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Intervenções, ataques e invasões dos EUA

Nas fotos em destaque, sem obediência de períodos de governo, alguns dos presidentes que comandaram ações militares em outras Nações).

Linha do Tempo — Intervenções e Operações dos EUA (1945–2026)

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Anos 1940

  • 1947–1949 — Grécia (Guerra Civil): Apoio dos EUA por meio de ajuda militar e da CIA contra forças comunistas. Presidente: Harry Truman (Democrata).  

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Anos 1950

  • 1950–1953 — Guerra da Coreia: EUA lideram operação militar sob mandato da ONU contra a Coreia do Norte e aliados. Presidentes: Truman (Dem.) → Eisenhower (Republicano).  
  • 1953 — Irã (Operação Ajax): Golpe de Estado apoiado pela CIA para derrubar Mossadegh e reinstalar o xá. Presidente: Dwight D. Eisenhower (Republicano).  
  • 1954 — Guatemala: Golpe contra Jacobo Árbenz com direção da CIA. Presidente: Eisenhower (Republicano).  
  • Final dos anos 1950 — Operação 40 / Operação Mongoose (Cuba): Ações secretas da CIA contra o regime de Fidel Castro, incluindo preparativos de forças exiladas e planos clandestinos para desestabilização. Presidente: Eisenhower → John F. Kennedy (Democrata).  

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Anos 1960

  • 1961 — Baía dos Porcos (Cuba): Invasão fracassada por exilados cubanos apoiados pela CIA. Presidente: John F. Kennedy (Democrata).  
  • 1962–1975 — Laos: Apoio militar e operações covertas da CIA na chamada “Guerra Secreta” no Laos durante a Guerra do Vietnã. Presidentes: Kennedy → Johnson → Nixon.  
  • 1964 — Congo (Zaire): Apoio logístico e transporte de tropas durante rebeliões. Presidente: Lyndon B. Johnson (Democrata).  
  • 1965 — República Dominicana: Intervenção militar com envio de tropas (Operação Power Pack). Presidente: Lyndon B. Johnson (Democrata).  
  • 1964–1975 — Vietnã / Camboja: Guerra aberta e bombardeios U.S. como parte da Guerra do Vietnã. Presidentes: Johnson → Nixon.  

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Anos 1970

  • 1973 — Chile: Apoio da CIA ao golpe contra Salvador Allende. Presidente: Richard Nixon (Republicano).  
  • 1975–1990s — Angola: Apoio logístico e financeiro a facções durante a guerra civil. Presidentes: Ford (Republicano) → Carter (Democrata) → Reagan (Republicano).  
  • 1979–1989 — Afeganistão (Operação Ciclone): A CIA financia e arma mujahideen contra a invasão soviética. Presidentes: Carter (Democrata) → Reagan (Republicano).  

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Anos 1980

  • 1981–1990 — Nicarágua (Contras): Guerra por procuração contra o governo sandinista apoiado pela CIA. Presidente: Ronald Reagan (Republicano).  
  • 1983 — Granada: Invasão militar dos EUA para derrubar o governo. Presidente: Reagan (Republicano).  
  • 1986 — Líbia: Bombardeios aéreos contra alvos ligados ao regime de Gaddafi. Presidente: Reagan (Republicano).  
  • 1989 — Invasão do Panamá: Operação Just Cause, prisão de Manuel Noriega. Presidente: George H. W. Bush (Republicano).  

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Anos 1990

  • 1991 — Guerra do Golfo (Iraque): Operação militar internacional liderada pelos EUA após a invasão do Kuwait. Presidente: George H. W. Bush (Republicano).  
  • 1993–1994 — Somália: Intervenção militar humanitária com tropas americanas. Presidente: Bill Clinton (Democrata).  
  • 1994 — Haiti: Operação para restaurar governo constitucional. Presidente: Clinton (Democrata).  
  • 1999 — Kosovo (OTAN): Bombardeios liderados pelos EUA/OTAN contra Sérvia. Presidente: Clinton (Democrata).  

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Anos 2000

  • 2001–2021 — Afeganistão: Invasão após os ataques de 11 de setembro; longa ocupação com forças americanas. Presidentes: George W. Bush (Republicano) → Obama (Democrata) → Trump (Republicano) → Biden (Democrata).  
  • 2003–2011 — Iraque: Segunda Guerra do Golfo, derrubada de Saddam Hussein e ocupação. Presidente: George W. Bush (Republicano).  

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Anos 2010

  • 2011 — Líbia (OTAN): Bombardeios e apoio a rebeldes na guerra civil. Presidente: Barack Obama (Democrata).  
  • 2014–presente — Síria e Iraque: Operações contra o ISIS com forças especiais e bombardeios. Presidentes: Obama → Trump → Biden.  

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Anos 2020

  • 2025 — Operações no Caribe e Golfo contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas: Série de ataques militares e CIA envolvidos em operações encobertas. Presidente: Donald Trump (Republicano).  
  • **3 de janeiro de 2026 — Operação Absolute Resolve (Venezuela): Intervenção militar para capturar o presidente Nicolás Maduro, transportado aos EUA para julgamento. Presidente: Donald Trump (Republicano).  

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Observações importantes

  • Essa cronologia inclui intervenções militares diretas, guerras, operações e ações reconhecidas por pesquisa histórica e enciclopédica.  
  • A totalidade das intervenções é extensa (quase 400 registradas desde o fim da Segunda Guerra Mundial), mas esta linha do tempo destaca os eventos mais marcantes e frequentemente citados na história internacional.  
  • Em vários casos (como ações da CIA ou ataques com drones), o envolvimento direto dos EUA não envolveu declaração formal de guerra, mas teve impacto relevante nas políticas e governos dos países-alvo.  

 

 
 

Trump quer dar ordens ao Brasil

É verdade que Trump, o imprevisível presidente dos EUA, quer levar o Brasil a nocaute. Começa, usando a lei magnistky, um mecanismo surgido em 2012 – nunca aplicado no sentido de ferir a soberania de um outro país, como fez com o Brasil – ao impor o tarifaço de 50% sobre a exportação de um número significativo de produtos do nosso país. Trata-se de um golpe baixo desferido por Trump para intimidar, ou melhor dizendo, para nocautear o Brasil.

Ficou claro que tudo não passa de uma vingança contra o Brasil e o seu povo. É um jogo de cartas marcadas na tentativa de salvar o seu amigo de uma causa perdida, o direitista Jair Bolsonaro, já inelegível por 8 anos, mesmo antes do julgamento da mais grave acusação que pesa contra ele, da qual a sua defesa até agora não encontrou uma justificativa plausível que possa livra-lo da cadeia em regime fechado, por ser, – como mostram as provas dos autos encaminhados pela polícia federal e Procuradoria-Geral da República ao STF, apontando-o como principal artífice da trama golpista para depor um governo legitimamente eleito.

O único benefício que Bolsonaro poderá receber é o da prisão domiciliar, caso uma perícia técnica, comprove que o seu estado de saúde não comporta uma prisão em regime fechado, a qual, como se sabe, é solitária, rigorosa e humilhante para um ex-presidente. O castigo de Trump contra a economia do Brasil, destituído de qualquer base legal, é típico de um governante que atua sem regras, contando com a leniência da Suprema Corte e do Congresso dos EUA, onde detém maioria.

