDO & EDVALDO

 ÍNDICE DAS MATÉRIAS QUE VOCÊ VAI LER NESTE POST:

1 – O Furdunço da “Esquerda de Belivaldo & Edvaldo (A Ideologia do Poder – Afinal, o que é Esquerda, e o que é Direita? – O Que Vale é a Ideologia do Poder).

 

2 – O lenga-lenga do deputado Luciano. 

3 – Um governo odiento e perseguidor. 

4 – Polícia Civil e Política Militar em Guerra. 

5 – Widgests

A IDEOLOGIA DO PODER

Começo afirmando que as ideologias existem. Na mente de parte da população em geral as ideologias podem atrair simpatias.  Todavia,  como a prática tem demonstrado,  as ideologias não têm resolvido a contento a questão do bem estar social.

Ao longo de nossa história, tivemos governos mais ou menos conservadores, de esquerda, de centro-esquerda, ou de centro, e os problemas, no entanto, cresceram sob sua influência, agigantam-se, sem uma solução definitiva.

A saúde e a educação, para citarmos os problemas que mais sensibilizam a população, transformaram-se num verdadeiro pandemônio para as populações mais pobres.

Ainda assim, com muito esforço vamos procurar no plano político, mostrar a grande mentira das alianças que se intitulam de esquerda ou de centro-esquerda, que têm chegado aos governos de Sergipe e do Município de Aracaju nos últimos quatro anos. 

A aliança política que elegeu Edvaldo e Belivaldo, tida como de “esquerda”  está provocando o maior furdunço na cabeça de muitas pessoas em Sergipe.

Sabemos que na maior parte do interior do Estado, com raras exceções – Estância, por exemplo – quase ninguém se preocupa com essa história de esquerda, direita, liberal ou conservador.

Mas, em Aracaju, em várias eleições alianças menos conservadoras ganharam ostentando um discurso de mudança.

Podemos citar o caso da ascensão de Marcelo Déda que encarnava um perfil muito próximo da chamada esquerda, apesar de que para conquistar o seu segundo mandato teve que fazer uma aliança mais pragmática com Amorim & Cia. 

Em relação à postura de Belivaldo não há que se falar em posição esquerdista e a mesma coisa podemos dizer de Edvaldo Nogueira.

Ambos se elegeram com o apoio de  figuras carimbadas ou vistas como  altamente conservadoras, e exercem um governo espelhando uma coalizão de portas abertas, bastando alguém ter votos e fidelidade canina para ser aceito na confraria. 

AFINAL, O QUE É ESQUERDA, E O QUE É DIREITA?

Em poucas palavras, quem tem uma tendência para a esquerda geralmente defende um Estado maior, com a proeminência do governo, ou do Estado, com muita influência para direcionar a economia em benefício da população, buscando um lugar de oportunidades iguais para todos.

Já quem tem um perfil de direita deseja um Estado menor, pensando em abrir espaços para a iniciativa individual. 

Se assim entendemos, e sendo correta essa a  interpretação no que toca ao credo esquerdista, Belivaldo e Edvaldo, ideologicamente falando, são a contrafação de tudo isso.

Ambos dispõem de uma composição em suas equipes de Secretários que gera o maior furdunço, uma balbúrdia geral e irrestrita. 

Tiremos só um caso para exemplificar. O deputado Laércio Oliveira (SD)  é considerado um político que não esconde a sua tendência.

Sabemos que o perfil de Laércio não se coaduna nem de longe com o perfil do PT, trabalha arduamente pelo segmento empresarial que representa, o trabalhador para ele é apenas mais uma peça da engrenagem do sistema capitalista, tem o lucro como seu objetivo primacial nas empresas que participa direta ou indiretamente, disputando espaços financeiros no governo do Estado e na Prefeitura de Aracaju.  

O deputado Laércio, foi um dos mais ferrenhos defensores da flexibilização da reforma trabalhista, tendo assumido a sua condição de homem de confiança da classe empresarial ao ser escolhido como relator do projeto de terceirização. 

Além disso foi um grande aliado até o fim do governo Temer, é aliado incondicional de Bolsonaro, e defende de unhas e dentes, ao lado de Belivaldo, a reforma da Previdência que o PT repudia de corpo e alma.  

Sem falar que era considerado um “golpista” porque ajudou a derrubar Dilma, votando no impeachment. 

 

É de se observar que em Sergipe, nas eleições de 2018, siglas partidárias desse jaez, que representam “ideologias” antagônicas se juntaram numa mesma aliança de candidatos proporcionais  para aumentar o quociente eleitoral e eleger seus deputados que hoje estão no Congresso em lados diferentes … Quer dizer, para deputado a direitona ajudou a candidatos da esquerda a se elegerem, e vice-versa. 

O QUE VALE É A IDEOLOGIA DO PODER

No entanto, apesar de sua coloração altamente conservadora, em Sergipe,  dentro do governo e na prefeitura, Laércio está  junto com o PT com toda a sua sigla avermelhada, participando com uma fatia invejável de poder nas duas administrações, a de Belivaldo e Edvaldo, que passaram a ser rotuladas ora de esquerda, ora de centro-esquerda, ora de centro, ora de centro-direita, ora de liberal, ora de conservadora, ora de ultra direita … 

Ou seja, quem manda em Sergipe atualmente, não tem ideologia.

A salada de tendências é  a contrafação de programas partidários e de ideologias, que, para eles, os nossos manda-chuvas de hoje,  já morreram há muito tempo.

Para a maioria deles o que vale é a ideologia do poder, são os cargos que pesam nas alianças, e o povo que se fume. 

 

O LENGA-LENGA DO DEPUTADO LUCIANO

O deputado Luciano Pimentel em entrevista ao JC disse que teve problemas com o PSB na eleição e por isso  está apenas aguardando uma janela para sair do partido. Que ele queira sair porque resolveu aderir ao governo até compreendemos.

Há pessoas que não têm perfil para ser oposição. Uma delas é Luciano Pimentel.

Quanto ao “desentendimento” que teve com o partido é uma covardia fazer essa afirmação.

Luciano quer justificar a sua desfiliação e sua aderência ao projeto do governo -, bem como a sua votação pífia nas eleições por causa de um mandato incolor, insípido e inodoro -, colocando simplesmente toda a culpa no PSB.

Apesar de tudo, mesmo contrariando outros candidatos de nossa aliança, se eu pessoalmente não tivesse me empenhado em Simão Dias, onde ele obteve mais de 2.500 votos, apresentando como candidato a deputado federal Cristiano Viana (teve quase 10 mil votos) para lhe dar suporte eleitoral, Luciano Pimentel não estaria hoje na Alese. Em todo o Estado foi o município que lhe deu mais votos.

Subestimar ou não levar em conta o apoio de lideranças do nosso Partido à sua candidatura, que garantiram o seu retorno à Alese, como Cassinho (prefeito de Gracho Cardoso), Iokanaã (prefeito de Propriá), Ari (Cumbe), Zé Rosa (Prefeito de Siriri) e Baiano (vereador de Lagarto), é estar convencido de que se reelegeu por conta de seus belos olhos, sem qualquer influência do PSB, presidido por Valadares Filho.

O exemplo de Belivaldo, que abandonou o PSB para aliar-se ao poder e a um grupo político com a intenção de nos destruir,  só contaminou aos mais fracos. 

O mundo é redondo e a resposta virá um dia. 

Portanto, Luciano, seja verdadeiro, deixe esse lenga-lenga de lado, saia do partido com decência, e não nos encare como inimigos, só porque perdemos a eleição.

Fique do lado daqueles que jogaram suspeitas em sua passagem pela Superintendência da Caixa Econômica. E olhe que eu me indispus contra eles ao fazer de público a sua defesa. 

UM GOVERNO ODIENTO E PERSEGUIDOR

Tenho evitado referências negativas ao governo Belivaldo. O meu silêncio tinha como objetivo evitar críticas de que estaria inconformado com a derrota eleitoral.

