política

Saumíneo escreve: O Legado Econômico de Albano Franco – Parte 1

Este artigo é mais um na série que estou escrevendo sobre os legados dos Ex Governadores de Sergipe da Chamada Nova República.

Albano do Prado Pimentel Franco foi um Governador com uma singularidade, o pai (Augusto do Prado Franco) também foi Governador de Sergipe (1979-1982). Um caso quase similar foi o de Gilton Garcia, que foi Governador do Estado do Amapá e o pai (Luiz Garcia), foi Governador de Sergipe (1959-1962). Na política sergipana Albano Franco ocupou os seguintes cargos: Deputado Estadual (1967-1971), Deputado Federal (2007-2010), Senador da República (1983 a 1994) e Governador (1995-2002).

Governador Albano Franco – 1995-2002

Albano Franco foi mandatário de Sergipe por dois mandatos e construiu um relevante legado de obras estruturantes, algumas delas serão apresentadas nos dois ensaios que apresentarei. Outros cargos de repercussão importante para o legado construído na política foram: Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES), Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Presidente da Associação de Industriais Latino Americanos (AILA), Diretor do Departamento Nacional do SENAI, Diretor do Departamento Nacional do SESI e Presidente do Instituto Euvaldo Lodi.

Do ponto de vista de formação acadêmica, Albano Franco é mais um Governador sergipano formado em Direito, mas com uma atuação muito vinculada ao setor empresarial, especialmente no ramo industrial e de serviços e também é um Governador nascido na capital sergipana, Aracaju.

No legado da agricultura do Governo de Albano Franco, foram realizadas diversas ações importantes, a saber: Programa de Revitalização da Citricultura, quando foi assinado um protocolo de atuação envolvendo produtores, agentes financeiros, indústrias beneficiadoras, envolvendo assistência técnica; ocorreu a implantação do Pró-Sertão, programa em convênio com o FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), que permitiu desenvolver ações nas áreas de abastecimento, treinamento, implantação de matadouros; foi no Governo de Albano Franco que o Estado de Sergipe conseguiu o certificado de Zona Livre de Febre Aftosa com vacinação, o que permitiu ao Estado contribuir com o país a exportação de carne bovina para outros países; foram realizadas as obras de conclusão do Platô de Neópolis; implantação do projeto Jacaré – Curituba, no município de Canindé do São Francisco; foi realizada a implementação do funcionamento nesta localidade de uma agroindústria de beneficiamento de arroz; foi implantado um programa de distribuição de sementes selecionadas de milho, feijão e arroz, atendendo cerca de 60 mil produtores no Estado.

Do ponto de vista de obras, destacam-se: construção de diversas rodovias; revitalização da rodovia do sertão; duplicação de várias adutoras; construção de mercados em Aracaju; construção de ginásios de esportes na capital e interior; início da duplicação da BR 101 (a entrada de Aracaju); construção de importantes hospitais no interior do estado de Sergipe, com destaque para os municípios de Estância, Lagarto e Nossa Senhora da Glória.

No desenvolvimento da cultura e turismo realizou as seguintes obras: construção do Teatro Tobias Barreto em Aracaju; construção do Centro de Convenções em Aracaju; reforma da Biblioteca Pública Epifânio Dória; reforma do arquivo público de Sergipe; construção da passarela do caranguejo na orla de Aracaju; construção da interligação da Atalaia com a então Rodovia José Sarney; duplicou a Rodovia da Melício Machado, facilitando a mobilidade urbana na zona de expansão de Aracaju, construiu a rodovia César Franco ligando a Barra dos Coqueiros a Pirambu. Para desenvolver o turismo sergipano foi lançada uma importante campanha denominada de “ Sergipe é o país do forró”, este projeto valorizava e enaltecia a cultura junina de Sergipe, permitindo que o São João local fosse divulgado com bastante antecedência e envolvia os artistas locais e as quadrilhas juninas, a gastronomia e a cultura sergipana.

Ainda no campo do turismo e do esporte ocorreu em Sergipe a realização de um campeonato brasileiro de Beach Soccer, como o evento teve transmissão nacional, ajudou na divulgação turística de Sergipe. Também foi realizado o Brazil National Tourism Mart (BNTM) em Sergipe, que sempre foi o maior evento turístico do Nordeste, no qual reúnem-se os maiores operadores do turismo no Brasil e no Nordeste, referido acontecimento foi mais uma ação importante na divulgação do destino turístico de Sergipe.

Ainda como ação de desenvolvimento do turismo sergipano, foi construído um Oceanário em Aracaju, com funcionamento do Projeto Tamar. Este é um local de muitos visitantes, especialmente os turistas, referido projeto mantém uma estrutura com aquários, tanques, loja, serviços e um Centro de Educação Ambiental no município de Pirambu, com prioridade no trabalho de educação ambiental junto as comunidades e escolas da região.

No Governo de Albano Franco, os recursos do PRODETUR/NE que foi um programa implantado pelo Governo Federal em 1992, através do Ministério dos Esportes e Turismo e elaborado em parceria com o BNDES, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), junto com os Governos estaduais nordestinos, teve o foco e êxito de ampliar a infraestrutura do turismo em Sergipe, com destaque para as seguintes obras: revitalização do Centro Histórico e Comercial de Aracaju, recuperação e construção de mercados em Aracaju, melhoria da infraestrutura do aeroporto de Aracaju, construção da Orla da Caueira no município de Itaporanga d’ Ajuda, construção da Orla de Gararu, construção da linha Verde Aracaju – Salvador,  dentre tantas outras obras.

No legado da Educação, no Governo de Albano Franco foi implantado o ensino médio em todos os municípios sergipanos e foi criado um programa de qualificação de docentes que viabilizou que quase 3.000 professores do interior que não possuíam curso superior pudessem ter efetivamente o seu diploma.

No próximo artigo irei continuar abordagem do legado de Albano Franco, destacando ações em outros segmentos como o desenvolvimento industrial sergipano e a sua passagem no Senado e na Confederação Nacional da Indústria.

Saumíneo Nascimento

a) Saumíneo da Silva Nascimento

Economista

Exerceu os seguintes cargos: Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Presidente do Banese (no governo de Marcelo Déda). Diretor da Sudene e Superintendente do BNB (Governo Lula).

Atualmente é Conselheiro do BNB e Vice-presidente de Relações Institucionais da Unit. 

 
 

 

 

 

A Sucessão nos Bastidores da Política, apesar da Pandemia

A SUCESSÃO FERVE NOS BASTIDORES

Quem estiver pensando que a pandemia está impedindo uma forçação de barra para a viabilização,  dentro do bloco do governo, de nomes com vistas à sucessão de 2022, está muito enganado.