Por conta disso, muitas empresas deixarão de funcionar no Brasil, milhares de empregos serão perdidos, além de uma redução drástica na arrecadação federal.

A nossa economia está vivendo um momento de imprevisibilidade.

Com os olhos voltados para os empregos, o governo esboça um plano de emergência para atenuar essa situação dramática, no qual estão previstas medidas para ajudar empresas, tais como, redução de impostos, concessão de empréstimos com taxas favorecidas e ajuda diplomática para descobrir outros mercados internacionais que possam comprar nossos produtos, sem as taxas abusivas impostas pelos americanos.

Para mascarar sua atitude discricionária Trump abriu investigação contra o Brasil por supostas práticas desleais de comércio – que serão conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na sigla em inglês.

Como se trata de um organismo governamental dos EUA, já se pode prever por antecipação que o resultado dessa investigação virá contra o Brasil, como quer Donald Trump. Não há analista que conheça ao menos um pouco os meandros da política atual americana, que acredite no encerramento dessa questão com parecer favorável ao Brasil.

Querer condenar o Brasil, dentre outras coisas, porque o governo local não proíbe a população de usar o pix como instrumento para pagar despesas e receber pagamentos, é uma ideia insana e inegociável, que só pode prosperar numa mente doentia.

Numa luta de box quando um dos lutadores coloca o adversário nas cordas é sinal de que está vencendo, mas ainda não ganhou. Só depois de um soco poderoso, após deixar o adversário deitado na lona, e não mais se levantar em 10 segundos, é que acontece o nocaute. Aí, o juiz levanta os punhos do vitorioso dando a luta por encerrada.

O Brasil pode ficar nas cordas por um bom tempo, mas nunca será nocauteado, como sonha, trincando os dentes, o tresloucado e encrenqueiro Trump.

Temos um povo lutador, que não se entrega ao desânimo, apesar das dificuldades momentâneas, temos um território em toda a sua dimensão repleta de riquezas e produtos naturais incomensuráveis, temos um país disposto a lutar bravamente por sua soberania.

Custe o que custar, devemos nos manter corajosamente em posição de defesa, mas sem desprezar um bom acordo comercial para proteger nossas empresas, sem se ajoelhar perante os pés de Trump, reagindo com destemor aos seus golpes baixos até que ele raciocine que os EUA não podem viver sem a companhia do Brasil, a maior Nação da América Latina, com a qual, por mais de 200 anos tem relações comerciais mutuamente respeitosas e produtivas.

Mais cedo ou mais tarde, tenho confiança de que essas relações históricas terão de ser retomadas para o bem de ambos os povos. Com Trump ou sem Trump, essa perseguição contra o Brasil terá de chegar a um final construtivo e benéfico para todos, sem nocautes ou humilhações contra nenhum dos contendores ao travarem uma luta justa e leal para fortalecer a economia e o progresso das duas Nações.

Antonio Carlos Valadares – advogado, ex-governador, ex-senador por Sergipe

De como o Congresso agiu e Lula reagiu

QUEREM AMARRAR LULA NO MOURÃO

Lula, por tudo que estamos a assistir está sendo alvo de represália do Congresso e tem como pano de fundo o atraso do pagamento das emendas parlamentares. 

Por isso, em resposta, para mostrar que tem poder, o Congresso  quer amarrar Lula no mourão (em sentido figurado), na tentativa de imobiliza-lo enquanto aguarda ser atendido na liberação plena dos recursos que foram incluídos no orçamento, as famosas emendas impositivas. 

A CRISE POLÍTICA E A ROTA DE COLISÃO

A crise política gerada pela rejeição do Congresso à proposta do governo que dispõe sobre as novas taxas do IOF, está colocando o presidente Lula em rota de colisão com os senhores deputados e senadores. 

A coisa se agravou com a judicialização do caso junto ao STF por ordem de Lula, em reação ao recado vindo das duas casas do Parlamento e na busca do reconhecimento ao princípio constitucional da  separação dos poderes. 

REAÇÃO DE LULA, UM ATO NECESSÁRIO 

Lula deve ter refletido que se não agisse assim, terminaria perdendo o seu poder político de continuar tocando o governo, pela demonstração de perda de comando no âmbito do Congresso, e de não usar convenientemente remédios jurídicos para contornar suas dificuldades como lhe permite a Carta Magna. 

SUPER RICOS VERSUS POBRES

Daí em diante, o debate também passou a ter contornos políticos. Enquanto parlamentares do campo direitista acusam o governo de aumentar a carga tributária penalizando empresários ou grupos econômicos, Lula insinua que o Congresso defende os super ricos, enquanto ele, está do lado dos pobres como fez a vida toda em sua carreira política. 

De parte a parte os discursos sinalizam um preparatório para as eleições presidenciais e parlamentares a serem realizadas no próximo ano. 

O DISCURSO PROVÁVEL 

O Congresso por sua postura impositiva ajudou a Lula encontrar esse discurso para reencontrar seus eleitores, muitos dos quais havia perdido, inclusive pelos acordos que foi obrigado a fazer pra governar com partidos adversários, conservadores de alto calibre. 

Esses congressistas de direita nunca comungam com as idéias de partidário da esquerda, mas se aproveitam momentaneamente do poder Executivo para tirar vantagens em suas bases. 

O DISSENSO E A INCOERÊNCIA

A direitona integra o governo e diz publicamente que nas eleições vota contra, e no Congresso, depende do projeto que for apresentado. 

Não me recordo de período político igual a esse por que estamos experimentando, ser governo e não ter fidelidade, em contraposição à vivência histórica de nossa democracia cujos partidos sempre observaram a coerência entre ser governo ou oposição. 

Esses valores foram sepultados sem a menor cerimônia na atual conjuntura política criada pela maioria das bancadas com assento na Câmara e no Senado. 

A DECISÃO DE ALEXANDRE DE MORARES  

Na Suprema Corte, o relator Ministro Alexandre de Moraes, numa só assentada, para surpresa de muita gente, decidiu revogar os decretos do IOF, e chamou os poderes Executivo e Legislativo para uma audiência de conciliação. 

O ENTENDIMENTO DE TRIBUTARISTAS  

Contudo, especialistas em direito tributário contestam a decisão de Moraes, afirmando que não lhe cabia, nesta Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) revogar in limine, os decretos e arvorar-se de conciliador, numa decisão fora do contexto de suas atribuições. 

Segundo esse entendimento formulado por tributaristas o relator teria apenas de oferecer o seu parecer, a favor ou contra o governo, e leva-lo à apreciação da Turma. 

O CONSENSO ENTRE AS PARTES 

Todavia, os dois lados, Congresso e Executivo celebraram a medida de Moraes como justa e  equidosa.  Se a conciliação sobrevier e a relação entre os poderes entrar no caminho da normalidade legal e constitucional (presunção duvidosa), a intenção do ministro valeu a pena. 

Se as emendas não forem resolvidas, na mesa de negociação, possibilidade zero de conciliar. 