No particular tenho recebido informações de que ele não esconde e extravasa seu ódio contra os Valadares de uma forma doentia.

Embora beneficiado eleitoralmente com as cores de Lula impressas em sua chapa vitoriosa, única explicação para aquela diferença estupenda, só lhe desejo sucesso, mas parece até que quem perdeu foi ele, e não nós. Mesmo assim, aguentei o tranco e preferi ficar calado.

No entanto, já pedindo desculpas aos leitores deste blog, saio um pouco do meu silêncio voluntário a respeito do governador para dizer algumas coisas que estavam entaladas na minha garganta. 

O governador Belivaldo, na semana passada, alugou uma rede de emissoras para dar uma entrevista. Em meio a um monte de baboseiras, gastou uma grande parte do seu tempo para depreciar e falar mal  da família Valadares.

Sua excelência, com aquela empáfia miúda que passou a ter depois que chegou ao poder, anunciou que estava trabalhando pra deixar os Valadares sozinhos, isolados, sem a mínima capacidade de ação para disputar as eleições municipais em Simão Dias, ou em qualquer outro lugar no Estado.

Se dependesse de sua caneta bic e do Diário Oficial,  de fato, essa tentativa de nos apagar de uma vez por todas do cenário político já estaria se configurando.

Mas, como sou um lutador, e ajo com otimismo, confio que esse seu plano de vingança implacável vai cair por terra.  

As ofertas de nomeações a companheiros nossos para bandear de lado, algumas poucas funcionaram, mas a grande maioria não deu bolas à pressão exercida pelo seu sistema costumeiro de atrair lideranças. Como fez nas eleições estaduais nas barbas da Justiça Eleitoral. 

É aí onde a porca torce o rabo, há um engano de sua parte, excelência! o PSB não constrói prestígio usando a máquina e fazendo perseguições. É o único partido que tendo chegado ao poder, entrega os cargos quando não mais concorda com os rumos do governo. 

O nosso partido se move e existe porque tem programa, porque os seus integrantes têm história e serviços prestados. O PSB tem coerência no que promete e faz política em observância aos princípios da ética e do respeito ao adversário.

Há um provérbio árabe que procura interpretar a mente e o caráter do ingrato, dizendo mais ou menos o seguinte: “Oh filho de Deus, que bem eu te fiz para me quereres tanto mal?”.

POLÍCIA CIVIL E POLÍCIA MILITAR EM PÉ DE GUERRA

As polícias Civil e Militar estão cobrando o cumprimento de leis e acordos que o governo do Estado fez no ano passado antes das eleições. Agora a conversa é outra. O TCE para amenizar o descumprimento de tudo que foi acertado, para doirar a pílula e livrar a cara do governo, baixa uma resolução dizendo que não pode e tal. Mas quem pediu essa resolução? São Koisas de Sergipe Del Rei! 

ACV

 

KOISAS DA POLITIKA – BOLSONARO VERSUS CÂMARA, QUEM VENCE?

BALAIO DE GATOS

A reforma da Previdência virou um balaio de gatos. O governo, sem força política na Câmara dos Deputados, não consegue impor a sua vontade para economizar, como planejava, um R$ 1 trilhão em 10 anos.

O fato de a Câmara tomar para si a responsabilidade de aprovar uma  reforma da Previdência, contrariando o governo, é o demonstrativo de que as relações entre Bolsonaro e Rodrigo Maia tendem a azedar com o tempo.

O presidente Bolsonaro ao acionar o seu dispositivo contra as velhas práticas da política, querendo ou não, criou um vazio na Câmara cuja liderança está sendo ocupada pelo seu presidente, deputado Rodrigo Maia.

Com a queda do presidencialismo de coalizão, após os escândalos do mensalão e do petrolão,  o presidente da República errou na dose, ao generalizar os ataques à velha política, sem considerar as exceções.

É visível que o presidente perdeu o apoio da Câmara. Ele, que passou ali 28 anos, sabe que  a Casa é composta de tribos dos  mais variados credos, inclusive de lideranças novas e expressivas que nada têm a ver com os velhos caciques, nem com a velha política, nem com os velhos e carcomidos costumes.

Querer mudar a cultura do toma-lá-dá-cá, achando que todos são iguais, é um ato de petulância, que rima com arrogância. É uma atitude de um marinheiro de primeira viagem, fato que não combina com alguém como o presidente Bolsonaro que frequentou a Câmara por quase três décadas.

O presidente tem que entender que a Câmara, com as suas virtudes e defeitos, é a representação popular do Brasil, eleita pelo povo. Só mediante um golpe de Estado ela se apaga e deixa de existir.

PARLAMENTARISMO INFORMAL COM PREDOMINÂNCIA DA CÂMARA

Penso que desse jeito, da forma com a política nacional está marchando,  surge no Brasil um parlamentarismo informal, com um presidente da República eleito pelo povo, sem a mínima força para governar, ficando a maior fatia de poder nas mãos do Parlamento.

Que bom que fosse um parlamentarismo mais flexível, tendo a figura do primeiro ministro nomeada pela presidente, com aceitação da Câmara, detendo nas mãos as responsabilidades de Chefe do Governo.  O presidente, eleito pelo povo, exercendo o papel de Chefe de Estado com mandato fixo, podendo em casos especiais, mudar o primeiro ministro, o que implicaria em mudar todo o governo, ou extinguindo a Câmara, e convocando novas eleições. Sem causar nenhuma crise institucional, ou comoção popular, como no caso do impeachment de um presidente. 

Mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que retornar a debater esse tema, uma vez que o nosso modelo presidencialista faliu completamente.

Cenário confuso. Tudo acontecendo pela falta de aptidão política do presidente, que considera a maioria do Congresso, pela  forma como age, um bando aproveitadores. 

Afinal, mais uma vez eu pergunto: pra onde vai o Brasil?

PROVINCIANO E ODIENTO

Tenho evitado referências negativas ao governo Belivaldo. O meu silêncio tinha como objetivo evitar críticas de que estaria inconformado com a derrota eleitoral.

No particular tenho recebido informações de que ele não esconde e extravasa seu ódio contra os Valadares de uma forma doentia.

Embora beneficiado eleitoralmente com as cores de Lula impressas em sua chapa vitoriosa, única explicação para aquela diferença estupenda, só lhe desejo sucesso, mas parece até que quem perdeu foi ele, e não nós. Mesmo assim, aguentei o tranco e preferi ficar calado.

No entanto, já pedindo desculpas aos leitores deste blog, saio um pouco do meu silêncio voluntário a respeito do governador para dizer algumas coisas que estavam entaladas na minha garganta. 

O governador Belivaldo, na semana passada, alugou uma rede de emissoras para dar uma entrevista. Em meio a um monte de baboseiras, gastou uma grande parte do seu tempo para depreciar e falar mal  da família Valadares.

Sua excelência, com aquela empáfia miúda que passou a ter depois que chegou ao poder, anunciou que estava trabalhando pra deixar os Valadares sozinhos, isolados, sem a mínima capacidade de ação para disputar as eleições municipais em Simão Dias, ou em qualquer outro lugar no Estado.

Se dependesse de sua caneta bic e do Diário Oficial,  de fato, essa tentativa de nos apagar de uma vez por todas do cenário político já estaria se configurando.

Mas, como sou um lutador, e ajo com otimismo, confio que esse seu plano de vingança implacável vai cair por terra.  

As ofertas de nomeações a companheiros nossos para bandear de lado, algumas poucas funcionaram, mas a grande maioria não deu bolas à pressão exercida pelo seu sistema costumeiro de atrair lideranças. Como fez nas eleições estaduais nas barbas da Justiça Eleitoral. 

É aí onde a porca torce o rabo, há um engano de sua parte, excelência! o PSB não constrói prestígio usando a máquina e fazendo perseguições. É o único partido que tendo chegado ao poder, entrega os cargos quando não mais concorda com os rumos do governo. 