Movimentam-se nos bastidores, procurando fortalecer suas pretensões, os deputados federais Laércio Oliveira (SD), Fábio Mitidieri (PSD) e o senador Rogério Carvalho (PT). Todos lutam pela preferência do governador Belivaldo Chagas. É bem possível que neguem publicamente, mas a verdade é que só pensam naquilo e agem com muita devoção a esses afazeres futuristas. Eles sabem que Belivaldo não tem voto. Mas tem o governo em suas mãos, a caneta pra nomear ou demitir, mexer em secretarias e órgãos do governo, e dispõe, ainda, do poder para anular privilégios e vantagens de empresas que sobrevivem às custas do erário.

Esse poder transitório de alterar o conforto de muita gente para mais ou para menos, num Estado pequeno e pobre como Sergipe, que é altamente dependente do poder público, impede, salvo no campo da oposição, posicionamentos de ordem política sem o carimbo do governo, os quais, se não forem cuidadosamente sopesados poderão gerar perdas de difícil reparação.

O “X” DA QUESTÃO E O IMPONDERÁVEL.

É aí onde está o “x” da questão, o sonho de quem milita na oposição ver quebrada a aliança governista, para a partir daí drenar em seu favor o caminho do poder. Há quem pregue o contrário, de  que nem que a vaca tussa tal fato não se consumará.  A não ser que aconteça,  como acreditam os supersticiosos, algo que chamamos de imponderável cujo encadeamento escapa à visão de um simples mortal. 

Em todo caso, devemos compreender que a atração que o poder exerce é uma  realidade na região Nordeste, e a situação de Sergipe não pode ser diferente, onde, aliás,  predomina quase sempre a vontade do grupo político que tem ao seu lado a força do governo. 

NEM SEMPRE O PODER POLÍTICO E O DINHEIRO GANHAM ELEIÇÕES

Em meio a esse incontrastável poderio do governador Belivaldo, no entanto, vimos, nas eleições municipais,  o vexame que ele passou em sua terra natal, Simão Dias, quando, para ajudar ao seu candidato a prefeito, mudou informalmente a capital para lá, usou e abusou do poder político, inclusive com ameaças a empresários e eleitores, sem obter êxito em tal estratégia.

Há quem considere que Simão Dias foi uma exceção.

Mas é bom anotar que aquele pleito municipal deu um aviso bastante perceptível de que nem sempre o poder político e o dinheiro, garantem o sucesso de uma campanha majoritária.

A ELEIÇÃO DE 2018, UM FENÔMENO À PARTE. NÃO HAVERÁ REPIQUE EM 2022

Há uma constatação a ser lembrada aqui, mas que a mídia de um modo geral deixa de opinar porque isso contraria bastante o governador. Trata-se do tema de sua reeleição em 2018, quando dois fatores contribuíram para o resultado: 

1) O abuso do poder político, conforme comprovou o TRE, pelo placar de 6×1, em cuja decisão cassou-lhe o mandato, mantendo-o no poder, em face de uma liminar ao TSE; e

2) O apoio de Lula, à chapa majoritária, o qual mesmo preso em Curitiba, foi capaz de mostrar a sua força eleitoral naquele momento, ao apoiar os nomes contidos na chapinha  distribuída por cabos eleitorais em todos os recantos do Estado, contendo os nomes de Haddad, Belivaldo e Rogério como seus candidatos, os quais exploraram ao máximo o discurso de “Lula Livre”, como um refrão bem sucedido do marketing durante toda a campanha.

Apurados os votos, viu-se que na região Nordeste, as urnas confirmaram a eleição de 9 governadores, 4 senadores do PT, e outros tantos, entre seus aliados.

AS FAVAS CONTADAS E O IMBRÓGLIO DA SUCESSÃO

O primeiro passo a ser tomado, antes de qualquer discussão sobre o tema, seria aguardar a finalização do processo no TSE. Mas como poucos são os que acreditam na punição máxima da perda de mandato do governador, vamos raciocinar com parcimônia, sem previsão antecipada, deixando esse assunto tão delicado, a cargo da Justiça que tem competência para resolver. 

Não é demais registrar que apoiadores do esquema de poder, esquentam as mídias dando como favas contadas mais uma vitória do candidato que for apoiado pela máquina do governo do Estado e de quase todas as prefeituras, inclusive a de Aracaju,  confirmando mais quatro anos de domínio político do agrupamento. A única dúvida nessa equação é se Edvaldo apoiaria a Rogério Carvalho, o candidato natural do PT ao governo do Estado, tendo em vista que romperam ou esfriaram os seus laços políticos nas eleições municipais de 2020, com as tintas da desconfiança. 

O Senador Rogério Carvalho, no período da eleição, ainda terá seis longos anos de mandato. Portanto, é  esperado que, tendo mandato e tempo, almeje uma candidatura de governador. Sabe-se que Belivaldo e Edvaldo hoje em dia rezam numa mesma cartilha. Se assim for como fazer um arranjo político para que o PT conte com o apoio dos dois mandantes, o do governador de Sergipe e do prefeito de Aracaju, se há, como é público e notório, queixas tão evidentes? Uma boa pergunta a ser respondida no prazo das desincompatibilizações, começo de abril de 2022.

Pode ser que Edvaldo seja picado pela mosca azul e resolva renunciar a prefeitura para disputar o governo, fato que agradaria sobremaneira ao governador Belivaldo, uma vez que a sua correligionária do PSD, e sua protegida, a delegada Katarina sentaria na cadeira hoje ocupada pelo ex-comunista para exercer um mandato com duração de dois anos e nove meses.

 

A BALA NA AGULHA

Aí é onde a porca torce o rabo, pois esse é o projeto tentador de Belivaldo, uma bala na agulha à espera para ser disparada. Mataria dois coelhos de uma só cajadada, deixando no governo como seu sucessor o mais recente e leal amigo e na prefeitura a mais nova e fiel amiga que a politica arranjou para ele, se a eleição vingar. Como eu costumo lembrar: “A política é arte do diabo!”. 

O ELEITOR COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA PODE ESTAR PERGUNTANDO AOS SEUS BOTÕES

Mas o eleitor comum, como hoje é o meu caso, pode não estar pensando dessa forma. Fica  com a pulga atrás da orelha, perguntando aos seus botões: se o homem não tem voto, se Lula, o grande eleitor de 2018, está em liberdade, a bolsa família continua sendo paga e não tem mais padrinho, se este discurso já perdeu o sentido, qual o próximo discurso a viabilizar a eleição do candidato do governo?

O que esperar do apoio de um governo a um candidato à sua própria sucessão , cuja atuação ainda não ganhou a confiança nesses três anos de mandato, e que aparece aos olhos da população como insípido, inodoro e incolor?