A OMISSÃO PROPOSITAL DA FISCALIZAÇÃO DAS VERBAS

A raiz da questão, como acima foi dito, reside no empoderamento do Congresso com as emendas impositivas. 

A competência do Congresso, que tem o poder de fiscalizar, reduziu-se substancialmente por omissão de ambas as casas, nestes últimos 10 anos. Simplesmente porque os senhores deputados e senadores, pensando em fortalecerem-se junto às suas bases eleitorais, e sonhando com as suas reeleições, multiplicaram por 3 o valor das emendas impositivas, desobrigando-se de uma fiscalização mais atenta. 

Então, porque exigir uma fiscalização rigorosa da aplicação de verbas oriundas do próprio Parlamento? É o que perguntam desconfiados  comentaristas políticos na mídia em geral. 

Pelo menos 20% das verbas livres do orçamento federal – que são as destinadas a investimentos e custeio da máquina -, estão nas mãos do Congresso, um percentual 9 vezes maior do que ocorre nos EUA. 

Enquanto relaxou no seu papel de fiscalizador, o Congresso turbinou o controle sobre as verbas. Em 2015, em valores já corrigidos pela inflação, foram R$ 16,92 bilhões em emendas, frente a R$ 50,38 bilhões neste exercício financeiro de 2025. 

O RICO TESOURO DAS EMENDAS

As verbas represadas pelo Congresso engrossaram o pescoço dos parlamentares e aumentaram a sua cobiça por recursos , a tal ponto que vários segmentos partidários preferem emendas e menosprezam a participação em cargos no Executivo. 

O rico tesouro das emendas que pode ser distribuído a granel a municípios e ONGS, sem a transparência devida e protegidas por menos rigor na fiscalização, encoraja parlamentares a tomar atitudes de rebeldia, como aconteceu com a rejeição das taxas do IOF,  uma ação de cobrança revelada de forma clara e explícita no voto contrário ao governo, visando o recebimento dos valores porventura em atraso dos emendas impositivas. 

O TROCA-TROCA AGORA MUDOU

Em outros tempos o troca-troca ou o toma-lá-dá-cá para ter votos garantidos dos parlamentares  eram os cargos do governo que funcionavam. Agora, nem se trata mais de troca-troca, e sim, de verbas aprovadas por deputados e senadores, e incluídas no orçamento como impositivas, recursos públicos que os parlamentares têm como seus, e dos quais não abrem mão, nem que a vaca tussa. 

Registre-se que parte dessas emendas o governo sequer pode liberar em

face de decisão do STF, por falta de transparência do Congresso, conforme relatoria do ministro Flávio Dino.   

SISTEMA PARLAMENTARISTA AO AVESSO 

Esse capítulo no qual a supremacia imposta pelo Congresso pretende amarrar o presidente da República na cerca ou no mourão, um

dia tende a acabar, para o bem da Nação. 

O povo tomará consciência com o tempo de que eleger um presidente junto com um

Congresso hostil, onde na maioria das vezes assume posições em defesa de seus próprios interesses, não é certo nem produtivo. 

O sistema político brasileiro tem uma falha gritante e sem paralelo no mundo democrático,  pois não dá garantias ao presidente da tranquilidade de que precisa para uma saudável governança.  

Trata-se de um Parlamentarismo ao avesso, no qual o Legislativo atua sem um mínimo de responsabilidade. No entanto, tem a capacidade de colocar o presidente na cerca travando a realização de tarefas próprias de um regime Presidencialista.  Como não há primeiro ministro aprovado pelo Legislativo, como soe acontecer no regime parlamentarista, toda a responsabilidade recai de fato sobre a figura do Presidente. 

Neste sistema vigorante no Brasil, partidos integram o governo sem o compromisso da governabilidade, gerando uma incerteza de apoio aos projetos da iniciativa do Presidente. Essa disfunção política transforma o regime numa bomba  relógio que pode estourar a qualquer tempo e atingir a normalidade institucional.  

O PRESIDENCIALISMO DE  COALIZÃO   

Ou muda o sistema político ou o Brasil continuará a sofrer crises políticas

periódicas, cada vez mais intensas, sempre buscando no STF um arranjo para resolver desavenças entre os poderes Legislativo e Executivo, por causa de verbas. Ou mesmo tramas golpistas de aventureiros inconsequentes. 

Um tema muito pequeno em comparação com os grandes problemas que atormentam a sociedade brasileira, especialmente as camadas mais carentes da população, que sonham em alcançar uma vida melhor. 

O SEMIPRESIDENCIALISMO É A SOLUÇÃO PARA O BRASIL

Sempre defendi o semiparlamentarismo ou o sistema de governo dual, como solução para o Brasil como objetivo de alcançarmos a estabilidade política, com a divisão de responsabilidades entre os poderes executivo e legislativo.

Esse sistema político de governo tem como característica a flexibilidade. O primeiro ministro é escolhido pelo presidente e o nome aprovado pela Câmara, com base em um programa estabelecido, que os parlamentares seguirão. O projetos demandados pelo poder executivo terão que estar em harmonia com aquele programa aprovado pelos parlamentares.

Caso o primeiro ministro, a figura que cuida da administração e do governo, depois de algum tempo (que pode ser de 1 ano, ou 6 meses, a depender das normas), por algum motivo receba um voto de desconfiança do legislativo, cai o governo e será escolhido outro primeiro ministro para governar. A crise é debelada sem sobressaltos institucionais.

Neste regime semipresidencialista, o presidente tem um protagonismo maior do que no parlamentarismo puro (Reino Unido), e, tem um mandato de 6 anos, eleito pelo voto direto.

A perspectiva é que vamos ainda sofrer muitos anos até que o Brasil saia do presidencialismo de coalizão, um regime ultrapassado, uma fonte permanente de crises e  corrupção, e adote o regime semipresidencialista, semelhante ao da França e Portugal, onde onde o sistema passou passou por várias provas superando as crises, sem maiores abalos políticos.

Antonio Carlos Valadares, ex-governador, ex-senador da República.  

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O Candidato

Nas campanhas políticas por este Brasil afora muitas coisas são ditas e prometidas pelos candidatos para impressionar eleitores e ganhar votos. Para enfeitar o pavão, o marketing contratado a peso de ouro tem que ser competente para mostrar as virtudes e esconder os defeitos do candidato.

O marqueteiro, geralmente, é uma pessoa fria na estratégia a seguir, discreta nos seus afazeres, contorcionista na arte da dissimulação e convincente ao apresentar seu produto, o candidato.

Tem que criar emoção em tudo que faz na telinha, no rádio e nas redes sociais em benefício do candidato. Tem que mostrar que o candidato é cuidadoso com o erário, e que está preparado pra fazer tudo bem feito, com devotamento e conduta retilínea para atender ao sagrado desejo do povo em ter uma educação, uma saúde ou uma segurança pública de qualidade, e tudo o mais que for necessário para romper a barreira da pobreza.

O empresariado precisa ser convencido de que não haverá aumento da carga tributária, e que a receita que vem dos impostos que eles pagam será revertida em serviços e obras para todos os cidadão e cidadãs. O progresso do Estado garante maiores lucros para os que se dedicam a investir na iniciativa privada.