O nosso partido se move e existe porque tem programa, porque os seus integrantes têm história e serviços prestados. O PSB tem coerência no que promete e faz política em observância aos princípios da ética e do respeito ao adversário.

Há um provérbio árabe que procura interpretar a mente e o caráter do ingrato, dizendo mais ou menos o seguinte: “Oh filho de Deus, que bem eu te fiz para me quereres tanto mal?”.

O DILEMA DE EDVALDO: RECORRE OU NÃO RECORRE?

O prefeito Edvaldo Nogueira se recorrer da decisão do Tribunal de Justiça, vai assinar um atestado de que deseja herdar a todo custo o IPTU inconstitucional de João Alves – que ele continua cobrando apesar da promessa que fez em revogá-lo. Caso não recorra, a decisão da Justiça será efetivada de imediato em virtude do trânsito em julgado.

Uma certeza, no entanto, o prefeito já tem: muitos contribuintes, revoltados com o IPTU abusivo, a partir de agora, vão entrar na Justiça para conseguir abater os valores cobrados a mais pela prefeitura de Aracaju.

O LENGA-LENGA DE LUCIANO PIMENTEL

O deputado Luciano Pimentel em entrevista ao JC disse que teve problemas com o PSB na eleição e por isso  está apenas aguardando uma janela para sair do partido. Que ele queira sair porque resolveu aderir ao governo até compreendemos.

Há pessoas que não têm perfil para ser oposição. Uma delas é Luciano Pimentel.

Quanto ao “desentendimento” que teve com o partido é uma covardia fazer essa afirmação.

Luciano quer justificar a sua desfiliação e sua aderência ao projeto do governo -, bem como a sua votação pífia nas eleições por causa de um mandato incolor, insípido e inodoro -, colocando simplesmente toda a culpa no PSB.

Apesar de tudo, mesmo contrariando outros candidatos de nossa aliança, se eu pessoalmente não tivesse me empenhado em Simão Dias, onde ele obteve mais de 2.500 votos, apresentando como candidato a deputado federal Cristiano Viana (teve quase 10 mil votos) para lhe dar suporte eleitoral, Luciano Pimentel não estaria hoje na Alese. Em todo o Estado foi o município que lhe deu mais votos.

Subestimar ou não levar em conta o apoio de lideranças do nosso partido à sua candidatura, que garantiram o seu retorno à Alese, como Cassinho (prefeito de Gracho Cardoso), Iokanaã (prefeito de Propriá) e Baiano (vereador de Lagarto), é estar convencido de que se reelegeu por conta de seus belos olhos, sem qualquer influência do PSB, presidido por Valadares Filho.

O exemplo de Belivaldo, que abandonou o PSB para aliar-se ao poder e a um grupo político com a intenção de nos destruir,  só contaminou aos mais fracos. 

O mundo é redondo e a resposta virá um dia. 

Portanto, Luciano, seja verdadeiro, deixe esse lenga-lenga de lado, saia do partido com decência, e não nos encare como inimigos, só porque perdemos a eleição.

Fique do lado daqueles que jogaram suspeitas em sua passagem pela Superintendência da Caixa Econômica. E olhe que eu me indispus contra eles ao fazer de público a sua defesa. 

VEREADOR ELBER BATALHA, VETADO NUMA EMISSORA

O repórter de uma emissora de rádio passou  pelo maior constrangimento ao ter que dizer ao Vereador Elber Batalha, já presente no estúdio, que a entrevista para a qual fora convidado tinha sido cancelada em cima da hora pela direção da emissora.

Em se tratando de uma concessão federal, ninguém, especialmente um vereador atuante como Elber Batalha, que iria levar informações aos ouvintes sobre o IPTU, poderia ser barrado como foi, sem nenhuma explicação.

Só falta permitir-se a Edvaldo, prefeito de Aracaju, ficar na porta da rádio com uma tesoura na mão para cortar entrevistas de seus adversários … Koisas de Sergipe D’El Rei!

SERGIPE SERÁ A MAIOR PROVÍNCIA DE PRODUÇÃO DE GÁS NATURAL DO BRASIL

Uma grande notícia saiu este fim de semana em toda mídia nacional: a descoberta pela Petrobras de uma jazida de gás natural que irá transformar Sergipe no maior produtor do gás natural do País, podendo incrementar o seu parque industrial, e gerar empregos.

Chegou em boa hora, quando tudo parecia ser impossível ao governo do Estado ultrapassar a crise que está vivenciando. A natureza, graças à competência da Petrobras,  está vindo em socorro de Sergipe na hora mais difícil. 

 

ACV

 

RETALHOS DA POLÍTICA – A PETROBRAS E O PORTO DE SERGIPE

SARNEY VISITA SERGIPE E VAI A SIMÃO DIAS

No início de janeiro de 1988, o presidente Sarney esteve em Sergipe para lançar o programa de combate às secas Padre Cícero. Consultado pelo governo federal, escolhi o municipío de Simão Dias, minha terra natal, como palco para o lançamento desse programa.

Para o nosso povo foi um momento de muito orgulho o fato de o governo da República do Brasil, estar ali presente, com o presidente, ministros, governadores, prefeitos e parlamentares para a realização de evento tão importante. Toda a imprensa nacional deu cobertura àquela programação governamental. A Praça Barão de Santa Rosa foi tomada por milhares de pessoas que vieram de vários municípios de Sergipe e da Bahia. Nunca um presidente da República visitara Simão Dias. 

ESPORTE E LAZER

O esporte e o lazer tiveram lugar de destaque no nosso governo. Em Aracaju, havia o campeonato de futebol de bairros, esporte menor ou futebol de várzea organizado pela Secretaria de Esporte e Lazer.

Preservamos uma área da mata atlântica, onde hoje com certeza, seria uma área de prédios, construindo o Parque dos Cajueiros  (reformado pelo saudoso governador Marcelo Déda), e um grande calçadão, da praia 13 de Julho até a Coroa do Meio, e em paralelo, uma ciclovia. 

Collor veio inaugurar a obra, e andamos juntos de bicicleta por esse calçadão acompanhados por dezenas de ciclistas. Fizemos um monumento, o Caju, como uma referência de nossa Capital a todos os turistas que tivessem o desejo de nos visitar. 

 

Esse monumento, o do Caju, ergue-se imponente na 13 de Julho, como um dos símbolos de nossa capital mais apreciados pelos turistas ( Foto: Sílvio Oliveira).

Construimos 15 ginásios de esporte em cidades do interior, constituindo-se na maior ação de governo concreta para o fortalecimento e expansão das atividades desportivas. 

Os Jogos da Primavera, que foram criados durante a minha gestão como Secretário da Educação, foram ampliados no nosso governo, tornando-se uma festa da qual participavam mais de 15 mil estudantes de escolas da capital e do interior.

Cerca de 1000 atletas, anualmente, representavam o Estado de Sergipe nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBS), em outras unidades da federação. Pontificávamos em primeiro lugar em diversas modalidades esportivas, conquistando medalhas de ouro, e, também, de prata e bronze. No retorno, os atletas eram recebidos por familiares e colegas como verdadeiros heróis.

Construímos um grande Estádio na cidade de Maruim, um dos melhores do interior. Foi um compromisso de campanha que eu cumpri com muita alegria. 

Em homenagem à minha terra, Simão Dias, construí um ginásio de esportes e um estádio de futebol. 

ESGOTAMENTO SANITÁRIO NA CAPITAL

Enfrentamos o grande desafio em melhorar o sistema de esgotos da cidade de Aracaju. Inauguramos um novo sistema moderno de esgotamento antes do enceramento de nosso mandato. Tomamos dinheiro emprestado na Caixa Econômica Federal para a construção de canais de águas pluviais em vários bairros de Aracaju. 

ALTERAÇÃO DO PROJETO ORIGINAL DO PORTO DE SERGIPE, COMO FOI

O Terminal Marítimo Inácio Barbosa veio de uma luta desencadeada por vários governadores. Graças a esse empenho, a Petrobras assumiu a responsabilidade pela realização desse obra histórica no município de Barra dos Coqueiros.