Muito tempo ainda pela frente para uma avaliação segura.

TUDO TEM O SEU TEMPO DETERMINADO, E HÁ TEMPO PARA TODO O PROPÓSITO DEBAIXO DO CÉU (ECLESIASTES 3:1)

No  meu humilde  pensar, melhor a turma do governo, e da própria oposição,  mudar de foco, nesta fase triste pela qual passa o nosso Estado, com mortes e infestação por coronavírus em alta. Seguir o conselho do Eclesiastes, aguardar o tempo certo. Agora é o momento de combater a pandemia como prioridade número 1, lutar para salvar vidas, estruturar o sistema de saúde e prover os hospitais de respiradores e leitos, imunizar em massa a população contra a COVID-19, ao invés mergulhar em planos e articulações para manter-se no poder, salvar secretarias e cargos em Comissão,  vantagens e privilégios ou ganhar mandatos eletivos nas eleições de 2022. 

 

Antonio Carlos Valadares – ACV

Advogado, ex-governador, ex-senador da República

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A inflação ajudou Fernando Collor a tornar presidente

Um novo Sergipe na Nova República

Até os anos 70, do sec. 20, Sergipe era um Estado muito carente de obras de infraestrutura. Podia-se contar nos dedos a existência de boas estradas, de ações voltadas para o combate às secas e a fixação do homem à terra.

Apesar de Sergipe fazer parte da Bacia do rio São Francisco a escassez de água potável  nos municípios do Sertão e do Agreste era visível, aumentando o sofrimento de seus habitantes durante os longos períodos de estiagem.  Até a nossa capital, Aracaju, vivia o drama da falta do precioso líquido, ou até mesmo a ameaça de um colapso de fornecimento.

Por sorte, a Petrobras, uma força econômica em nosso Estado, precisava tocar os seus empreendimentos industriais, e a água era um insumo indispensável.

Em parceria com o governo Augusto Franco, a Petrobras construiu a adutora do rio São Francisco, destinada a suprir seus projetos (usina de Potássio e fábrica de Amônia e Uréia-Fafen), bem como ao abastecimento d’água de muitas cidades ao longo de seu percurso, desembocando em Aracaju, numa primeira etapa da realização dessa obra.  

Podia-se dizer que a adutora do São Francisco era uma obra redentora. 

O Sertão virava uma terra de ninguém durante as secas que dizimavam os rebanhos e provocava o fenômeno da evasão do homem do campo para as cidades à procura de água e comida. 

As secas acarretavam a interrupção e o esvaziamento das atividades econômicas tradicionais, como o plantio e o criatório de gado, e de caprinos e ovinos,  uma economia incipiente, mas, indispensável aos pequenos negócios e à alimentação da população sertaneja.

Assumi o governo de Sergipe no dia 15 de março de 1987. Slogan escolhido, Governo do Novo Sergipe. A Nova República, que fora construída e idealizada por Tancredo, por um imperativo do destino, se encontrava nas mãos de José Sarney. 

O Plano Cruzado de combate à inflação

José Sarney,  Vice-presidente, assumiu o governo da Nova  República, no dia 15 de março de 1985, em substituição ao presidente Tancredo Neves, que morreu antes da posse, emocionando o Brasil, deixando-nos à mercê do imprevisível.

Mas, parecia que a Nação, ainda que despedaçada pela dramaticidade daquele infortúnio, não perdera a esperança de melhores dias. O povo compreendeu a situação e deu a  Sarney, no começo, um crédito de confiança a seu governo que se instalava em caráter de transição com vistas à retomada da plenitude democrático.

Sarney lançou, em  fevereiro de 1986,  o “Plano Cruzado”  que tinha como objetivo conter a inflação. Em 1985 chegou a 235% ao ano. 

O referido plano, nos primeiros meses foi um sucesso nunca antes experimentado no Brasil. Sarney tornou-se de um dia para o outro uma figura estimada, um presidente visto e respeitado como um político decidido e corajoso ao vigiar com firmeza o abuso da remarcação dos valores dos produtos nos supermercados, e a punição a fazendeiros que escondiam suas boiadas esperando a evolução dos preços da arroba para auferirem mais lucros em cima da população. As pessoas, espontaneamente, apareciam de caderneta na mão como “fiscais de Sarney“.

O PMD venceu em todos os Estados, à exceção de Sergipe 

Nas eleições de 1986, o PMDB, partido do presidente Sarney, conseguiu eleger todos os governadores, menos em Sergipe, cujo candidato  José Carlos Teixeira (PMDB) foi derrotado nas urnas. Fui seu adversário, sendo eleito com mais de 52 mil votos de frente.

No dia da minha posse como governador – 15 de março de 1987

Apoiado pela coligação  PFL, PSB, PL, PCB e PCdoB, tive 53% dos votos válidos e José Carlos 43%. A nível de Estado, tínhamos uma aliança muito popular, com João Alves (PFL), governador,  e Jackson Barreto (PSB), prefeito da Capital, ambos no auge do prestígio político. Eu era um candidato a governador jovem (43 anos de idade), sem máculas, com uma participação intensa no legislativo e na administração pública (prefeito de Simão Dias, deputado estadual por duas legislaturas, presidente da Alese, Secretário de Estado da Educação e Cultura e deputado federal), transmitindo nos discursos de campanha o compromisso da continuidade de um governo realizador, e trazendo uma proposta diferenciada de desenvolvimento com justiça social. 

O Plano enquanto durou os brasileiros amaram

Somando-se a tudo isso, ainda tínhamos a simpatia do presidente da República José Sarney, cuja popularidade chegara às alturas com a execução do Plano Cruzado que, até então, estava dando certo.

Eu tive participação muito ativa, junto com Sarney,  para a formação de um agrupamento político que foi denominado Frente Liberal, embrião do PFL, visando a eleição de Tancredo Neves para presidente, ainda no processo de eleições indiretas, pelo Colégio Eleitoral, como estratégia para vencer o regime militar dentro do sistema que ele próprio criara.

Após aquela eleição indireta, e que seria a última, o compromisso de todos os que compunham o Movimento da Frente Liberal, seria a  instauração do sistema democrático com eleições diretas para todos os cargos, e a elaboração de uma nova Constituição, pela transformação do futuro Congresso Nacional em Poder Constituinte.   

A Equipe econômica de Sarney deu a ideia do lançamento do Plano Cruzado como solução salvadora para derrubar o processo inflacionário que recrudescia a cada dia, quando medidas drásticas foram anunciadas, a saber:  congelamento de preços e a substituição da moeda corrente do país, do cruzeiro para o cruzado (daí o nome do plano).