O candidato tem que se comprometer com fornecedores e executores de obras púbicas assegurando-lhes o recebimento integral de suas faturas sem atrasos ou procrastinações de tudo aquilo que as suas empresas realizarem licitamente.

O candidato é um ser especial, que tem resposta para soluções intricadas, adquiriu experiência pra resolver, é corajoso para fazer mudanças e colocar o governo no rumo certo.

Nos debates mostra segurança, conhecimento e desenvoltura. É um político sorridente e agradável que passa a impressão de ser receptivo e de fácil acesso, um cidadão que respeita as divergências como deve se portar um democrata. Diz que está disposto a organizar uma agenda para receber as pessoas do povo no Palácio de Despacho para ouvir suas opiniões. E gosta das criancinhas, que são o futuro da Nação.

Se o candidato é evangélico fala como se tivesse no púlpito da igreja, mencionando o nome de Jesus quase sempre para mostrar a sua religiosidade. A Bíblia para ele é o passaporte da confiança dos fiéis na sua palavra, dizer com firmeza que é conservador, destacar a importância da família, vestir uma camisa verde e amarelo são atos que ajudam a atrair votos desse ramo religioso e do conservadorismo que abomina a esquerda.

O candidato não deve esconder suas origens humildes, ao contrário, se for um filho de vaqueiro, de uma professora, de um barbeiro, de uma costureira, de um operário, ou de um roceiro que pegou um pau de arara até a cidade grande atrás de um emprego, isto o identifica com a maioria da população sofredora, conquistando a simpatia de muitos eleitores. O lado do candidato só tem doçura e eficiência, trabalho e honestidade, não lhe faltando as virtudes da humildade e do bom coração.

As festas tradicionais como o carnaval e o São João farão parte do calendário anual do governo.
Tem que ser natural ao distribuir beijinhos, juntando as mãos e fazendo um coração, simbolizando o seu amor para os acenos, não podendo faltar apertos de mão e abraços para compor um cenário de alegria contagiante.

As cenas na TV têm que ser leves, alegres e coloridas, exibindo um cenário róseo, o céu é sempre de brigadeiro como deve ser a vida sonhada por todos. O candidato repudia com veemência fazer traquinagens com dinheiro público. E que tudo será feito com transparência, de um modo tão claro como a luz do dia.

O eleitor tem que ser convencido de que o candidato é o melhor, e, que, nas horas de crise, surge como um super homem.

Aparece arregaçando as mangas e, no governo, a partir do primeiro dia e em todos os dias, será mãos à obra sem parar, com as fórmulas mágicas de quem possui o poder de prever e vir de imediato com a solução.O candidato não pode esquecer dos servidor público que carrega nas costas o trabalho de impulsionar a máquina do Estado. Por isso, o candidato tem um olhar generoso para com esses trabalhadores, comprometendo-se de que a folha nunca será paga com atraso, e que os aumentos serão concedidos sempre acima da inflação.

Quando o candidato tem a máquina em seu favor, principalmente em momentos de dificuldades – como os que vive hoje o Brasil -, os apoios vêm aos borbotões, porque a estrutura em sua volta é forte e quase intransponível. Os cargos de livre escolha, os famosos CCs, são acionados com o aviso de que se o resultado for negativo na certa vão ser exonerados e substituídos pelo vitorioso. É ganhar ou perder.

O bom marketing cria verdadeiras histórias de Trancoso, para colocar o candidato na frente e vencer a corrida eleitoral. Tem que ser também criativo, e até certo ponto, impiedoso, no desmonte do adversário. O ataque nunca pode ser frontal para não irritar o eleitor. Uma meia verdade aqui, uma mentirinha acolá, com muita cautela pra não ser punido pela Justiça Eleitoral, vai danificando aos poucos a imagem do adversário, desqualificando-o para o cargo. Como faz um jogador de box, insistindo em bater na ferida até nocautear o seu oponente.

Pode ser que, numa fase em que o candidato estiver em baixa e as pesquisas confirmem a preferência por um de seus adversários, ele mude a estratégia, desferindo pancadas violentas contra aquele que passou-lhe à sua frente, mesmo sob o risco de ser multado pelo TRE, e de os seus programas de tv e rádio serem colocados fora do ar. É o ataque rasteiro, é o tudo ou nada, é o desespero do perdedor de véspera, uma estratégia que raramente o beneficia.

Porém, o candidato mais precavido faz logo um acordo por debaixo dos panos com um candidato sem esperança de ganhar para meter o pau no que que está na frente, e até nos debates fazer-lhe perguntas embaraçosas na tentativa de constrangê-lo e perder votos.

Por último, e não menos importante, no que toca à honestidade, o candidato tem que ser como a mulher de César, tem que ser não apenas honesto mas parecer honesto. Se for de família rica não precisa de dinheiro de ninguém, muitos eleitores assim pensam, mas se for descendente de uma família modesta, basta ver o passado do candidato. Para o povão, em ambos os casos, todos esses predicados podem funcionar como um verdadeiro atestado de honestidade.

Resta saber, se na prática, tudo será como foi dito, ou mesmo acima ou abaixo do que foi imaginado.

O importante é que a democracia, o governo do povo, pelo povo e para o povo (Abraham Lincoln), foi praticada nem que seja errando o voto.

Eleições periódicas viram escolas de aprendizagem para o eleitor aprender melhor como votar na próxima vez.

*Antonio Carlos Valadares
Especialista em Direito político e prática eleitoral, advogado

Trump, o encrenqueiro

DA INVENÇÃO DA FRAUDE PARA DESFERIR O GOLPE

Vira e mexe, o presidente dos EUA Donald Trump usa a sua metralhadora giratória atirando a torto e a direito. Com a mira um tanto quanto descalibrada desfere tiros indistintamente, atingindo países aliados ou não, em uma guerra comercial de caráter protecionista, sem precedentes na história dos conflitos econômicos.  É a prática de um nacionalismo atrasado de bater no peito ou fazer acenos copiados do nazismo hitleriano passando a impressão para o grande público de um gesto de extrema arrogância.

Deixando de lado todas as encrencas que ele arrumou no seu primeiro mandato, em cuja ocasião inclusive foi aberto contra ele um processo investigativo por abuso sexual, vou citar apenas o imbróglio da invasão do Capitólio (sede do Poder Legislativo americano) intentada por seus tresloucados seguidores, incitados pelo discurso radical e inoportuno  do presidente Trump de que nas eleições perdidas para Biden o resultado fora fraudado. Esse movimento de protesto, que lhe valeu o segundo impeachment (saiu ileso),  ocorreu no dia 6 de janeiro de 2021, considerado por juristas como uma tentativa atabalhoada de golpe de Estado contra a ordem constitucional e o sistema eleitoral  americanos vigentes. Pelo menos 5 pessoas perderam a vida e dezenas de policiais ficaram feridos.