A Petrobras já estava tocando as obras do Porto ao iniciar-se o nosso período de governo. Fiquei surpreso e contrariado quando tomei conhecimento de que o Porto projetado pela Petrobras era apenas um terminal graneleiro para o transporte exclusivo de cargas do interesse da empresa, como o cloreto de potássio da Mina de Taquari-Vassouras e a os produtos nitrogenados da Fafen. Para tanto, o projeto original previa apenas a construção de uma ponte invadindo o mar. 

Se continuasse a obra daquele jeito, o Estado de Sergipe seria o único do Nordeste que não teria um Porto de verdade.

Era preciso agir com urgência para modificar o projeto e transformá-lo num Porto mais amplo, que pudesse receber todo tipo de cargas, e, também, grandes navios de passageiros que tivessem Aracaju como uma de suas escalas.  Sergipe seria o único Estado litorâneo a não dispor de um Porto com essa finalidade, caso o projeto não sofresse alteração.

Queríamos sim, um Terminal Offshore de Cargas Gerais e de Passageiros. 

Era preciso agir com urgência. Marquei uma audiência com o presidente Sarney, em Brasília, no Palácio do Planalto. Entreguei-lhe o pleito do governo de Sergipe. O presidente, na hora, sem pestanejar, redigiu ali mesmo sem protocolos, uma carta de seu próprio punho ao diretor de engenharia da Petrobras Dr Edilson Távora,  responsável pela obra, expondo a questão, e encaminhando em anexo o nosso pedido para que modificasse o projeto original do Porto de Sergipe. (na foto a seguir com Edilson Távora, durante a construção do Porto).

No dia seguinte eu já estava na Petrobras com Edilson Távora. Entreguei-lhe a carta do presidente com o pedido do nosso governo. Távora entendeu a pertinência do pleito e  assumiu de pronto a defesa do nosso projeto, modificando-o para o formato que pretendíamos. A meu convite, durante o período de execução do novo projeto portuário Edilson Távora esteve em Sergipe. 

Visitamos juntos o Porto que estava sendo construído com duas pontes em paralelo, uma para o transporte de cargas gerais e  outra para o transporte de passageiros. Foi uma das maiores emoções que senti em minha vida.

É preciso que se faça justiça a Sarney. Foi um grande presidente para Sergipe. 

Pena que o turismo em Sergipe não tenha aproveitado a obra do Porto, como eu esperava, atraindo passageiros pelo mar. Mas isso é  outra história.

FOLHA DE SERVIDORES, GATILHO SALARIAL E INFLAÇÃO

No final do governo Sarney a crise política atingiu o seu limite estratosférico. O processo inflacionário recrudesceu e chegou a uma taxa sem precedentes, de 84% ao mês.

As graves pipocavam em todo o Brasil. Os salários sofriam uma corrosão diária, e diluíam-se como água. Servidores e a população em geral, estavam em completo desespero. Eu estava no governo, e tinha que  pensar e resolver de imediato como reduzir o impacto da inflação galopante. 

Criei o gatilho salarial para compensar as perdas com a inflação galopante que estava destruindo remuneração dos funcionários públicos.  Mandei aplicar toda a arrecadação do Estado no overnight, um mecanismo que gerava um “lucro” diário que preservava a receita, e, ainda ganhava algum acréscimo com os juros.  Com isso, ao final do mês, garantia o pagamento da folha sem atrasos, o funcionamento dos serviços básicos e os compromissos da dívida. 

Cumpri os quatro anos de governo sem passar pelo constrangimento de atrasar a folha de servidores.

Nota:  A elaboração de uma grande parte do conteúdo das postagens sobre obras e serviços  saiu de memória.  Seria impossível me lembrar de tudo,  uma vez que já decorreram mais de 25 anos desde que terminou o meu mandato de governador.

ACV

 

 

 

SER OPOSIÇÃO OU BANDEAR-SE PARA O GOVERNO?

É MELHOR SER GOVERNO OU SER OPOSIÇÃO?

Muitos nem querem responder a essa pergunta, porque nasceram governo, continuam no conforto do governo, e consideram um despropósito, ou até mesmo uma loucura, marchar do lado da oposição, onde nunca estiveram. 

Outros com o silêncio oportunista, ou com justificativas vergonhosas para aderir, já responderam à pergunta estampada neste artigo. 

Num domingo, depois de tomar um café no Conjunto Augusto Franco, encontrei-me por acaso com um cidadão que me cumprimentou e falou que me admirava como político, mas que não votou em meu nome para o Senado porque fui candidato fazendo oposição ao governo.

“Eu tenho uma teoria – disse ele – “ser governo é ter uma atitude prática e consciente de que não se deve nadar contra a maré.” Continuou falando e eu só escutando: – “Nunca perdi o meu voto numa eleição porque só fico do lado de quem vai ganhar …”

O homem despontou no local, de repente, como se estivesse falando para uma grande plateia a ouvir a sua explanação,  expressando-se com ar professoral, e eu, ali em pé, ouvindo-o pacientemente, com vontade de sair, é verdade, mas que, apenas por educação permanecia parado no mesmo lugar.

Na sua peroração, de um modo simples e franco, o homem falou-me sem meias palavras; –  “o governo é lugar para crescimento social e econômico, enquanto lutar pela oposição só traz gastança, sacrifício e sofrimento”.

UM DEFENSOR E PROPAGADOR DA TEORIA GOVERNISTA

E para confirmar a sua tese, ou melhor dizendo, a sua teoria governista:  “No governo só quem está no comando é que tem que se virar pra arranjar dinheiro e fazer a máquina seguir em frente. Para nós apoiadores o único esforço é saber como colher a melhor vantagem”. 

E prosseguiu no seu lenga-lenga: “No governo, se você é empresário e resolver ser candidato, ganha duas vezes caso seja eleito, dividendos políticos com o cargo e lucros nos seus negócios, pela facilidade de penetrar na máquina”.

Ainda não satisfeito, me pegando  pelo braço, para impedir, jeitosamente, a minha retirada (nessa altura já se formava um grupo de curiosos), disse-me: – “Aqui na terrinha, seu Valadares, quem não é governo tá chegando, quem não chegou ainda, tá doido pra chegar. A oposição devia entender que ela só sabe falar, nada faz. E só quem pode reunir, e quem de fato faz, é o nosso governo!”.

“Portanto – continuou aquele doutrinador -, “ser oposição é um ato impensado, uma atitude burra e inconsequente. Contrariar o governo em qualquer lugar, na mídia, nos partidos ou no legislativo, é algo perigoso que pode render sérios prejuízos”.  “Cito como exemplo a classe hoteleira”, – fez questão de lembrar: – “mesmo no prejuízo porque não chegam hóspedes nos seus hotéis, por omissão dos órgãos de turismo, ficam mudos e calados apesar da queda em seus lucros, porque são inteligentes, sabem que esperando mais um pouquinho o nosso governo vai consertar o setor e resolver”. “Eles estão mais do que certos, esbravejou o homem: – “Em boca fechada não entra mosquito …”

MÁQUNA DO GOVERNO, DESENGONÇADA MAS EFICIENTE

“A máquina do governo, por mais velha e desengonçada que seja, pelo próprio desejo de proteção do poder e de vingança pode enterrar seus projetos políticos ou econômicos, e reduzir a quase zero a sua capacidade de reagir”,  profetizou aquele homem. 

E, a seguir me fez essa indagação: “Na nossa terrinha você já viu algum empresário que seja candidato perder uma eleição e quebrar no governo?” Daí ele mesmo se apressou em responder : – “Não vi, pelo contrário melhorou em tudo…”.