A INFLAÇÃO DO FIM DO MUNDO, 84,3% AO MÊS

Todavia, de nada adiantaram essas medidas para frear a inflação que parecia indomável. O plano virou água. O processo inflacionário assumia proporções imprevistas, com números que assombravam a todos, fazendo decair a popularidade do presidente, deixando um horizonte incerto para o Brasil, e se espalhando para todos os Estados como um rastilho de pólvora a explodir na primeira eleição que surgisse à frente. E o presidente Sarney, que se tornara, como disse acima, uma figura popular, no entanto – depois que eclodiu de forma violenta o monstro da inflação, acabando a boa perfomance do Plano Cruzado -,  passou a ser estigmatizado, xingado e ridicularizado pela população.

Fases de insatisfação quase sempre redundam no surgimento de milagreiros, o povo se apegando a qualquer um que saiba manipular os sofrimentos e as frustrações.

O  eleitor foi na onda da novidade e do populismo salvador.  A rota da  frustração de um povo

 

A Era Fernando Collor

Foi daí que surgiu, em meio à frustração popular, o famoso caçador dos marajás, Fernando Collor, então governador de um pequeno Estado do Nordeste que passou a ser visto pelo povo como o Salvador da Pátria, um novo Messias vindo das Alagoas, que nos livraria da inflação e varreria toda a corrupção e privilégios que imperavam no País.

 

Aquele  jovem candidato, dono de um discurso persuasivo e encantador, entraria no gosto do eleitorado, derrotando Lula no 2º turno (pleito de 1989), numa campanha sem fôlego, atraindo multidões de eleitores para o seu lado.

Ao assumir as rédeas do governo com Zélia no comando da Economia, Collor nos levaria à retenção da caderneta de poupança, e a uma grave crise institucional, abatido que fora por um impeachment – como resposta à frustração que voltou a reinar nas mentes  e nos corações desse Brasil verde e amarelo. O governo Collor caiu em meio a um lamaçal de escândalos. O seu próprio irmão Pedro Color em entrevista de primeira capa da Veja o denunciou como beneficiário de um esquema de corrupção e  de lavagem de dinheiro, tendo como artífice PC Farias, que havia sido o tesoureiro da campanha presidencial.

Collor tomou posse como presidente em 15 de março de 1990, e renunciou em 29 de dezembro de 1992.

Em recente decisão do STF Collor foi condenado a cumprir uma sentença de mais de 8 anos de prisão em regime fechado, convertida em prisão domiciliar fundamentada em comorbidades (a principal, mal de Parkinson), comprovadas em exames médicos.

Por muito tempo presidiu a comissão de relações exteriores do Senado.

Fui colega de Collor no Senado. Sentava-se na primeira fila do lado esquerdo do plenário. Discreto, atencioso e educado. 

Toda vez que eu me dirigia à sua cadeira para cumprimenta-lo, ele, num gesto de referência, fazia questão de levantar-se e apertava minha mão dizendo sempre comumente: “como vai governador?”. 

Lembro-me de que quando o MPF abriu contra ele inquérito para apurar supostas crimes de recebimento de propinas de empresas investigadas pela Lava Jato, Collor insistiu em proferir discursos com palavras fortes pontuando parcialidade e falsidade de todas as acusações.  E o alvo frequente de suas palavras era Janot, então Procurador geral da República, a quem chegou a chamá-lo de fascista em discurso proferido na tribuna depois que tomou conhecimento de que se tornara réu em face da denúncia da PGR.

 

O GATILHO SALARIAL, PARA COMPENSAR AS PERDAS COM A INFLAÇÃO GALOPANTE

Voltando ao governo Sarney, a inflação foi subindo até chegar ao seu ponto máximo em março de 1990, a uma  taxa incrível de 84,3% ao mês. 

Não fosse o gatilho salarial que implantei, garantindo uma reposição da remuneração dos servidores toda vez que a inflação atingia 20%, o Estado teria que hibernar em greves permanentes pela diluição dos ganhos daqueles que movimentavam a máquina estatal, os funcionários públicos.

Para não perder com a inflação galopante e ter algum saldo para assegurar pelo menos o pagamento da folha sem atrasos, todos os recursos do Estado, obrigatoriamente, tinham que estar no overnight, uma modalidade de aplicação financeira que garantia uma renda fixa todos os dias. Se não tomássemos essa providência, a arrecadação praticamente zerava ao fim do mês. 

Hoje em dia, quando a inflação nem chega à casa dos 5% ao ano, em comparação com aquele período em que governei, tendo que enfrentar uma taxa inflacionária superando o patamar de  80% ao mês, assistimos  hoje governadores ameaçando decretar estado de calamidade financeira. Não passam de uns meninos mimados, chorando e gritando , de pires na mão, atrás de ajuda de Bolsonaro, para resolver a crise que eles próprios criaram.   

Com a implantação de projetos de irrigação nos anos de 1980, como o Califórnia, e os das adutoras, (projeto Chapéu de Couro, 1° governo João Alves), a situação começou a melhorar. 

Todos esses projetos tiveram continuidade no período em que governei o Estado (87-91), fazendo a sua implantação definitiva com o assentamento de produtores, fornecendo apoio financeiro e assistência técnica.

As realizações de nosso governo  que teve a duração de 4 anos, sem direito à reeleição, são postadas em várias partes deste blog. 

ACV

Saumíneo escreve: O Legado Econômico de Marcelo Déda – Parte 2

Neste ensaio concluirei a abordagem do legado econômico do Governador Marcelo Déda Chagas, destacando mais alguns pontos do que foi deixando para as gerações futuras.

 

Governador Marcelo Déda

 

Foram inúmeras obras de infraestrutura que Marcelo Déda realizou com a sua equipe de governo. Ele também foi um construtor de pontes, a saber:  Ponte Gilberto Amado (1.712 m), inaugurado em 29 de janeiro de 2013, ela fica entre os municípios de Estância e Indiaroba e facilitou a interligação de Sergipe com a Bahia em mais uma rota turística; Ponte Joel Silveira (1.080 m), inaugurada em 30 de março de 2010, a ponte liga Aracaju ao município de Itaporanga d´Ajuda, propiciando o desenvolvimento do turismo do sul do estado; além destas duas principais pontes, foram realizadas cerca de 30 pequenas pontes  em rodovias sergipanas, entre elas uma no município de Riachuelo. No Governo de Marcelo Déda também foram recuperadas algumas pontes, especialmente a interligação da Região Metropolitana de Aracaju, a exemplo da ponte sobre o Rio do Sal com o Conjunto Marcos Freire, ponte sobre o Rio do Sal com o Conjunto João Alves, duas pontes no Orlando Dantas, duas pontes da Rodovia Paulo Barreto. Destaca-se também a construção do novo viaduto do Detran.