O DIA DA LIBERTAÇÃO

Utilizando uma mensagem comercial belicista, escolheu o dia 2 de janeiro de 2025, como O Dia da Libertação dos EUA, data em que lançara o seu pacote de maldades contra o mundo inteiro.  Exagero maior não existe ao considerar o lançamento de um tarifaço como um ato patriótico de libertação, dando a entender de que a nação naquele ato, estaria se libertando das amarras de um mundo perverso, ou que estaria, segundo a sua falsa pregação, fazendo o ressurgimento dos EUA depois de tantos anos de aprisionamento econômico forçado. É sabido que a única libertação que houve no país, após a sua independência política, foi a libertação dos escravos, a qual, para ser concretizada foi desencadeada a Guerra da Secessão, que custou lágrimas e sangue, entre irmãos do Sul e do Norte da América.

Para fazer valer esse pacote de taxas da “Libertação”  que foram calculadas por sua equipe econômica empregando fórmulas mirabolantes, o presidente encrenqueiro nem se condoeu de que estava expurgando a diplomacia da boa convivência entre nações, desrespeitando acordos comerciais e enfraquecendo o comércio bilateral, possivelmente mergulhando o seu próprio país numa recessão descontrolada.

RIQUEZA E ABUNDÂNCIA

Ao contrário daquilo que prega Donald Trump, os EUA na fase atual nadam em abundância e prosperidade. Contudo, sua ação é no sentido de mostrar que antes dele a nação quase não existia, era quebrada e ingovernável, e que agora sob seu comando, é que será grande, rica e poderosa e  que está conduzindo o seu barco para águas calmas. Pura mentira, que nem uma pessoa simples do povo e sem maiores conhecimentos do dia a dia americano acredita.

A realidade será sentida por aqueles que sabem onde o sapato aperta, quando forem ao supermercado para abastecer suas cozinhas, ao mercado imobiliário para comprar um apartamento para morar,  procurar escolas para educar seus filhos ou contratar planos de saúde e de aposentadoria para se curarem e se prevenirem, ou comprar um simples carro para se locomoverem.

O Sr Trump e sua equipe de conselheiros bilionários nunca sofreram na carne a dor que sente a gente comum dos Estados Unidos e dos outros países.

EM CURSO O PAPEL SECUNDÁRIO DOS EUA

Segundo o colunista Fared Zacaria em  artigo escrito para o`Washington Post´, e transcrito no Estadão,  sob o título “Trump pode levar EUA a um papel secundário no mundo”, em seu conteúdo traz a lume dados bastante interessantes sobre a boa vida dos americanos nos tempos de hoje: “Em 1990, a média salarial dos EUA era de 20% maior do que a média geral no mundo industrializado avançado; agora é cerca de 40% maior. Em 1995, um japonês era 50% mais rico do que um americano em termos de PIB per capita, hoje um americano é cerca de 150% mais rico do que um japonês”. 

O famoso articulista informa que o estado americano mais pobre, o Mississipi, tem um PIB per capita maior do que o do Reino Unido, da França ou do Japão.

Por fim, Zacarias adverte que Trump está arrastando os EUA para a época em que o país era mais pobre, dominado por oligarcas e corrupção e contente com sua arrogância em seu próprio quintal e em intimidar seus vizinhos, mas secundário em relação às grandes correntes globais da economia e da política. 

O TARIFAÇO E A VANTAGEM DA CHINA

Os efeitos da política desastrosa de Trump já se fazem sentir no âmbito interno com a eclosão de movimentos de protestos contra os cortes na educação e na saúde, o medo do aumento do custo de vida e das taxas de desemprego  e de uma nova escalada inflacionária.

As nações estão se preparando, cada uma delas retaliando a seu modo, impondo tarifas mais ou menos iguais às dos EUA.  Na tentativa de minimizar o prejuízos causados pelas medidas, os governantes tiram do baú seus planos de reciprocidade tarifária e querem  utilizá-los como armas de dissuasão para rechaçar os libidos de ganhos econômicos do desalmado governante, cujo comportamento nem Freud explicaria.

A China reagiu na mesma proporção e  parece estar levando ampla vantagem econômica com seu potencial de produção e de consumo ao abrir suas portas para as nações. Apesar de adotar um sistema político ditatorial, os seus governantes procuram melhorar a sua pujança econômica com uma postura pacífica e empreendedora para conquistar novos mercados em vez de intimidar os outros com ameaças e criação de tarifas absurdas.

A loucura de Trump já deu sinais em entrevista divulgada antes de sua posse,  na qual sugeriu a anexação do Canadá e a tomada por meios militares da Groelândia (território da Dinamarca), uma grave ameaça  a países amigos que nunca empreenderam atos belicosos contra os EUA.

No que se refere ao Brasil, por ser um grande celeiro de produção de alimentos e devido ao seu grande potencial de reservas de minerais,  de petróleo e gás, não tem o que temer. Pode ser um parceiro mundial forte nas trocas comerciais, e tornar-se graças  a Trump numa alternativa de alinhamento e acordos com os países contrariados com os EUA. O Mercosul, do qual o Brasil faz parte, ganha cada vez mais a compreensão e simpatia do Mercado Comum Europeu nos negócios bilaterais que por sinal já estão em andamento.

BAGUNÇANDO A PAZ AO INVÉS DE CONSTRUIR PONTES DE ENTRELEÇAMENTO

Tudo leva a crer que o dinheiro e o poder modificaram a mente da mais elevada autoridade americana. Trump deveria saber que pela posição que ocupa de presidente da maior potência mundial que em duas guerras mundiais combateu contra o autoritarismo e o nazifascismo, pelo ideal democrático, deveria preservar a memória de suas heróis mortos na luta, pronunciando-se com um mínimo de discernimento e respeito aos países e à determinação dos povos, preocupando-se em unir as nações em torno dos EUA, como fizeram tantos vultos da história americana.

Ao invés de bagunçar a obra de paz e união construída por figuras exponenciais que construíram a grande nação americana, Donald Trump estaria muito melhor colocado como presidente se abandonasse a encrenca e partisse para construir pontes de amizade e de bom entrosamento  com todos os países, seguindo o caminho da paz e do trabalho.

*Antonio Carlos Valadares

Advogado especialista em Direito Político e Prática Eleitoral

A Sucessão nos Bastidores da Política, apesar da Pandemia

A SUCESSÃO FERVE NOS BASTIDORES

Quem estiver pensando que a pandemia está impedindo uma forçação de barra para a viabilização,  dentro do bloco do governo, de nomes com vistas à sucessão de 2022, está muito enganado.

Movimentam-se nos bastidores, procurando fortalecer suas pretensões, os deputados federais Laércio Oliveira (SD), Fábio Mitidieri (PSD) e o senador Rogério Carvalho (PT). Todos lutam pela preferência do governador Belivaldo Chagas. É bem possível que neguem publicamente, mas a verdade é que só pensam naquilo e agem com muita devoção a esses afazeres futuristas. Eles sabem que Belivaldo não tem voto. Mas tem o governo em suas mãos, a caneta pra nomear ou demitir, mexer em secretarias e órgãos do governo, e dispõe, ainda, do poder para anular privilégios e vantagens de empresas que sobrevivem às custas do erário.

Esse poder transitório de alterar o conforto de muita gente para mais ou para menos, num Estado pequeno e pobre como Sergipe, que é altamente dependente do poder público, impede, salvo no campo da oposição, posicionamentos de ordem política sem o carimbo do governo, os quais, se não forem cuidadosamente sopesados poderão gerar perdas de difícil reparação.

