Abuso de poder político

Trump quer dar ordens ao Brasil

É verdade que Trump, o imprevisível presidente dos EUA, quer levar o Brasil a nocaute. Começa, usando a lei magnistky, um mecanismo surgido em 2012 – nunca aplicado no sentido de ferir a soberania de um outro país, como fez com o Brasil – ao impor o tarifaço de 50% sobre a exportação de um número significativo de produtos do nosso país. Trata-se de um golpe baixo desferido por Trump para intimidar, ou melhor dizendo, para nocautear o Brasil.

Ficou claro que tudo não passa de uma vingança contra o Brasil e o seu povo. É um jogo de cartas marcadas na tentativa de salvar o seu amigo de uma causa perdida, o direitista Jair Bolsonaro, já inelegível por 8 anos, mesmo antes do julgamento da mais grave acusação que pesa contra ele, da qual a sua defesa até agora não encontrou uma justificativa plausível que possa livra-lo da cadeia em regime fechado, por ser, – como mostram as provas dos autos encaminhados pela polícia federal e Procuradoria-Geral da República ao STF, apontando-o como principal artífice da trama golpista para depor um governo legitimamente eleito.

O único benefício que Bolsonaro poderá receber é o da prisão domiciliar, caso uma perícia técnica, comprove que o seu estado de saúde não comporta uma prisão em regime fechado, a qual, como se sabe, é solitária, rigorosa e humilhante para um ex-presidente. O castigo de Trump contra a economia do Brasil, destituído de qualquer base legal, é típico de um governante que atua sem regras, contando com a leniência da Suprema Corte e do Congresso dos EUA, onde detém maioria.

Por conta disso, muitas empresas deixarão de funcionar no Brasil, milhares de empregos serão perdidos, além de uma redução drástica na arrecadação federal.

A nossa economia está vivendo um momento de imprevisibilidade.

Com os olhos voltados para os empregos, o governo esboça um plano de emergência para atenuar essa situação dramática, no qual estão previstas medidas para ajudar empresas, tais como, redução de impostos, concessão de empréstimos com taxas favorecidas e ajuda diplomática para descobrir outros mercados internacionais que possam comprar nossos produtos, sem as taxas abusivas impostas pelos americanos.

Para mascarar sua atitude discricionária Trump abriu investigação contra o Brasil por supostas práticas desleais de comércio – que serão conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na sigla em inglês.

Como se trata de um organismo governamental dos EUA, já se pode prever por antecipação que o resultado dessa investigação virá contra o Brasil, como quer Donald Trump. Não há analista que conheça ao menos um pouco os meandros da política atual americana, que acredite no encerramento dessa questão com parecer favorável ao Brasil.

Querer condenar o Brasil, dentre outras coisas, porque o governo local não proíbe a população de usar o pix como instrumento para pagar despesas e receber pagamentos, é uma ideia insana e inegociável, que só pode prosperar numa mente doentia.

Numa luta de box quando um dos lutadores coloca o adversário nas cordas é sinal de que está vencendo, mas ainda não ganhou. Só depois de um soco poderoso, após deixar o adversário deitado na lona, e não mais se levantar em 10 segundos, é que acontece o nocaute. Aí, o juiz levanta os punhos do vitorioso dando a luta por encerrada.

O Brasil pode ficar nas cordas por um bom tempo, mas nunca será nocauteado, como sonha, trincando os dentes, o tresloucado e encrenqueiro Trump.

Temos um povo lutador, que não se entrega ao desânimo, apesar das dificuldades momentâneas, temos um território em toda a sua dimensão repleta de riquezas e produtos naturais incomensuráveis, temos um país disposto a lutar bravamente por sua soberania.

Custe o que custar, devemos nos manter corajosamente em posição de defesa, mas sem desprezar um bom acordo comercial para proteger nossas empresas, sem se ajoelhar perante os pés de Trump, reagindo com destemor aos seus golpes baixos até que ele raciocine que os EUA não podem viver sem a companhia do Brasil, a maior Nação da América Latina, com a qual, por mais de 200 anos tem relações comerciais mutuamente respeitosas e produtivas.

Mais cedo ou mais tarde, tenho confiança de que essas relações históricas terão de ser retomadas para o bem de ambos os povos. Com Trump ou sem Trump, essa perseguição contra o Brasil terá de chegar a um final construtivo e benéfico para todos, sem nocautes ou humilhações contra nenhum dos contendores ao travarem uma luta justa e leal para fortalecer a economia e o progresso das duas Nações.

Antonio Carlos Valadares – advogado, ex-governador, ex-senador por Sergipe

Da vitória de Cristiano, da cidade que virou capital e do povo que apagou o vagalume

 

                   

Simão Dias

Nesse período eleitoral, Sergipe inteiro voltou as suas vistas para uma cidade do agreste, acompanhando com inusitado interesse o que se passava na cidade de Simão Dias. Afinal, por obra e graça do governador Belivaldo, que é simãodiense, a capital do Estado, cuja sede está localizada em Aracaju,  foi mudada informalmente para essa bela cidade,  conhecida por “produzir milho e eleger governadores”, como costumava dizer um dos maiores filhos desta terra, o saudoso Marcelo Déda.

Sua excelência, o governador Belivaldo – que circulava na campanha montado numa luxuosa off road Polaris rzr,  prestou-se a auto apelidar-se de  “vagalume” – abandonou as tarefas normais de um governante que tem o dever de trabalhar para todos os municípios, tomou a decisão de utilizar-se de quase todo o aparato governamental, gastar todos os recursos disponíveis e a sua energia para mudar a vontade do eleitor num único lugar do Estado, na nossa querida Simão Dias.

 

BellyNave

Transmitindo em suas atitudes uma impáfia inconcebível, e destilando ódio em suas falas e lives semanais no instagram quando expressava, conforme percebiam as pessoas,  um sentimento inferior que não cabia na figura de um governador, pegou o pião na unha e se portou como se fosse ele próprio o candidato a prefeito.

Usou o poder da máquina administrativa como nunca aconteceu em qualquer outra campanha no município. Em cima da eleição inaugurou obras eleitoreiras, e assinou as famosas ordens de serviço,  eventos semelhantes àqueles, que, como todos se lembram, lhe causaram o dissabor da cassação de seu mandato de governador e a pena de inelegibilidade por oito anos decretada pelo TRE-SE. 

Tal conduta mostra que Belivaldo Chagas, no exercício do cargo de governador,  é reicindente na prática de abuso de poder político, zomba da Justiça Elelitoral ao insistir em desequilibrar a disputa, e atentar contra a legimidade das eleições,  como fez pra se eleger governador em 2018. 

No domingo, 15 de novembro, veio a firme e corajosa decisão do povo: o governador Belivaldo, o atual prefeito Marival e o seu candidato chapa branca, Aloízio do Sofá, foram derrotados, passando por uma humilhação sem precedentes, perdendo todos eles para um modesto motorista da prefeitura, Cristiano Viana, do PSB. 

Cristiano é o novo líder da pacata e ordeira Simão Dias. Ganhou bonito, sepultando a ideia de que só o poder e o dinheiro é que podem ganhar eleições.

Vencer em Simão Dias, derrubar Cristiano e destruir por completo o agrupamento político dos Valadares, objetivos que se tornaram uma questão de honra e uma obsessão de Belivaldo Chagas, acabou sendo o maior vexame já sofrido por um governador em toda a história de Sergipe.

A esperança venceu o medo. 

O voto livre do povo apagou o “Vagalume”. 

ACV – Antonio Carlos Valadares