Ainda no quesito do legado de infraestrutura, foram implantadas diversas rodovias, a saber: Rodovia Carira a Nossa Senhora da Glória (46 Km); Rodovia Vaca Serrada para Niterói (32 Km); Rodovia Umbaúba para Indiaroba (27 Km); acesso ao povoado Santa Rosa do Ermírio em Poço Redondo (28 Km); Rodovia Siriri para Divina Pastora (15 Km), Rodovia Rosário do Catete para General Maynard (12 Km); Rodovia São Cristóvão para Povoado Rita Cacete (8 Km); Rodovia Porto da Folha para o Povoado Ilha do Ouro (7 Km); Rodovia Propriá para Neópolis (26 Km); Rodovia Neópolis para Ilha das Flores (5 Km); Rodovia Canhoba para Aquidabã (20 Km); Anel Viária de Itabaianinha (12 Km); Rodovia Itabaianinha para Tomar do Geru (20 Km); Rodovia  Convento para o Pontal (7 Km); enfim foram mais de 350 Km de rodovias implantadas, sendo um importante legado para a melhoria da logística rodoviária em Sergipe. Além disso, foram recuperados quase 800 km de rodovias, a exemplo da Rota do Sertão (210 Km); Rota da Integração (110 Km); Rodovia Lourival Batista (70 Km); Rodovia BR 101 ao Porto ; Rodovia Porto para Pirambu (20 Km), etc.

Também ocorreu o legado de várias obras que foram iniciadas, a exemplo da construção dos Hospitais Regionais de Lagarto e Estância; construção do complexo do SergipeTEC; construção da adutora do Semiárido; construção da Barragem do Poxim; construção de 600 casas em Nossa Senhora do Socorro; cnstrução de 580 casas no Bairro Porto Dantas em Aracaju, etc.

No legado para o setor de saúde, vale destacar a implantação das Clínicas de Saúde da Família (CSFs) que foram entregues aos municípios sergipanos, dentro de uma estratégia de descentralização da atenção primaria da saúde. Fora unidades que com infraestrutura para atendimento com qualidade das necessidades básicas dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Secretariado também influencia no legado que os governantes deixam, então o grupo de secretariado em suas gestões foram importantes para o legado deixado, a exemplo dos Engenheiros, Antônio Sergio Ferrari Vargas, João Andrade, Jorge Santana, Valmor Barbosa Bezerra; do Biólogo Genival Nunes Silva; do Economista José de Oliveira Junior; dos Advogados: Benedito de Figueiredo, Clóvis Barbosa, Elber Batalha Filho, Luiz Eduardo Oliva, Márcio Leite de Rezende; dos Médicos: Jorge Alberto Teles Prado e Rogério Carvalho e diversos outros importantes executivos sergipanos.

No campo cultural, dois legados são destaques do Governador Marcelo Déda: as inaugurações de Museus: Em 21 de maio de 2010, foi inaugurado o Palácio Museu Olímpio Campos, foi uma inauguração muito histórica pois estavam presentes diversos ex Governadores que construíram a história de Sergipe. Destaco a seguinte fala do discurso de Marcelo Déda na inauguração do Palácio Museu Olímpio Campos: “Os palácios, como as nações, os estados, não são feitos por um homem só. Ninguém pode dizer eu fiz Sergipe. Cada um dá a sua contribuição”. Em 26 de novembro de 2011, Marcelo Déda inaugurou o Museu da Gente Sergipana, o museu foi instalado no antigo prédio do Atheneuzinho, que foi totalmente restaurado pelo Banco do Estado de Sergipe (Banese), em parceria com o Governo do Estado, abrigando um espaço de multimídia de última geração. Posteriormente o Governador Jackson Barreto homenageou Marcelo Déda, designando o museu como Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda.

O legado econômico na área ambiental realizado por Marcelo Déda foi importante para um desenvolvimento sergipano sustentável, diversas ações voltadas para a preservação e proteção do meio ambiente do Estado foram realizadas, a exemplo de: investimentos em ferramentas e políticas públicas ambientais voltadas para a regularização ambiental de empreendimentos, educação ambiental, fiscalização, monitoramento, planejamento ambiental, gestão das águas e comitês de bacias, meteorologia e gestão de áreas protegidas. A transformação da Adema em autarquia especial permitiu o lançamento do licenciamento simplificado, viabilizando agilidade na implantação de novos empreendimentos de baixo impacto ambiental. Ainda na área ambiental o Programa Águas de Sergipe, com recursos originários do Banco Mundial possibilitou ações diretas na recuperação de áreas degradadas, melhoria da eficiência na irrigação, no abastecimento público e nas obras de esgotamento sanitário.

A criação de uma Secretária de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania eu entendo como um legado relevante, na perspectiva de busca de melhor atendimento das demandas da sociedade na temática direitos humanos. Referida Secretaria tinha em sua estrutura os Conselhos Estaduais dos Direitos da Pessoa com Deficiência; da Pessoa Idosa; da Criança e Adolescente, que desenvolveram ações para melhoria das condições sociais de Sergipe.

Registro que os dois ensaios abordaram parte do legado de Marcelo Déda Chagas (que foi Deputado Estadual, Deputado Federal, Prefeito de Aracaju e Governador de Sergipe), um sergipano que deixou legados para as gerações, registro então a nossa eterna gratidão e muito obrigado pelo que foi construído.

Nos próximos artigos, continuarei a abordagem de legados de outros governadores sergipanos.

 

Saumíneo da Silva Nascimento

Economista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saumíneo escreve: O Legado Econômico de Marcelo Déda – Parte 1

Marcelo Déda Chegas reforçou a tradição do município de Simão Dias de ser terra de nascimento de Governadores. Além de Marcelo Déda foram Governadores de Sergipe também nascidos em Simão Dias: Sebastião Celso de Carvalho (Governador de 1964 a 1967); Antônio Carlos Valadares (Governador de 1987 a 1991); e o atual Governador, Belivaldo Chagas.

 

Governador Marcelo Déda

 

O Governador Marcelo Déda Chagas foi mandatário de Sergipe por duas vezes e construiu um relevante legado de obras estruturantes, algumas delas serão apresentadas nos dois ensaios que apresentarei. Antes de ser Governador de Sergipe, Marcelo Déda foi: Deputado Estadual por Sergipe (um mandato), Deputado Federal (dois mandatos consecutivos), e Prefeito de Aracaju (dois mandatos consecutivos). Ele foi um Governador que faleceu no exercício do seu mandato, com apenas 53 anos e causou grande comoção popular.