O “X” DA QUESTÃO E O IMPONDERÁVEL.

É aí onde está o “x” da questão, o sonho de quem milita na oposição ver quebrada a aliança governista, para a partir daí drenar em seu favor o caminho do poder. Há quem pregue o contrário, de  que nem que a vaca tussa tal fato não se consumará.  A não ser que aconteça,  como acreditam os supersticiosos, algo que chamamos de imponderável cujo encadeamento escapa à visão de um simples mortal. 

Em todo caso, devemos compreender que a atração que o poder exerce é uma  realidade na região Nordeste, e a situação de Sergipe não pode ser diferente, onde, aliás,  predomina quase sempre a vontade do grupo político que tem ao seu lado a força do governo. 

NEM SEMPRE O PODER POLÍTICO E O DINHEIRO GANHAM ELEIÇÕES

Em meio a esse incontrastável poderio do governador Belivaldo, no entanto, vimos, nas eleições municipais,  o vexame que ele passou em sua terra natal, Simão Dias, quando, para ajudar ao seu candidato a prefeito, mudou informalmente a capital para lá, usou e abusou do poder político, inclusive com ameaças a empresários e eleitores, sem obter êxito em tal estratégia.

Há quem considere que Simão Dias foi uma exceção.

Mas é bom anotar que aquele pleito municipal deu um aviso bastante perceptível de que nem sempre o poder político e o dinheiro, garantem o sucesso de uma campanha majoritária.

A ELEIÇÃO DE 2018, UM FENÔMENO À PARTE. NÃO HAVERÁ REPIQUE EM 2022

Há uma constatação a ser lembrada aqui, mas que a mídia de um modo geral deixa de opinar porque isso contraria bastante o governador. Trata-se do tema de sua reeleição em 2018, quando dois fatores contribuíram para o resultado: 

1) O abuso do poder político, conforme comprovou o TRE, pelo placar de 6×1, em cuja decisão cassou-lhe o mandato, mantendo-o no poder, em face de uma liminar ao TSE; e

2) O apoio de Lula, à chapa majoritária, o qual mesmo preso em Curitiba, foi capaz de mostrar a sua força eleitoral naquele momento, ao apoiar os nomes contidos na chapinha  distribuída por cabos eleitorais em todos os recantos do Estado, contendo os nomes de Haddad, Belivaldo e Rogério como seus candidatos, os quais exploraram ao máximo o discurso de “Lula Livre”, como um refrão bem sucedido do marketing durante toda a campanha.

Apurados os votos, viu-se que na região Nordeste, as urnas confirmaram a eleição de 9 governadores, 4 senadores do PT, e outros tantos, entre seus aliados.

AS FAVAS CONTADAS E O IMBRÓGLIO DA SUCESSÃO

O primeiro passo a ser tomado, antes de qualquer discussão sobre o tema, seria aguardar a finalização do processo no TSE. Mas como poucos são os que acreditam na punição máxima da perda de mandato do governador, vamos raciocinar com parcimônia, sem previsão antecipada, deixando esse assunto tão delicado, a cargo da Justiça que tem competência para resolver. 

Não é demais registrar que apoiadores do esquema de poder, esquentam as mídias dando como favas contadas mais uma vitória do candidato que for apoiado pela máquina do governo do Estado e de quase todas as prefeituras, inclusive a de Aracaju,  confirmando mais quatro anos de domínio político do agrupamento. A única dúvida nessa equação é se Edvaldo apoiaria a Rogério Carvalho, o candidato natural do PT ao governo do Estado, tendo em vista que romperam ou esfriaram os seus laços políticos nas eleições municipais de 2020, com as tintas da desconfiança. 

O Senador Rogério Carvalho, no período da eleição, ainda terá seis longos anos de mandato. Portanto, é  esperado que, tendo mandato e tempo, almeje uma candidatura de governador. Sabe-se que Belivaldo e Edvaldo hoje em dia rezam numa mesma cartilha. Se assim for como fazer um arranjo político para que o PT conte com o apoio dos dois mandantes, o do governador de Sergipe e do prefeito de Aracaju, se há, como é público e notório, queixas tão evidentes? Uma boa pergunta a ser respondida no prazo das desincompatibilizações, começo de abril de 2022.

Pode ser que Edvaldo seja picado pela mosca azul e resolva renunciar a prefeitura para disputar o governo, fato que agradaria sobremaneira ao governador Belivaldo, uma vez que a sua correligionária do PSD, e sua protegida, a delegada Katarina sentaria na cadeira hoje ocupada pelo ex-comunista para exercer um mandato com duração de dois anos e nove meses.

 

A BALA NA AGULHA

Aí é onde a porca torce o rabo, pois esse é o projeto tentador de Belivaldo, uma bala na agulha à espera para ser disparada. Mataria dois coelhos de uma só cajadada, deixando no governo como seu sucessor o mais recente e leal amigo e na prefeitura a mais nova e fiel amiga que a politica arranjou para ele, se a eleição vingar. Como eu costumo lembrar: “A política é arte do diabo!”. 

O ELEITOR COM A PULGA ATRÁS DA ORELHA PODE ESTAR PERGUNTANDO AOS SEUS BOTÕES

Mas o eleitor comum, como hoje é o meu caso, pode não estar pensando dessa forma. Fica  com a pulga atrás da orelha, perguntando aos seus botões: se o homem não tem voto, se Lula, o grande eleitor de 2018, está em liberdade, a bolsa família continua sendo paga e não tem mais padrinho, se este discurso já perdeu o sentido, qual o próximo discurso a viabilizar a eleição do candidato do governo?

O que esperar do apoio de um governo a um candidato à sua própria sucessão , cuja atuação ainda não ganhou a confiança nesses três anos de mandato, e que aparece aos olhos da população como insípido, inodoro e incolor?

Muito tempo ainda pela frente para uma avaliação segura.

TUDO TEM O SEU TEMPO DETERMINADO, E HÁ TEMPO PARA TODO O PROPÓSITO DEBAIXO DO CÉU (ECLESIASTES 3:1)

No  meu humilde  pensar, melhor a turma do governo, e da própria oposição,  mudar de foco, nesta fase triste pela qual passa o nosso Estado, com mortes e infestação por coronavírus em alta. Seguir o conselho do Eclesiastes, aguardar o tempo certo. Agora é o momento de combater a pandemia como prioridade número 1, lutar para salvar vidas, estruturar o sistema de saúde e prover os hospitais de respiradores e leitos, imunizar em massa a população contra a COVID-19, ao invés mergulhar em planos e articulações para manter-se no poder, salvar secretarias e cargos em Comissão,  vantagens e privilégios ou ganhar mandatos eletivos nas eleições de 2022. 

 

Antonio Carlos Valadares – ACV

Advogado, ex-governador, ex-senador da República

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da vitória de Cristiano, da cidade que virou capital e do povo que apagou o vagalume

 

                   

Simão Dias

Nesse período eleitoral, Sergipe inteiro voltou as suas vistas para uma cidade do agreste, acompanhando com inusitado interesse o que se passava na cidade de Simão Dias. Afinal, por obra e graça do governador Belivaldo, que é simãodiense, a capital do Estado, cuja sede está localizada em Aracaju,  foi mudada informalmente para essa bela cidade,  conhecida por “produzir milho e eleger governadores”, como costumava dizer um dos maiores filhos desta terra, o saudoso Marcelo Déda.