Foi quando ele soltou o meu braço, aproveitei o seu vacilo para dar-lhe um até logo e desvencilhar-me o quanto antes daquele papo que estava me cansando e que poderia durar muitas horas.  Entrei ligeiro no meu Fiat Grazie Mille, abri o word no computador quando cheguei em minha casa, e escrevi esse artigo modesto que só agora publico. 

A teoria governista defendida tão cinicamente por aquele cidadão, se por ventura chegasse às escolas como ensinamento para os nossos jovens seria como um enterro da nossa democracia.

Agora eu fico conversando com os meus botões:  se essa teoria absurda está disseminada em nosso meio e morando na cabeça de muitas pessoas, não há como eu desistir da política enquanto permanecer essa tendência ardilosa e devastadora de querer o poder, não como meio de distribuir benefícios para todos, e, sim como um instrumento de garantias de  vantagens para uma casta minoritária que melhora de vida sugando impiedosamente do governo que, querendo ou não, legitima seus ganhos. 

Com serenidade e destemor, cada um de nós no campo da oposição, por maior que seja a desigualdade dessa luta, haveremos de mostrar que a única teoria que um dia vencerá é a da verdade  contra a mentira.

O marketing da enganação, e os interesses privados que nunca deveriam misturar-se com a política um dia merecerão a devida resposta. 

“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

ACV 

 

 

 

 

 

PARA ONDE VAI O BRASIL?

AVALIAÇÃO INÉDITA PREOCUPA 

Em pesquisa do IBOPE (divulgação, UOL notícias), o presidente da República, Jair Bolsonaro, tem a pior avaliação em 24 anos,  nos seus três primeiros meses de mandato, em comparação com outros presidentes a partir de FHC. Bolsonaro tem apenas 34% de avaliação (ótima+boa), entre os brasileiros.

 

DESCONTROLE NA ECONOMIA E NA POLÍTICA 

Para um governo que está iniciando os seus trabalhos é um resultado muito preocupante.

Esses números que mostram uma queda acentuada da popularidade do governo que veio pra mudar, sinaliza para uma situação de descontrole da economia e da política.

Parece que a sua pregação de se distanciar das “velhas práticas”, muito embora tenha sido esse o mote principal de sua campanha, não lhe ajuda na avaliação do IBOPE.

O DISCURSO E A PRÁTICA 

Pode ser que a população esteja pensando que não basta o repúdio à política ultrapassada do toma-lá-dá-cá. É preciso que na prática isso fique muito evidente, que não haja concessões de qualquer espécie, e que a economia esteja bem dirigida.

Ora, com ministros sendo investigados ou denunciados, juntos com um de seus filhos, e o desemprego voltando aos tempos de Dilma Rousseff, somando-se a medidas extemporâneas como o decreto das armas, e mudanças que não foram bem assimiladas pela população nas regras de trânsito, é de prever-se que a baixa popularidade do presidente ainda mais se acentue. 

É PRECISO USAR A CANETA BIC DOA A QUEM DOER

Vamos acompanhar os próximos levantamentos. Se os níveis da gestão governamental tiverem uma curva ainda mais descendente, para não afundar o seu governo, o presidente Bolsonaro terá que mudar a sua postura de entendimento com o Legislativo, e, usando a sua caneta bic, fazer uma mexida urgente em seu ministério. 

A crise precisa ser estancada com medidas duras e que sejam visíveis a olho nu. Anúncios improvisados de medidas esparsas com cara de atos populistas não resolvem. 

Para ganhar a confiança da população o governo precisa tomar providências na política e na economia, cujos resultados venham repercutir na vida de cada brasileiro. 

Só se fala em reforma da Previdência como tábua de salvação. E se essa reforma for apenas uma miragem, para onde vai o Brasil? 

ACV

ELEIÇÕES, BRUXAS & DRAGÕES

VUCO VUCO 

ELEIÇÕES, REALIDADE E ILUSÃO 

Nas campanhas políticas por este Brasil afora muitas coisas são ditas e prometidas pelos candidatos para impressionar eleitores e ganhar votos.

Para enfeitar o pavão, o marketing contratado a peso de ouro tem que ser competente para mostrar as virtudes e esconder os defeitos do candidato.

O marqueiteiro, geralmente, é uma pessoa fria na estratégia a seguir, contorcionista na arte da dissimulação e convincente ao apresentar seu produto, o candidato. 

Tem que criar emoção em tudo que faz na telinha, no rádio e nas redes sociais em benefício do candidato. Tem que mostrar que o candidato é cuidadoso em economizar dinheiro público e que está preparado pra fazer tudo bem feito, e com devotamento, para atender ao sagrado direito do povo em ter uma educação, uma saúde ou  uma segurança pública de qualidade, e  tudo o mais que for necessário para romper a barreira da pobreza e dar tranquilidade à população.

O empresariado precisa ser convencido de que não haverá aumento da carga tributária, e que o serviço prestado ao governo ser-lhe-á recompensado com lucros e com pagamento em dia, sem atrasos ou procrastinações. 

O candidato é um ser especial, que tem resposta para soluções intricadas, adquiriu experiência pra resolver, é corajoso, tranca a cara às vezes para insinuar autoridade,  e cumpre o que promete. E gosta das criancinhas, que são o futuro da Nação.

O lado do candidato só tem doçura e eficiência, trabalho e honestidade, não lhe faltando as virtudes da humildade e do bom coração.

As cenas na TV têm que ser leves, alegres e coloridas, exibindo um cenário róseo, o céu é sempre de brigadeiro, como deve ser a vida sonhada por todos. O candidato repudia com veemência fazer traquinagens com dinheiro público. E que tudo será feito com transparência, de um modo tão claro como a luz do dia.

O eleitor tem que ser convencido de que o candidato é o melhor, e, que, na crise, surge como um super homem, quando menos se espera, arregaçando as mangas aparece com toda força,  e chega pra resolver, com as fórmulas mágicas de quem possui o poder de prever e vir de imediato com a solução.

Se por acaso o candidato estiver disputando a reeleição para o governo do Estado, será fundamental demonstrar ao funcionário público que a folha nunca será paga com atraso, e que, se alguma vez aconteceu foi por culpa da conjuntura ou da problemática nacional. 

Quando o candidato tem a máquina em seu favor, os apoios, em momentos de dificuldades – como os que tem atravessado o Brasil -,  vêm aos borbotões, a estrutura em sua volta é forte e quase intransponível. Os cargos de livre escolha, os famosos CCs são acionados com o aviso de que se o resultado for negativo na certa vão ser exonerados e substituídos pelo vitorioso. É ganhar ou perder. 

O bom marketing cria verdadeiras histórias de trancoso, para colocar o candidato na frente e vencer a corrida eleitoral.

Tem que ser também criativo, e até certo ponto, impiedoso, no desmonte do adversário. O ataque nunca pode ser frontal para não irritar o eleitor. Uma meia-verdade aqui, uma mentirinha acolá, com muita cautela pra não ser punido pela Justiça Eleitoral, vai danificando aos poucos a imagem do adversário, desqualificando-o para o cargo. Como faz um jogador de box, insistindo em bater na ferida até nocautear o seu oponente. 

Quando a gente quer divertir a criançada, faz uma roda, e começa a contar histórias divertidas e inverossímeis, lendas sobre fadas, como Branca de Neves e os Sete Anões, Chapeuzinho Vermelho, estórias fantásticas de seres extraterrestres invadindo o planeta, ou por assim dizer, estórias de trancoso, para aguçar por um tempo a curiosidade daqueles seres ainda puros e de boa fé, provocando o sono, e logo em seguida os sonhos. Sonhos aterradores de bruxas e dragões que serão lembrados para sempre. 

ACV

RETALHOS DA POLÍTICA – A INFLAÇÃO DO FIM DO MUNDO

 UM NOVO SERGIPE NA NOVA REPÚBLICA

Até os anos 70, do sec. 20, Sergipe era um Estado muito carente de obras de infraestrutura. Podia-se contar nos dedos a existência de boas estradas, de ações voltadas para o combate às secas e a fixação do homem à terra.