A formação em Direito de Marcelo Déda, é também a formação da maioria dos Governadores de Sergipe da chamada Nova República, também são formados em Direito os Governadores: Antônio Carlos Valadares, Albano do Prado Pimentel Franco, Jackson Barreto de Lima e o atual Governador, Belivaldo Chagas Silva. Dos Governadores da Nova República em Sergipe, apenas João Alves Filho (formado em Engenharia Civil), não era formado em Direito. Esta formação em Direito tinha um olhar especial para as questões sociais da sociedade sergipana, especialmente em quesitos de Direitos Humanos.

No setor rural, o Governador Marcelo Déda sempre reiterava a importância estratégica da agricultura e da pecuária em seu governo, por isso que viabilizou ações que resultaram no aumento da produção de grãos e leite, bem como o assentamento de milhares de famílias, com assistência técnica e acesso direto a crédito que consolidaram a agricultura familiar em Sergipe. Este fortalecimento da agricultura familiar envolvia ações para além da Secretaria da Agricultura do Estado, mas também outras pastas, a exemplo da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social, que na época (2011), conduzida pela 1ª Dama, Eliane Aquino, criou a Feira da Agricultura Familiar que visava a dinamização da comercialização dos próprios produtores, criando uma estrutura, com assistência técnica e orientação, que estimulou, inclusive, a produção orgânica, o que facilitou o desenvolvimento das ações do Programa Nacional da Alimentação Escolar, adquirindo a produção da agricultura familiar para a merenda escolar.

No quesito pecuário, o Governador Marcelo Déda, sempre buscou estimular os produtores, e trabalhava um conceito denominado de ExpoSergipe, dinamizando as atividades, estimulando o comércio e os negócios da pecuária sergipana, tanto a pecuária tradicional de gado leiteiro e de corte, como também a ovinocultura. Além disso, foram desenvolvidas ações que contribuíram para o melhoramento genético dos animais criados em Sergipe. Ainda no incentivo à pecuária sergipana, tem-se o projeto “Balde Cheio”, que foi iniciado no perímetro irrigado Jabiberi, administrado pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro) no município de Tobias Barreto, que desenvolveu ações de incentivo à pecuária leiteira e isto resultou na duplicação da produção de leite do perímetro Jabiberi no primeiro ano de desenvolvimento do projeto. O projeto Balde Cheio tinha como propósito transferir tecnologias para o desenvolvimento da pecuária leiteira em propriedades familiares, ensinando os produtores a gerenciar melhor seu negócio e aumentando a lucratividade em seu lotes, o que resultou no fortalecimento da bacia leiteira de Sergipe.

No setor industrial o Governador Marcelo Déda realizou um esforço de decentralizar o desenvolvimento industrial sergipano, que sempre foi muito concentrado na Região Metropolitana de Aracaju. Foram atraídas muitas indústrias para o Estado de Sergipe, bem como buscou-se incentivar a ampliação da capacidade instalada das indústrias já existentes no estado, isto através do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial – PSDI que envolveu mais de uma centena de empresas. Este legado propiciou a geração de mais de 10 mil novos empregos em Sergipe. Isto por conta de que a atração das indústrias para Sergipe envolveu além de grandes grupos empresariais, pequenos empresários industriais que pretendiam desenvolver uma unidade produtiva. Assim, diferentes segmentos industriais aportaram e foram implantados em Sergipe (setor alimentício, setor de auto peças, setor de brinquedos, setor calçadista, setor mineral, setor sucroalcooleiro, setor têxtil, etc.).

O Governador Marcelo Déda dava muita importância para os empreendimentos que chegavam em Sergipe, por conta disso, sempre foi presente em reunião técnicas e até mesmo lançamentos. E por coincidência, um de seus últimos atos públicos como Governador foi o lançamento da pedra fundamental da fábrica da Yazaki (indústria de componentes automotivos) em Nossa Senhora do Socorro em março de 2013, naquela ocasião o Governador Marcelo Déda fez um discurso emocionado, pois já sofria da doença que o acometia e destaco, do seu discurso, a seguinte fala: “ Me orgulho em ter contribuído para escrever um novo capítulo na história do desenvolvimento sergipano, sobretudo no processo de interiorização que tem proporcionado a geração de milhares de empregos no interior. Não sei o que Deus reservou no seu calendário para mim, mas tenho certeza de que dediquei toda a vida para escrever um novo capítulo da história de Sergipe, ao lado o meu povo”.

Mas no quesito de desenvolvimento econômico de Sergipe, o Governador Marcelo Déda buscou ampliar o escopo setorial e deixou um importante legado que foi a Lei no 7.522, de 27 de dezembro de 2012. Esta Lei autorizou a modificação na finalidade e na denominação da Companhia de Desenvolvimento Industrial e de Recursos Minerais de Sergipe – CODISE, para Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe – CODISE, isto na prática resultou na ampliação do objetivo social da Companhia passando a incentivar além da indústria, o setor de comércio e serviços.

No próximo ensaio abordaremos outros legados econômicos do Governador Marcelo Déda, especialmente, as obras de infraestrutura, meio ambiente, desenvolvimento social, legados na Prefeitura de Aracaju e como parlamentar.

Saumíneo da Silva Nascimento

Economista

 

 

 

 

 

 

 

 

João Alves um grande líder político e um dinâmico tocador de obras

João Alves Filho, o trabalho foi a sua marca

O governador João Alves deixa um grande exemplo de coragem e determinação como político e administrador. Para ele, seus planos e projetos praticamente não tinham limites. Sonhava e pensava grande. Partia para executar sem retroagir do seu intento, por maiores que fossem as dificuldades, até que a obra fosse realizada. Em três mandatos de governador deixou a marca do seu dinamismo e dedicação, imprimindo um estilo próprio que dificilmente será igualado por outro governante.

Embora escolhido pelo governador José Rollemberg Leite para dirigir a prefeitura de Aracaju por sua condição de engenheiro, por ser um nome técnico, ainda sem o timbre da experiência política, ao galgar o posto de governador, no entanto,  já era considerado um homem talhado para ser gestor e exercer com maestria a arte da política.

Fui o seu vice-governador e pude ver de perto o quanto ele amava Sergipe. O que mais o inquietava era a pobreza do interior causada sobretudo pelas secas inclementes. Daí, acalentando o sonho de melhorar a vida do nosso povo, entregou-se de corpo e alma às ações direcionadas para a área de  irrigação, criando o famoso projeto que ele denominou de  “Chapéu  de Couro”,  fato que o identificou com o homem do sertão até os dias do seu desaparecimento e que vai perdurar por todo o sempre.

A figura de João Alves transmitia alegria, cordialidade e entusiasmo.