Sua excelência, o governador Belivaldo – que circulava na campanha montado numa luxuosa off road Polaris rzr,  prestou-se a auto apelidar-se de  “vagalume” – abandonou as tarefas normais de um governante que tem o dever de trabalhar para todos os municípios, tomou a decisão de utilizar-se de quase todo o aparato governamental, gastar todos os recursos disponíveis e a sua energia para mudar a vontade do eleitor num único lugar do Estado, na nossa querida Simão Dias.

 

BellyNave

Transmitindo em suas atitudes uma impáfia inconcebível, e destilando ódio em suas falas e lives semanais no instagram quando expressava, conforme percebiam as pessoas,  um sentimento inferior que não cabia na figura de um governador, pegou o pião na unha e se portou como se fosse ele próprio o candidato a prefeito.

Usou o poder da máquina administrativa como nunca aconteceu em qualquer outra campanha no município. Em cima da eleição inaugurou obras eleitoreiras, e assinou as famosas ordens de serviço,  eventos semelhantes àqueles, que, como todos se lembram, lhe causaram o dissabor da cassação de seu mandato de governador e a pena de inelegibilidade por oito anos decretada pelo TRE-SE. 

Tal conduta mostra que Belivaldo Chagas, no exercício do cargo de governador,  é reicindente na prática de abuso de poder político, zomba da Justiça Elelitoral ao insistir em desequilibrar a disputa, e atentar contra a legimidade das eleições,  como fez pra se eleger governador em 2018. 

No domingo, 15 de novembro, veio a firme e corajosa decisão do povo: o governador Belivaldo, o atual prefeito Marival e o seu candidato chapa branca, Aloízio do Sofá, foram derrotados, passando por uma humilhação sem precedentes, perdendo todos eles para um modesto motorista da prefeitura, Cristiano Viana, do PSB. 

Cristiano é o novo líder da pacata e ordeira Simão Dias. Ganhou bonito, sepultando a ideia de que só o poder e o dinheiro é que podem ganhar eleições.

Vencer em Simão Dias, derrubar Cristiano e destruir por completo o agrupamento político dos Valadares, objetivos que se tornaram uma questão de honra e uma obsessão de Belivaldo Chagas, acabou sendo o maior vexame já sofrido por um governador em toda a história de Sergipe.

A esperança venceu o medo. 

O voto livre do povo apagou o “Vagalume”. 

ACV – Antonio Carlos Valadares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vitória do Ministério Público e da Sociedade, derrota do governo

Em toda a história de Sergipe, após a promulgação da Carta Magna de 88, o único governador que descumpriu a ordem de votação da lista escolhida para Procurador-Geral do Estado foi Belivaldo Chagas.

Antes da posse prometeu que nomearia o mais votado. Depois da posse, inverteu a ordem, e nomeou o 3º da lista.

Agora, aconteceu nova eleição, sendo eleita uma nova lista tríplice. Pela sua forma autoritária de decidir, vai tentar impor, antes de nomear, que o novo Procurador-Geral siga mais ou menos a mesma linha adotada pelo atual ocupante do cargo,  qual seja, a de ficar longe de investigações incômodas contra detentores do poder.

Com efeito, foi contundente a resposta que os membros da classe, através do voto livre de seus membros, resolveram dar ao atual comando da Procuradoria-Geral, ao escolher uma lista composta por nomes de perfil independente, sem qualquer atrelamento de ordem política.

Belivaldo, se tentar o continuísmo sem voto, vai perder tempo e saliva.

O Ministério Público Estadual, unido, escolheu uma lista uniforme, onde cada um de seus integrantes tem compromisso com a instituição.

Qualquer que seja o nomeado, agirá com autonomia, e não vai atrelar-se jamais aos interesses escusos do governo.

Afinal, o Parquet está muito preocupado com a imagem de omissão e comprometimento da última gestão em alguns casos emblemáticos, a exemplo do Hospital de Campanha de Aracaju, que causou grande desgaste à instituição, cuja decisão de isentar  a prefeitura, deixou-lhe em situação claramente embaraçosa ao omitir-se do seu dever de investigar.

Em contraposição a esse posicionamento, a Polícia Federal, o MPF e a CGU, com autorização prévia da Justiça, desencadearam a chamada operação Serôdio para obter provas de possíveis desvios de recursos da pandemia na execução da malsinada obra.

O Parquet, com muita razão, quer agora recuperar a sua autonomia e credibilidade asseguradas pela Constituição Cidadã.

Na eleição do Ministério Público Estadual, perdeu o governo, ganhou a sociedade. É o resgate da credibilidade do Ministério Público, e da confiança nessa honorável  instituição permanente que atua em defesa de todos os segipanos e sergipanas. 

ACV

O voto de protesto fragiliza a democracia

Um dos fatores que mais pesam contra a validade e a relevância do sistema democrático é o voto de protesto.

É um voto sem cara, que se exprime pela omissão ou anarquia, sem levar em conta a valoração de candidaturas éticas e legítimas, que se apresentam muitas vezes com um perfil e um passado de combate à corrupção, em favor dos direitos sociais e na defesa da moral política exigida pela sociedade.

Na política tradicional, assim como entre aqueles que se intitulam como contrários à “velha política”, o eleitor pode encontrar nomes que representem as suas ideias em favor de uma atuação voltada ao combate à corrupção, ao fortalecimento das liberdades políticas e dos direitos humanos, políticas de distribuição de renda e contra as mazelas da gestão governamental.

Meu nome é Enéas!

Os que se expressam no combate à corrupção e à renovação política, têm um lugar de destaque. Mas uma boa parcela da sociedade aceita o político tradicional, desde que tenha um passado que o credencie a falar sem medo pelo exemplo de honestidade e compromisso com as boas causas. Todavia, nem sempre é assim. Corruptos se elegem, mesmo que passem todo o mandato na degola, respondendo a processos criminais e eleitorais, e muitos deles salvando-se aos trancos e barrancos. 

Se temos numa eleição centenas de cargos para o legislativo e outros tantos para o executivo, não há porque, a priori, julgar que em número tão ostensivo, não possa encontrar alguém capaz de representar o pensamento de pelo menos uma parcela dos eleitores.

É sabido que a revolta do eleitorado por vezes, conduz a uma apressada decisão de anular o voto, votar em branco, ou abster-se de comparecer às urnas.

O voto de protesto conseguiu eleger para deputado federal figuras sinistras como Enéas (PRONA),  o ícone da extrema-direita, com um discurso relâmpago, e usando apenas o bordão “Meu nome é Enéas!”,  obtendo mais de 1 milhão e meio de votos em SP.  O então deputado Jair Bolsonaro, cuja ideologia se identifica com a daquele fenômeno eleitoral, procurou de alguma forma fazer-lhe uma homenagem,  apresentando um projeto de lei na Câmara (PL 7699/2017) para inscrever o nome de ÉNEAS FERREIRA CARNEIRO no Livro dos Heróis da Pátria.