Apesar de Sergipe fazer parte da Bacia do rio São Francisco a escassez de água potável  nos municípios do Sertão e do Agreste era visível, aumentando o sofrimento de seus habitantes durante os longos períodos de estiagem.  Até a nossa capital, Aracaju, vivia o drama da falta do precioso líquido, ou até mesmo a ameaça de um colapso de fornecimento.

Por sorte, a Petrobras, uma força econômica em nosso Estado, precisava tocar os seus empreendimentos industriais, e a água era um insumo indispensável.

Em parceria com o governo Augusto Franco, a Petrobras construiu a adutora do rio São Francisco, destinada a suprir seus projetos (usina de Potássio e fábrica de Amônia e Uréia-Fafen), bem como ao abastecimento d’água de muitas cidades ao longo de seu percurso, desembocando em Aracaju, numa primeira etapa da realização dessa obra.  

Podia-se dizer que a adutora do São Francisco era uma obra redentora. 

O Sertão virava uma terra de ninguém durante as secas que dizimavam os rebanhos e provocava o fenômeno da evasão do homem do campo para as cidades à procura de água e comida. 

As secas acarretavam a interrupção e o esvaziamento das atividades econômicas tradicionais, como o plantio e o criatório de gado, e de caprinos e ovinos,  uma economia incipiente, mas, indispensável aos pequenos negócios e à alimentação da população sertaneja.

Assumi o governo de Sergipe no dia 15 de março de 1987. Slogan escolhido, Governo do Novo Sergipe. A Nova República, que fora construída e idealizada por Tancredo, por um imperativo do destino, se encontrava nas mãos de José Sarney. 

 

O PLANO CRUZADO DE COMBATE À INFLAÇÃO

José Sarney,  Vice-presidente, assumiu o governo da Nova  República, no dia 15 de março de 1985, em substituição ao presidente Tancredo Neves, que morreu antes da posse, emocionando o Brasil, deixando-nos à mercê do imprevisível.

Mas, parecia que a Nação, ainda que despedaçada pela dramaticidade daquele infortúnio, não perdera a esperança de melhores dias. O povo compreendeu a situação e deu a  Sarney no começo um crédito de confiança a seu governo, que se instalava em caráter de transição com vistas à retomada da plenitude democrático.

Sarney lançou, em  fevereiro de 1986,  o “Plano Cruzado”  que tinha como objetivo conter a inflação. Em 1985 chegou a 235% ao ano. 

O referido plano, nos primeiros meses foi um sucesso nunca antes experimentado no Brasil. Sarney tornou-se de um dia para o outro uma figura estimada, um presidente visto e respeitado como um político decidido e corajoso ao vigiar com firmeza o abuso da remarcação dos valores dos produtos nos supermercados, e a punição a fazendeiros que escondiam suas boiadas esperando a evolução dos preços da arroba para auferirem mais lucros em cima da população. As pessoas, espontaneamente, apareciam de caderneta na mão como “fiscais de Sarney“.

O PMDB VENCEU EM TODO O BRASIL, MENOS EM SERGIPE

Nas eleições de 1986, o PMDB, partido do presidente Sarney, conseguiu eleger todos os governadores, menos em Sergipe, cujo candidato  José Carlos Teixeira (PMDB) foi derrotado nas urnas. Fui seu adversário, sendo eleito com mais de 52 mil votos de frente.

Apoiado pela coligação  PFL, PSB, PL, PCB e PCdoB, tive 53% dos votos válidos e José Carlos 43%. A nível de Estado, tínhamos uma aliança muito popular, com João Alves (PFL), governador,  e Jackson Barreto (PSB), prefeito da Capital, ambos no auge do prestígio político. Eu era um candidato a governador jovem (43 anos de idade), sem máculas, com uma participação intensa no legislativo e na administração pública (prefeito de Simão Dias, deputado estadual por duas legislaturas, presidente da Alese, Secretário de Estado da Educação e Cultura e deputado federal), transmitindo nos discursos de campanha o compromisso da continuidade de um governo realizador, e trazendo uma proposta diferenciada de desenvolvimento com justiça social. 

O PLANO ENQUANTO DUROU FOI BOM, APÓS, A INFLAÇÃO DO FIM DO MUNDO E O GOVERNO COLLOR

Somando-se a tudo isso, ainda tínhamos a simpatia do presidente da República José Sarney, cuja popularidade chegara às alturas com a execução do Plano Cruzado que, até então, estava dando certo.

Eu tive participação muito ativa, junto com Sarney,  para a formação de um agrupamento político que foi denominado Frente Liberal, embrião do PFL, visando a eleição de Tancredo Neves para presidente, ainda no processo de eleições indiretas, pelo Colégio Eleitoral, como estratégia para vencer o regime militar dentro do sistema que ele próprio criara.

Após aquela eleição indireta, e que seria a última, o compromisso de todos os que compunham o Movimento da Frente Liberal, seria a  instauração do sistema democrático com eleições diretas para todos os cargos, e a elaboração de uma nova Constituição, pela transformação do futuro Congresso Nacional em Poder Constituinte.   

A Equipe econômica de Sarney deu a ideia do lançamento do Plano Cruzado como solução salvadora para derrubar o processo inflacionário que recrudescia a cada dia, quando medidas drásticas foram anunciadas, a saber:  congelamento de preços e a substituição da moeda corrente do país, do cruzeiro para o cruzado (daí o nome do plano).

Todavia, de nada adiantaram essas medidas para frear a inflação que parecia indomável. O plano virou água. E o presidente Sarney, que se tornara, como disse acima, uma figura popular, no entanto – depois que eclodiu de forma violenta o monstro da inflação, acabando a boa perfomance do Plano Cruzado -,  passou a ser estigmatizado, xingado e ridicularizado pela população.

Fases de insatisfação quase sempre redundam no surgimento de milagreiros, o povo se apegando a qualquer um que saiba manipular os sofrimentos e as frustrações.

Foi daí que veio depois o famoso caçador dos marajás, Fernando Collor, escolhido pelo povo como o Salvador da Pátria, um novo Messias vindo das Alagoas, que nos livraria da inflação e varreria toda a corrupção que imperava no País.

Aquele  jovem candidato, dono de um discurso persuasivo e encantador, entraria no gosto do eleitorado e derrotou Lula no 2º turno, numa campanha sem fôlego, atraindo multidões de eleitores para o seu lado, Ao assumir as rédeas do governo com Zélia no comando da Economia, Collor nos levaria à retenção da caderneta de poupança, e a uma grave crise institucional, abatido que fora por um impeachment – como resposta à frustração que voltou a reinar nas mentes  e nos corações desse Brasil verde e amarelo. O seu governo caiu em meio a um lamaçal de escândalos. 

Voltando ao governo Sarney, a inflação foi subindo até chegar ao seu ponto máximo em março de 1990, a uma  taxa incrível de 84,3% ao mês. 

Não fosse o gatilho salarial que implantei, garantindo uma reposição da remuneração dos servidores toda vez que a inflação atingia 20%, o Estado teria que hibernar em greves permanentes pela diluição dos ganhos daqueles que movimentavam a máquina estatal, os funcionários públicos.

O GATILHO SALARIAL, PARA COMPENSAR AS PERDAS COM A INFLAÇÃO GALOPANTE

Para não perder com a inflação galopante e ter algum saldo para assegurar pelo menos o pagamento da folha sem atrasos, todos os recursos do Estado, obrigatoriamente, tinham que estar no overnight, uma modalidade de aplicação financeira que garantia uma renda fixa todos os dias. Se não tomássemos essa providência, a arrecadação praticamente zerava ao fim do mês. 

Hoje em dia, quando a inflação nem chega à casa dos 5% ao ano, em comparação com aquele período em que governei, tendo que enfrentar uma taxa inflacionária superando o patamar de  80% ao mês, assistimos  hoje governadores ameaçando decretar estado de calamidade financeira. Não passam de uns meninos mimados, chorando e gritando , de pires na mão, atrás de ajuda de Bolsonaro, para resolver a crise que eles próprios criaram.   