 

Nunca tentou um cargo eletivo no poder legislativo, deputado ou senador. Deixou que essa nobre missão fosse exercida por D Maria do Carmo. Duas pessoas e duas lideranças que se completavam no lar, no trabalho e na politica, interagindo ambos em plena harmonia, dando um exemplo de que uma boa convivência familiar pode resultar em conquistas notáveis para todo um povo.

Vivi ao seu lado momentos tensos e decisivos da política do Estado e da Nação. Fui governador por quatro anos, e a minha eleição ocorreu em virtude de sua coragem em ficar no governo e resolver apoiar-me. Eu tinha preparo, serviço prestado e o povo me conhecia, mas nunca deixei de ser-lhe grato publicamente pelo seu gesto para mudar a história da sucessão em 1986, dando um passo importante para renovar os quadros dirigentes de nossa terra. 

Quando o senador Lourival Baptista me procurou para dizer-me que o presidente Sarney precisava saber o que eu achava, como único governador eleito do PFL, de joão Alves ser escolhido para ministro do Interior, de pronto, fiz uma carta manifestando todo o meu entusiasmo e apoio por aquela ascensão de um sergipano ao Ministério  do governo federal. 

Mesmo  nas divergências que sobrevieram depois, sempre restou uma luz que nos unia e que reluzia no passado quando estivemos juntos e juntos fizemos muito por Sergipe.

João Alves Filho, “O Negão”, como também ele gostava de ser chamado, foi um grande político sergipano, popular, dinâmico, corajoso e idealista, cujo desaparecimento deixará muita saudade e excelentes lições. 

Que Deus, Criador e Construtor de todas as coisas do Universo, cuide da alma de João Alves, e que lhe dê a paz celestial na Casa do Senhor. 

ACV

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da vitória de Cristiano, da cidade que virou capital e do povo que apagou o vagalume

 

                   

Simão Dias

Nesse período eleitoral, Sergipe inteiro voltou as suas vistas para uma cidade do agreste, acompanhando com inusitado interesse o que se passava na cidade de Simão Dias. Afinal, por obra e graça do governador Belivaldo, que é simãodiense, a capital do Estado, cuja sede está localizada em Aracaju,  foi mudada informalmente para essa bela cidade,  conhecida por “produzir milho e eleger governadores”, como costumava dizer um dos maiores filhos desta terra, o saudoso Marcelo Déda.

Sua excelência, o governador Belivaldo – que circulava na campanha montado numa luxuosa off road Polaris rzr,  prestou-se a auto apelidar-se de  “vagalume” – abandonou as tarefas normais de um governante que tem o dever de trabalhar para todos os municípios, tomou a decisão de utilizar-se de quase todo o aparato governamental, gastar todos os recursos disponíveis e a sua energia para mudar a vontade do eleitor num único lugar do Estado, na nossa querida Simão Dias.

 

BellyNave

Transmitindo em suas atitudes uma impáfia inconcebível, e destilando ódio em suas falas e lives semanais no instagram quando expressava, conforme percebiam as pessoas,  um sentimento inferior que não cabia na figura de um governador, pegou o pião na unha e se portou como se fosse ele próprio o candidato a prefeito.

Usou o poder da máquina administrativa como nunca aconteceu em qualquer outra campanha no município. Em cima da eleição inaugurou obras eleitoreiras, e assinou as famosas ordens de serviço,  eventos semelhantes àqueles, que, como todos se lembram, lhe causaram o dissabor da cassação de seu mandato de governador e a pena de inelegibilidade por oito anos decretada pelo TRE-SE. 

Tal conduta mostra que Belivaldo Chagas, no exercício do cargo de governador,  é reicindente na prática de abuso de poder político, zomba da Justiça Elelitoral ao insistir em desequilibrar a disputa, e atentar contra a legimidade das eleições,  como fez pra se eleger governador em 2018. 

No domingo, 15 de novembro, veio a firme e corajosa decisão do povo: o governador Belivaldo, o atual prefeito Marival e o seu candidato chapa branca, Aloízio do Sofá, foram derrotados, passando por uma humilhação sem precedentes, perdendo todos eles para um modesto motorista da prefeitura, Cristiano Viana, do PSB. 

Cristiano é o novo líder da pacata e ordeira Simão Dias. Ganhou bonito, sepultando a ideia de que só o poder e o dinheiro é que podem ganhar eleições.

Vencer em Simão Dias, derrubar Cristiano e destruir por completo o agrupamento político dos Valadares, objetivos que se tornaram uma questão de honra e uma obsessão de Belivaldo Chagas, acabou sendo o maior vexame já sofrido por um governador em toda a história de Sergipe.

A esperança venceu o medo. 

O voto livre do povo apagou o “Vagalume”. 

ACV – Antonio Carlos Valadares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sua Excelência, O Vagalume

SUA EXCELÊNCIA “O VAGALUME” E A PATACOADA DO GOVERNADOR DE SERGIPE

 

Em Simão Dias, nas madrugadas da eleição um estranho “vagalume” surge na cidade e nos povoados fazendo barulho. Mais parece uma alma do outro mundo chegando. É o governador Belivaldo Chagas em carne e osso,  com um séquito de seguranças e aliados políticos.

Aqui no Sertão, “vagalume” é um cabo eleitoral ou político que anda tarde da noite acordando eleitores pra comprar votos, ou tentando flagrantes de captação ilícita de sufrágios feita por adversários. Em geral, a pressão do “vagalume” intimida e deixa o campo livre para que seus aliados pratiquem malfeitos contra a liberdade do voto.

No caso de uma oposição quebrada e ética, a tática do “vagalume” pode funcionar, desviando votos. No entanto, quando o povo quer, através do voto, apaga a luz do vagalume.

Não estou acusando ninguém da prática de compra de votos, apenas lamentando o fato de o governador do meu Estado não se tocar ao fazer o papel de “vagalume”, uma figura tão repudiada e ridícula no imaginário popular.

Pobre Sergipe D’El Rei!

ACV

Vitória do Ministério Público e da Sociedade, derrota do governo

Em toda a história de Sergipe, após a promulgação da Carta Magna de 88, o único governador que descumpriu a ordem de votação da lista escolhida para Procurador-Geral do Estado foi Belivaldo Chagas.

Antes da posse prometeu que nomearia o mais votado. Depois da posse, inverteu a ordem, e nomeou o 3º da lista.

Agora, aconteceu nova eleição, sendo eleita uma nova lista tríplice. Pela sua forma autoritária de decidir, vai tentar impor, antes de nomear, que o novo Procurador-Geral siga mais ou menos a mesma linha adotada pelo atual ocupante do cargo,  qual seja, a de ficar longe de investigações incômodas contra detentores do poder.