Esse mesmo voto de protesto levou para Brasília, figuras caricatas e engraçadas como Tiririca. Em outros tempos, até animais –  quando o eleitor ainda podia votar escrevendo o nome do candidato na chapa-, numa escalada de gozação o povo chegou a eleger  bodes, gorilas e rinocerontes. Em Sergipe, um candidato que se intitulava Rôla, faltou pouco pra chegar à Câmara dos Deputados. Queria uma aliança com o PSB que, por pruridos morais, não o aceitou como aliado. O seu slogan era “Rola Neles!”. Resultado, Rola perdeu por pouco, e Pedrinho Valadares, que teve a maior votação como deputado federal, não se elegeu por causa daquela aliança populista que não se consumou.

Os eleitores concluem que a causa maior dos males  por que passam, a culpa maior é do sistema democrático que elege os nossos representantes, os quais não levam em conta os apelos da população.

O eleitor ao se deparar com as denúncias frequentes contra políticos, colocam todos no mesmo balaio, e procuram votar em salvadores da pátria, justiceiros que se amparam no discurso do novo, com o viés do prende e esfola, nem que nada aconteça depois de eleitos.

 

A eleição passou a ser um ato de desabafo, mesmo que, após, não resulte em nada. Ainda que depois se arrependam os eleitores.

Um dado curioso sobre a última eleição para o governo do Estado em Sergipe: no 2º turno tivemos mais de meio milhão de eleitores (33,5%) que votaram nulo, branco e se abstiveram de votar. 

O voto pode então funcionar como um ato de vingança, mesmo que em tal operação o justo pague pelo pecador.

Em tempos passados, ainda não tanto distantes, a ira do eleitor se manifestou expressando sua preferência por animais, figuras caricatas, folclóricas ou ridículas para desmoralizar, através do voto livre, o sistema político vigente.

Para evitar enxurradas de votos de protestos na época em que vivemos, quando há um acompanhamento instantâneo de seus trabalhos pelas redes sociais, os políticos deverão adotar uma postura mais transparente, mais corajosa, mais ativa, focando a sua atuação nos problemas mais graves com que se defronta a população como o desemprego, a desigualdade social, a saúde e a educação, a violência urbana e rural.

O político deve ser um espelho para as gerações que vão surgindo a cada eleição, deve ser um exemplo a ser seguido em sua conduta pessoal e pública, tendo a honestidade e a ética como bastiões seguros para enfrentar a luta.

O povo está de olho. 

Neste comportamento de protestar sem participar, ou participando votando nos extremos, exprime-se  uma tendência autoritária de descrença nas instituições democráticas.

Preferências pelo autoritarismo e por soluções milagrosas, a exemplo do fascismo italiano e do nazismo alemão, conduziram a Itália e a Alemanha a um fim catastrófico, provocando a dizimação de milhões de vidas durante a segunda guerra mundial.

ACV

KOISAS DA POLITIKA – A ESTRELA OU O MARTELO & A FOICE

NOS ENTRETANTOS, EM JOGO O GOVERNO DO ESTADO

Interpretando as entrelinhas deixadas pelo senador Rogério Carvalho na entrevista que ele deu no programa radiofônico de André Barros, ficou mais do que evidenciado que só haverá uma hipótese para o PCdoB e o PT estarem juntos nas eleições municipais do próximo ano: se o prefeito Edvaldo Nogueira desistir da reeleição e passar o comando do processo para o PT. Nessa hipótese o PT  apresentaria o candidato a prefeito.

Ao ser perguntado se o PT entregaria os cargos que tem na prefeitura de Aracaju, o senador desconversou, gaguejou, pigarreou, para, ao final dizer que a caneta está nas mãos de Edvaldo. Complementou com o raciocínio de que o PT ali está, e merece, porque ganhou a eleição junto com Edvaldo.

Foi dado ênfase pelo senador ao fato de que Edvaldo talvez não esteja com os pés no chão, e, por isso, tenha uma equivocada interpretação da realidade política ao insistir na sua pretensão em continuar sentado na cadeira de prefeito.

Com efeito, se somarmos o tempo de vice-prefeito com o de prefeito, em dezembro de 2020 Edvaldo Nogueira completará 13 anos de poder, em cujo período quando o PT não estava governando (Marcelo Déda), participava do governo municipal com a indicação do vice (Silvio Santos e Eliane).

Trocando em miúdos: se Edvaldo abrir mão de sua reeleição,  gesto visto como duvidoso e praticamente impossível,  seria uma surpresa alentadora a merecer elogios de todos os lados.

Afinal, poucos os que fizeram isso, tendo a caneta na mão como ele tem agora. Se assim o fizesse, na certa teria que passar o bastão da campanha para as mãos do PT,  um partido reconhecidamente aliado, que o apoiou todas as vezes em que foi candidato a vice ou a prefeito. Além disso, o PT teria o instrumento financeiro que nenhum partido tem, o maior fundo eleitoral de campanha do Brasil. 

O PODER NAS MÃOS DE QUEM FICA?

É sabido que ao longo de todo esse tempo em que os dois partidos estão juntos, pouquíssimos foram os desencontros.

Até  o presente momento, mesmo que tenha alguma discordância íntima contra a forma de atuação de Edvaldo, o PT ao integrar o governo da capital, assim ou assado, terminou coonestando com Edvaldo em tudo o que ele fez de certo ou errado. O comprometimento e as impressões digitais do PT estão mais do que expostas aos olhos de todos os eleitores.

A conclusão que se tira em relação a esse affair entre o PCdoB e o PT, é que por detrás disso não existe apenas o desejo natural de troca de guarda no poder da Capital.

No fundo o senador Rogério, que tem se revelado um estrategista político, alimenta o sonho de chegar ao governo por essa mesma via em que vários partidos, incluindo o próprio PT – ganhando o troféu da prefeitura de Aracaju.

Eliane, na disputa pela prefeitura, seria a candidata preferencial, porque assim, a vice de Belivaldo sairia da linha da sucessão de 2022, deixando Rogério Carvalho mais à vontade e mais livre para preparar sua candidatura ao governo do Estado.

Eliane, que não tem nada de inocente útil, não digeriu ainda – como à primeira vista deixa transparecer com um silêncio conciliador e compreensivo -,  as exonerações que Edvaldo fez de pessoas ligadas a ela. Todavia, essa possível queixa, que fora alimentada por uma ingratidão de Edvaldo, morrerá para sempre se Eliane tiver o apoio de Edvaldo no projeto do PT de candidatá-la a prefeita. 

MELHOR CONSULTAR  OS RUSSOS

Embora a sucessão para o governo esteja ainda muito longe, e ainda seja apenas uma miragem, vê-se que tanto Edvaldo como Rogério procuram um mesmo oásis repleto de água doce e de tâmaras, que é o poder estadual, mas tendo antes o comando da prefeitura mais poderosa, o que eles consideram um achado, um caminho mais fácil para que, um ou outro, seja eleito governador.

Mas, conversando com os meus botões, e me lembrando do saudoso Garrincha, o inigualável ponta-direita de nossa seleção canarinha, seria melhor que antes de tudo, Rogério e Edvaldo combinassem com os “Russos”.

ACV