Com a implantação de projetos de irrigação nos anos de 1980, como o Califórnia, e os das adutoras, (projeto Chapéu de Couro, 1° governo João Alves), a situação começou a melhorar.

Todos esses projetos tiveram continuidade no período em que governei o Estado (87-91), fazendo a sua implantação definitiva com o assentamento de produtores, fornecendo apoio financeiro e assistência técnica. 

ACV

Continuação no próximo capítulo. 

 

 

VUCO VUCO – A POLÍTICA COMENDO POR BAIXO COMO FOGO DE MONTURO

 

QUEDA DO PIB, RECEITAS, IMPOSTOS E PREVIDÊNCIA

➽ O Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, informa que a curva descendente do PIB terá como consequência a queda da arrecadação. Para compensar a redução da receita da ordem de R$ 2 bilhões mensais, o governo já se prepara para aumentar impostos.

➽ O saque do FGTS, total ou parcial,  que o Ministro da Economia Paulo Guedes chegou  a acenar para incentivar o consumo, apenas será liberado depois da reforma da Previdência, como uma forma de o governo pressionar os deputados.

ATIVISMO JUDICIAL E A GRITA DOS POLÍTICOS, INCLUSIVE DE BOLSONARO:  O STF TOMA NOSSO LUGAR!

➽ Os políticos sempre reclamam do ativismo judicial quando o Supremo toma decisões que invadem a competência do Legislativo. Acontece que no passado o STF, ao verificar a omissão reiterada do Congresso Nacional em torno de questões polêmicas, mandava um comunicado fazendo a devida advertência.

➽ Foi o caso, por exemplo das greves: as mesmas regras do trabalhadores do setor privado, pela jurisprudência do STF, passaram a ser adotadas de igual modo para os funcionários públicos porque a Câmara colocava na gaveta todos os projetos que tratavam do assunto,  apesar dos avisos do Poder Judiciário.

➽ Agora quando o STF está definindo como crime de racismo a prática da homofobia vem o presidente reclamar. Bolsonaro acusou a Corte de legislar no lugar do Congresso. Segundo ele, o Judiciário teria que esperar pelo Congresso. Mas como presidente, se o Sr mesmo passou 28 anos na Câmara e não moveu uma palha sequer para regulamentar o assunto?

➽ Revoltado com a Suprema Corte por causa daquela decisão sobre homofobia, depois de flertar com o presidente Toffoli na questão do Pacto dos Três Poderes, não deixando nem  essa questão amadurecer, Bolsonaro de imediato parte para o confronto, e promete nomear um ministro evangélico conservador para peitar  e tentar enquadrar a maioria de católicos que compõe a Casa. Sr presidente, o STF é laico, interpreta a Constituição e as leis do nosso País, e não decide pelas regras ou doutrinas das religiões.

ESTADOS E MUNICÍPIOS FARÃO AS SUAS PRÓPRIAS REFORMAS DA PREVIDÊNCIA

➽ Requerimento com 191 assinaturas foi apresentado na CCJ da Câmara dos Deputados para que os Estados e Municípios façam as suas próprias reformas da Previdência e não tomem carona na reforma que tramita no Congresso. Governadores, deputados estaduais e vereadores terão que enfrentar movimentos da classe dos servidores públicos durante a tramitação das matérias sobre Previdência nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras Municipais. É aí onde a porca torce o rabo …

EM SERGIPE D’DEL REI, ORDENS SÃO ORDENS

➽ Se depender da ordem do governador Belivaldo, que veta qualquer acordo do PT com o PSB (que ele tem como “inimigo” do governo), o partido de Lula vai marchar sozinho nas eleições municipais de Aracaju, ou terá que manter a vontade da candidatura própria, arranjando  outras siglas com as quais possa se coligar na majoritária, e com o aprove-se do governador. Ou vai assim, ou perde todos os cargos na administração estadual. É aí onde a porca torce o rabo …

ATRASO NAS OBRAS DO MERCADO EM SIMÃO DIAS

        Na foto com o líder político Cristiano  

 

➽ Como costumo fazer semanalmente, neste sábado passei no Mercado Municipal de Simão Dias para fazer a minha feira e ouvi muitas reclamações de feirantes e de marchantes sobre a situação de abandono a que foram jogados. Disse a eles que a verba para a reforma e ampliação do Mercado, no montante de cerca de R$ 1 milhão e meio, já se encontra em poder da Prefeitura. As obras foram iniciadas e depois paralisadas por desídia da empresa ganhadora da licitação. Mas isso já tem perto de um ano, sem solução por parte do município. Segundo informa o prefeito Marival nova licitação já foi providenciada. 

ADVERSÁRIOS DE BELIVALDO EM CÉU DE BRIGADEIRO

➽ Em Simão Dias, adversários do governo, ligados ao PSB, estão sendo abordados, ou pelo próprio governador Belivaldo, ou por seus intermediários, ofertando-lhes cargos em comissão desde que mudem de lado.

➽ A última oferta foi a de um cargo de diretor do IPES, com uma polpuda remuneração. Ao intermediário, o abordado recusou a oferta com a observação de que preferia ficar sem o bafejo do governo  pra não ganhar a pecha de traidor.

➽ Como se vê, o governo de Sergipe só está em crise no discurso para evitar pressões de aliados com aquela chatice de pedir emprego. Para os “inimigos” do PSB,  na tentativa de esvaziar os socialistas e ganhar novas adesões, o governo esbanja poder, usa a máquina. O céu é o limite na oferta de CCs.

MAIS ARROCHO EM CIMA DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

➽ Vem mais arrocho nos Estados cujos gastos com pessoal estão acima do limite prudencial da LRF (como é o caso de SERGIPE).

➽ Os governadores, querendo aliviar o tranco das despesas, foram ao STF pedir o julgamento da ADI 2.238 que permite a redução da jornada de trabalho dos servidores públicos com o correspondente corte nos vencimentos.

➽ O STF pautou para o próximo dia 6 de junho o julgamento da mencionada ADI. Os servidores públicos que amargam a perda do valor de seus salários, sem aumento há vários anos, e ainda recebendo com atraso, que se previnam para o baque. 

➽A partir dessa decisão do STF, se acontecer como querem os  governadores – como uma das saídas para a crise financeira que atravessam seus Estados -, funcionários públicos estarão sendo escolhidos mais uma vez como alvos para pagar a conta da incompetência governamental.

                             ACV

RETALHOS DA POLÍTICA – EM 2018, PERDI NO VOTO E ACERTEI NOS PRINCÍPIOS

AS ELEIÇÕES PASSAM, OS PRINCÍPIOS NUNCA MORREM

ELEIÇÕES 2O18

 

Em discurso pronunciado no Senado no dia 21 de novembro de 2017, faltando quase 1 ano para as eleições, enfatizei a decepção dos eleitores contra os políticos, que poderiam ocasionar mudanças substanciais nas estruturas de poder no Brasil. Leia o que disse na tribuna do Senado fazendo uma análise antecipada das eleições. Os princípios que sempre defendi contra a corrupção, a compra de votos, o populismo, a demagogia, a morosidade da Justiça, o descaso na segurança, na educação e na saúde, comprovam que estão mais vivos do que nunca na consciência popular. Erros e acertos na democracia existem para torná-la mais forte, e para nunca perder a sua chama libertária. 

Winston Churchill na Câmara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Senadores, 

No próximo ano o Brasil estará realizando mais uma eleição. Em 2018, estaremos elegendo um novo Presidente da República, novos governadores, Deputados Federais, estaduais e Senadores. Eu poderia perguntar, como muitos que estão me ouvindo, quem vencerá as eleições de 2018. Será a mentira? O populismo? A demagogia? O poder econômico? A experiência? A modernidade? O novo? O centro? A direita ou a esquerda?
 