Com efeito, foi contundente a resposta que os membros da classe, através do voto livre de seus membros, resolveram dar ao atual comando da Procuradoria-Geral, ao escolher uma lista composta por nomes de perfil independente, sem qualquer atrelamento de ordem política.

Belivaldo, se tentar o continuísmo sem voto, vai perder tempo e saliva.

O Ministério Público Estadual, unido, escolheu uma lista uniforme, onde cada um de seus integrantes tem compromisso com a instituição.

Qualquer que seja o nomeado, agirá com autonomia, e não vai atrelar-se jamais aos interesses escusos do governo.

Afinal, o Parquet está muito preocupado com a imagem de omissão e comprometimento da última gestão em alguns casos emblemáticos, a exemplo do Hospital de Campanha de Aracaju, que causou grande desgaste à instituição, cuja decisão de isentar  a prefeitura, deixou-lhe em situação claramente embaraçosa ao omitir-se do seu dever de investigar.

Em contraposição a esse posicionamento, a Polícia Federal, o MPF e a CGU, com autorização prévia da Justiça, desencadearam a chamada operação Serôdio para obter provas de possíveis desvios de recursos da pandemia na execução da malsinada obra.

O Parquet, com muita razão, quer agora recuperar a sua autonomia e credibilidade asseguradas pela Constituição Cidadã.

Na eleição do Ministério Público Estadual, perdeu o governo, ganhou a sociedade. É o resgate da credibilidade do Ministério Público, e da confiança nessa honorável  instituição permanente que atua em defesa de todos os segipanos e sergipanas. 

ACV

O voto de protesto fragiliza a democracia

Um dos fatores que mais pesam contra a validade e a relevância do sistema democrático é o voto de protesto.

É um voto sem cara, que se exprime pela omissão ou anarquia, sem levar em conta a valoração de candidaturas éticas e legítimas, que se apresentam muitas vezes com um perfil e um passado de combate à corrupção, em favor dos direitos sociais e na defesa da moral política exigida pela sociedade.

Na política tradicional, assim como entre aqueles que se intitulam como contrários à “velha política”, o eleitor pode encontrar nomes que representem as suas ideias em favor de uma atuação voltada ao combate à corrupção, ao fortalecimento das liberdades políticas e dos direitos humanos, políticas de distribuição de renda e contra as mazelas da gestão governamental.

Meu nome é Enéas!

Os que se expressam no combate à corrupção e à renovação política, têm um lugar de destaque. Mas uma boa parcela da sociedade aceita o político tradicional, desde que tenha um passado que o credencie a falar sem medo pelo exemplo de honestidade e compromisso com as boas causas. Todavia, nem sempre é assim. Corruptos se elegem, mesmo que passem todo o mandato na degola, respondendo a processos criminais e eleitorais, e muitos deles salvando-se aos trancos e barrancos. 

Se temos numa eleição centenas de cargos para o legislativo e outros tantos para o executivo, não há porque, a priori, julgar que em número tão ostensivo, não possa encontrar alguém capaz de representar o pensamento de pelo menos uma parcela dos eleitores.

É sabido que a revolta do eleitorado por vezes, conduz a uma apressada decisão de anular o voto, votar em branco, ou abster-se de comparecer às urnas.

O voto de protesto conseguiu eleger para deputado federal figuras sinistras como Enéas (PRONA),  o ícone da extrema-direita, com um discurso relâmpago, e usando apenas o bordão “Meu nome é Enéas!”,  obtendo mais de 1 milhão e meio de votos em SP.  O então deputado Jair Bolsonaro, cuja ideologia se identifica com a daquele fenômeno eleitoral, procurou de alguma forma fazer-lhe uma homenagem,  apresentando um projeto de lei na Câmara (PL 7699/2017) para inscrever o nome de ÉNEAS FERREIRA CARNEIRO no Livro dos Heróis da Pátria.

Esse mesmo voto de protesto levou para Brasília, figuras caricatas e engraçadas como Tiririca. Em outros tempos, até animais –  quando o eleitor ainda podia votar escrevendo o nome do candidato na chapa-, numa escalada de gozação o povo chegou a eleger  bodes, gorilas e rinocerontes. Em Sergipe, um candidato que se intitulava Rôla, faltou pouco pra chegar à Câmara dos Deputados. Queria uma aliança com o PSB que, por pruridos morais, não o aceitou como aliado. O seu slogan era “Rola Neles!”. Resultado, Rola perdeu por pouco, e Pedrinho Valadares, que teve a maior votação como deputado federal, não se elegeu por causa daquela aliança populista que não se consumou.

Os eleitores concluem que a causa maior dos males  por que passam, a culpa maior é do sistema democrático que elege os nossos representantes, os quais não levam em conta os apelos da população.

O eleitor ao se deparar com as denúncias frequentes contra políticos, colocam todos no mesmo balaio, e procuram votar em salvadores da pátria, justiceiros que se amparam no discurso do novo, com o viés do prende e esfola, nem que nada aconteça depois de eleitos.

 

A eleição passou a ser um ato de desabafo, mesmo que, após, não resulte em nada. Ainda que depois se arrependam os eleitores.

Um dado curioso sobre a última eleição para o governo do Estado em Sergipe: no 2º turno tivemos mais de meio milhão de eleitores (33,5%) que votaram nulo, branco e se abstiveram de votar. 

O voto pode então funcionar como um ato de vingança, mesmo que em tal operação o justo pague pelo pecador.

Em tempos passados, ainda não tanto distantes, a ira do eleitor se manifestou expressando sua preferência por animais, figuras caricatas, folclóricas ou ridículas para desmoralizar, através do voto livre, o sistema político vigente.

Para evitar enxurradas de votos de protestos na época em que vivemos, quando há um acompanhamento instantâneo de seus trabalhos pelas redes sociais, os políticos deverão adotar uma postura mais transparente, mais corajosa, mais ativa, focando a sua atuação nos problemas mais graves com que se defronta a população como o desemprego, a desigualdade social, a saúde e a educação, a violência urbana e rural.

O político deve ser um espelho para as gerações que vão surgindo a cada eleição, deve ser um exemplo a ser seguido em sua conduta pessoal e pública, tendo a honestidade e a ética como bastiões seguros para enfrentar a luta.

O povo está de olho. 

Neste comportamento de protestar sem participar, ou participando votando nos extremos, exprime-se  uma tendência autoritária de descrença nas instituições democráticas.

Preferências pelo autoritarismo e por soluções milagrosas, a exemplo do fascismo italiano e do nazismo alemão, conduziram a Itália e a Alemanha a um fim catastrófico, provocando a dizimação de milhões de vidas durante a segunda guerra mundial.

ACV