O povo sofrido do Brasil, em meio a tantas dúvidas e decepções, será mais uma vez o juiz para decidir, com o seu voto, os destinos da Nação. 
 
Há uma crise no Brasil de descrédito quase que generalizado quanto à atuação de nossos agentes públicos, de nossos políticos, da nossa classe política.
 
Parece que a população já tomou consciência de que campanhas políticas, de onde nascem as promessas, e a realidade depois da posse são coisas muito diferentes.
 
Esse descrédito é tão elevado, tão acentuado, Sr. Presidente, que as pesquisas às quais eu tive acesso, algumas delas publicadas, mostram de forma muito clara que o eleitor brasileiro está descrente: mais de 60%, chegando a até 70% dos que são pesquisados, dizem que não querem votar e simplesmente não respondem à pergunta sobre o candidato ali posto na pesquisa.
 

SERÁ MELHOR, MANTER O COMPROMISSO OU PERDER A CERIMÔNIA, PEDINDO QUE  ESQUEÇAM O QUE DISSE?

 
Condutas e ações, infelizmente, na prática se invertem. É como se fosse natural fazer um discurso floreado na campanha e, após o pleito, um outro discurso, amargo, carregado de espinhos.
 
As intenções se ocultam na campanha, e os postulantes a cargos eletivos usam uma linguagem enigmática, o mais das vezes recheada com pitadas de emoção e de engodo, pouco assimilável pelo eleitor, já se preparando o candidato, manhosamente, para desdizer o que disse durante o pleito eleitoral.
 
Que tristeza! Mesmo antes da posse o candidato vitorioso dá os primeiros sinais de que não vai mais cumprir e rompe, sem a menor cerimônia, os compromissos assumidos. Ele tem a esperança de que, lá na frente, vai contornar tudo com cargos e vantagens para atrair lideranças da oposição no Legislativo, cuja maioria acha que não sobrevive sem marchar com o governo, e obras nos bairros para alegrar os seus habitantes, como também nas cidades que eles representam. 
 
Já os eleitores, coitados, que votaram acreditando nas promessas, sentem-se como se tivessem sido vítimas de uma fraude eleitoral ou de uma tramoia política para conquistar os seus votos.
 
Tenho batido nessa tecla, Sr. Presidente, porque considero que esse modelo enganador – que se apoia na mentira, na compra dissimulada ou mesmo escancarada de votos, e no ataque sem tréguas ao adversário que pode lhe tirar a eleição – representa a negação da política, uma contrafação da democracia, um golpe covarde e oportunista contra um eleitorado que, em sua maioria, vota de boa-fé, acreditando naquela plataforma que afinal se revelou uma rotunda falsidade.
 
Em outros tempos era mais fácil enganar os eleitores. Hoje em dia fica mais difícil, ou praticamente impossível, lograr êxito com a mentira. Mas será que isso é verdade? Seja pela informação política instantânea nas redes sociais, seja pelo acompanhamento permanente das ações da gestão, seja pela transparência que passou a ser lei, facilitando ao grande público a crítica e a cobrança, realmente ficou um tanto mais difícil.
 
Sem falar que a imprensa está mais vigilante, inserindo-se como protagonista de uma era que exige firmeza e coragem, reforçando o jornalismo investigativo, deixando, quase sempre, gestores públicos em situação de permanente alerta e precaução.
 
Desse modo, a democracia se torna mais viva e atuante, fortalecendo o elo entre governantes e governados. É bom acentuar que não vivemos num mundo de santos, notadamente no mundo da disputa política, que se manifesta de várias formas: no pecado, na inconsequência, na coragem, no ideal ou na pureza.
 

A MENTIRA E O DINHEIRO VENCERÃO?

Além da demagogia e do populismo, ressurge, driblando e desafiando a Justiça Eleitoral, a influência do poder econômico nas eleições.
 
Apesar da proibição do uso de dinheiro privado, será o caixa dois, mais uma vez, protagonista da fraude oculta em benefício dos candidatos mais ricos. Aí está uma legislação permissiva, que não estabeleceu limites de gastos para os candidatos milionários.
 
Quem não sabe da influência nefasta dos endinheirados, que já são considerados eleitos por antecipação, em virtude de oferta de dinheiro por fora que corre à solta no interior e até mesmo na capital? Boa parte dos mandatos será comprada infelizmente e veremos algumas poucas investigações que irão a fundo e chegarão a bom termo.

O POVO RECLAMA DA VIOLÊNCIA, DO TOMA-LÁ-DÁ-CÁ, DA MOROSIDADE DA JUSTIÇA,  DA  CORRUPÇÃO E DOS IMPOSTOS, ETC

Mudando de assunto, devo assinalar que o fracasso da gestão administrativa que quase se vulgarizou em todos os rincões do Brasil deve-se, em grande parte, a defeitos que se eternizam na estrutura do aparelho de Estado.
 
Seria preciso uma reforma introduzindo novos eixos que assegurem o cumprimento das funções essenciais do Estado, como a aplicação de políticas públicas de segurança, saúde e educação e a construção de redes de proteção social em caráter permanente, com o objetivo de reduzir as desigualdades entre pessoas e as disparidades entre regiões e Estados federados.
 
As garantias dos meios de sobrevivência da população não se traduzem apenas na preocupação com índices de emprego. A ocupação de vagas no mercado de trabalho deve ser uma luta constante de governos e da sociedade civil, mas não se resume a isso.

Há diversos fatores que contribuem para a desconfiança em relação a governos e instituições. Aponto alguns destes: a violência reinante em nosso País e a superlotação nas prisões, que traduzem a fragilidade das políticas de segurança e do sistema prisional; a falta de compreensão das autoridades no combate às drogas, ao não assumirem, em relação ao usuário, uma atitude consciente de tratá-lo como um doente, facilitando-lhe o acesso ao sistema de saúde; a enxurrada de partidos políticos sobrevivendo às custas do fundo partidário, abastecido com dinheiro do contribuinte, e participando do toma lá dá cá com o governo; o acúmulo de processos e a morosidade da Justiça; a corrupção que se tornou endêmica, aumentando o descrédito da classe política; a concentração da maior parte da arrecadação nas mãos da União, em detrimento dos Estados e Municípios, que atingiram o patamar perigoso de quase absoluta insolvência, exigindo uma reforma tributária para redução da carga e para dividir com equidade os impostos pagos pelo povo brasileiro.

O QUE VAI PESAR NA ELEIÇÃO, O NOVO, A HONESTIDADE E A EXPERIÊNCIA,  OU TODOS ESSES FATORES JUNTOS?

Em 2018, o eleitor será influenciado, por certo, pela propaganda política. Todavia, o eleitor, levado por tantas tentativas frustradas de votos errados ou equivocados, poderá levar em conta dessa vez não apenas a garantia de sucesso administrativo a ser prometido nas campanhas eleitorais em todo o nosso País.

O eleitor, espero, vai pesar a experiência do candidato, a sua honestidade e a sua capacidade de inovação e criatividade. O eleitor está pensativo e desconfiado.
 
Aqueles que conseguirem transmitir uma mensagem de concretude que possa convencer almas e corações, para resolver as coisas aparentemente complexas como a segurança pública, saúde, educação e emprego, e souberem se colocar no lugar do povo, que sofre as consequências da corrupção, da irresponsabilidade e da má gestão, serão os escolhidos para o novo tempo que está por vir.
 
O povo sempre está atrás do novo, de um novo projeto, de um novo programa, mas não repudia os mais velhos que surjam com novas ideias para tirá-lo do sufoco e da decepção em que vive.
 
A longevidade bem-sucedida, que avança e acompanha a modernidade, é uma fonte segura de renovação de métodos e ações.
 
A renovação é um estado de espírito que é sempre bem-vindo ao aperfeiçoamento da democracia. E ela, a renovação, encontra-se numa sociedade sem preconceitos, na cabeça de pessoas de todas as idades e dos que lutam para melhorar a vida do povo.
 
ACV